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Reportagem Bola Branca

Do silêncio do sótão ao barulho dos títulos nacionais de ténis: a história de Matilde Novais está só a começar

24 dez, 2025 - 08:40 • Redação

A jovem vilacondense de 15 anos já conquistou este ano os títulos nacionais de sub-16, sub-18, pares mistos sub-16, equipas femininas sub-16 e pares mistos seniores, somando feitos raros, semanas de superação e a confiança crescente de quem percebeu, talvez tarde mas no momento certo, que tinha potencial para ir muito mais longe do que imaginava.

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Matilde Novais chega acompanhada pelo pai, João Nuno Novais, ao clube à beira-mar na Póvoa de Varzim, o “Mais Ténis”, depois de mais um dia de aulas. Traz a mochila que tem todo o material necessário para o treino, as raquetes, a roupa, a fita para o cabelo e, entre tudo isso, as gomas que come durante as pequenas pausas que acontecem durante o treino.

Vai logo ter com a treinadora Inês Moura, que a esperava no espaço lúdico do clube, com umas mesas, onde os pais confraternizam durante o treino dos filhos. Senta-se e com a vergonha de uma ainda adolescente pede ao pai e à treinadora que a deixem sozinha para contar à Renascença a sua história.

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Quando Matilde Novais pegou pela primeira vez na raquete do pai, “no sótão lá de casa”, não imaginava que aquele gesto intuitivo e quase infantil acabaria por definir o rumo de uma adolescência inteira. “Acho que foi ali que criei a paixão pelo ténis”, recorda com nostalgia.

Não era um court, não havia treinadores nem expectativas, apenas o silêncio da casa e o ritmo da bola a bater contra a parede. Mas talvez tenha sido exatamente nesse silêncio que nasceu a base de tudo: a relação íntima, paciente e quase metódica com o jogo.

Durante anos, o ténis foi algo seu, e apenas seu. Quando finalmente entra no circuito competitivo aos 12 anos, não traz o acumulado habitual de torneios que tantas jovens já tinham.

Ainda assim, bastou pouco tempo para perceber que esse atraso aparente não significava um limite. Pelo contrário. “Um ano a competir foi suficiente para perceber que tinha potencial para isto”, assume. A frase parece simples, mas é uma síntese muito esclarecedora do que viria a acontecer.

O som das bolas, quer do padel quer do ténis, é a música ambiente do espaço. De vez em quando ouve-se um festejo mais efusivo, que leva Matilde a um sorriso meio envergonhado. Aqueles festejos fazem-na lembrar os seus, que segundo as suas palavras também são “muito efusivos”.

Este ano, Matilde Novais torna-se apenas a quinta atleta deste século a conquistar, no mesmo ano, o campeonato nacional Sub-16 e o campeonato nacional Sub-18, juntando-se a nomes maiores do ténis feminino português como Francisca Jorge (2016) e Matilde Jorge (2019) — atualmente número 1 e 2 nacionais.

É um feito que marca épocas, define gerações e, sobretudo, coloca a jovem vilacondense numa linha de continuidade dos melhores talentos que o país produz desde o início dos anos 2000.

Mas a dimensão da época não se esgota por aqui. Aos títulos individuais junta também o campeonato nacional de equipas Sub-16, a vitória em pares mistos Sub-16 e mais recentemente também a vitória em pares mistos seniores, ao lado do seu treinador e amigo Bruno Ouvidor. Nada disto acontece por acaso. E nada disto acontece sem o outro lado da história: sacrifícios, rotinas, viagens, noites de estudo adiadas e finais dramáticas que exigiram mais do que força de braço.

Um ano que começou cedo e nunca abrandou

A época arranca logo em janeiro com títulos regionais, prestações em dois escalões diferentes e uma primeira incursão num ambiente sénior internacional, no W75 Porto, onde disputa qualificações e pares. No entanto reconhece “com a maior sinceridade” que “não estava pronta para o disputar”. Matilde ainda não tinha “apanhado o choque de realidade” para entender toda a preparação que este tipo de torneios exige, antes, durante e após.

A partir daí, seguiram-se meses de intensidade: torneios de nível A da sua faixa etária (que é o mais alto a nível nacional), torneios ITF sub-18, em Setúbal, no Porto, em Lousada, França, Marrocos, Portimão e Vilamoura. Em singulares e em pares. Em indoor e outdoor. Em pisos e condições muito diferentes. Contra portuguesas da sua geração e contra atletas de 17 ou 18 anos que viajam semanalmente pela Europa e pelo Norte de África.

Cada torneio traz algo. Às vezes a confirmação. Outras vezes um “quase”. Outras ainda a frustração que também constrói. E, entre esses momentos, o que Matilde vai guardando não são títulos, são referências: jogos duros com cabeças de série, derrotas equilibradas com espanholas, mexicanas, polacas ou ucranianas, e vitórias importantes contra atletas mais velhas, mais experientes e mais fortes fisicamente.

A época ganha dimensão internacional e isso não passa despercebido a ninguém que a acompanha de perto. O pai, a treinadora, o treinador da Federação Portuguesa de Ténis que a acompanha no Centro de Desenvolvimento Nacional (CDN) do Norte: todos, à sua maneira, testemunham a mesma coisa.

A evolução técnica, física e mental que se acelera quando o calendário passa a ter voos, hotéis, temperaturas extremas, culturas diferentes e estilos de jogo que não existem no circuito interno português. Matilde sente-o, absorve-o e, muitas vezes, sabe transformar isso em crescimento competitivo.

O ponto de ouro: a conquista do inesperado título nacional sub-18

Depois de semanas difíceis em Marrocos, onde Matilde chega a dizer à treinadora que não se sentia bem a jogar, nem sabia bem o que se estava a passar. Perdeu a confiança. Mas Inês Moura, a treinadora do clube que a acompanha, não a deixa cair e de forma pragmática diz: “Vais jogar o nacional sub-18, para te soltares um bocadinho e sem obrigações nenhumas”.

Esta competição não estava nos horizontes, nem no plano de época traçado. Mas era um bem maior necessário para devolver a Matilde o brilho nos olhos quando se falava de ténis e a confiança que a passagem por Marrocos lhe roubou.

O foco era conquistar o campeonato nacional sub-16. E, muito por isso, o pai culpa-se, porque foi um dos que desencorajou a filha a jogar o sub-18, para que o escalão inferior continuasse a ser o foco.

Matilde teria que passar pela fase de qualificação, devido à posição que ocupava naquele escalão (50), mas, depois de aceitar a proposta da filha para jogar aquele campeonato, o pai sugeriu à treinadora o pedido de um “wild card” (acesso direto) para o quadro principal. Assim, a jovem teria mais tempo para treinar e posteriormente focar-se na competição.

O pai não sabe "se foi sorte ou uma estrelinha”, mas de facto o futuro veio a ser risonho depois do pedido arriscado.

Matilde escreveu então uma das páginas mais improváveis e simbólicas da sua carreira até à data. Atravessou o quadro inteiro derrotando atletas teoricamente favoritas, algumas com mais dois ou três anos de vantagem competitiva e com rankings muito superiores.

Da primeira vitória por 6-0, 6-0 às batalhas táticas, do duelo com a primeira cabeça de série até à final de quase três horas, onde venceu Lena Couto por 7-5, 2-6 e 6-3, a jovem de Vila do Conde mostrou uma maturidade competitiva que duas semanas antes estava coberta pela dúvida e pela falta de confiança que pairava nos seus pensamentos.

E foi nessa semana que confirmou que o seu jogo não era apenas bom para o seu escalão. Afinal, era bom bom para outro nível. Era bom para enfrentar jogadoras do top nacional. E era bom para ganhar.

Nestas semanas antes do sub-16 no Jamor, em agosto, a jovem já tinha recuperado a alegria que lhe é característica e a “raça” que descreve como ponto chave da sua postura em campo. Chegou a Lisboa numa ótima fase para tentar alcançar o objetivo da época.

Poucos dias depois do torneio sub-18, conquistou também o campeonato nacional sub-16 sem perder qualquer set e cedendo apenas 13 jogos, uma demonstração de domínio que não se vê muitas vezes, mesmo nas atletas que encabeçam os quadros como favoritas.

Depois da vitória histórica, Matilde não se esqueceu das amigas e dos desafios que lhe lançaram. Teresa Poppe, vencedora do campeonato de sub-16 do ano anterior, disse à jovem que ela ia ganhar a competição e que teria que fazer o festejo que ela fez: a famosa máscara de Gyökeres, o antigo futebolista do Sporting.

Matilde, benfiquista de coração, não olhou a clubismos para cumprir a promessa que fez à amiga. E assim que fechou o jogo decisivo, viu uma câmara e fez o gesto do sueco.

Uma nota histórica que diz mais do que parece

Apenas quatro jogadoras, desde o ano 2000, conseguiram ganhar sub-16 e sub-18 no mesmo ano: Francisca Jorge, Matilde Jorge e duas atletas das primeiras gerações do século. Agora, Matilde Novais junta-se a este grupo restrito e isso, para quem conhece o ténis juvenil português, não é só “uma curiosidade”. É um marcador de talento real. É sinal de que pertence ao lote muito reduzido de jogadoras que conseguem, aos 15 anos, competir de igual para igual com atletas mais velhas e ganhar.

Estar na mesma frase que as irmãs Jorge não a assusta. Pelo contrário, parece dar-lhe uma espécie de serenidade ambiciosa. “Não penso nisso como pressão… mas é claro que é especial”, admite Matilde Novais.

O equilíbrio da balança: a família

O pai observa o treino da filha com a mesma atenção com que o fez nos courts das mais recentes conquistas. O percurso de Matilde no ténis sempre foi encarado com equilíbrio. “Nós, basicamente, funcionamos como uma balança”, explica, resumindo o papel da família.

Para ele, garantir que a jovem atleta tenha o máximo de condições sem interferir na sua preparação técnica é o foco: “Gostamos de lhe dar paz. Não interferimos em nada que seja a parte técnica. Apenas colaboramos, ora com os treinadores, ora com a Matilde. Este é o nosso papel, e queremos mantê-lo desta forma, porque está bem entregue”, confirma.

Rejeita ainda a ideia de sacrifício, encarando o acompanhamento da filha como uma oportunidade de partilhar experiências: “Sempre levámos este desporto como algo que também nos ia acrescentar valor enquanto família. Viajámos, passámos tempo em clubes, vemos a Matilde jogar e convivemos com outras famílias. Não considero sacrifício, é um prazer acompanhar este percurso”, acrescenta.

O calendário competitivo da jovem atleta é outro ponto que define a logística anual da família. “A Matilde, enquanto parte desta família, acaba por ser a líder da logística. Ela define as férias, jantares, tudo. Nós ajustamo-nos a ela. Este desporto é volátil, um dia estamos aqui, outro em Setúbal ou Lousada, mas nada que seja complexo”, afirma.

Mais do que treinos e torneios, o pai destaca o papel emocional da família. “Quando ela ganha, deixo que outros lhe batam nas costas, mas alerto-a que tudo é passageiro. Nas derrotas, estamos lá, presentes. A Matilde é mentalmente forte, e a nossa missão é estar com ela quando precisa.”, afirma prontamente.

A pressão que a jovem coloca em si própria é natural, mas é equilibrada pela presença constante da família: “É exigente porque é ultra-competitiva, e às vezes tem que aprender que algumas derrotas serão a mãe de muitas vitórias”, explica ainda o pai, sobre os conselhos que dá à filha nos momentos maus.

Para João Nuno Novais, a essência do acompanhamento é simples: ser pai antes de tudo. “Dentro e fora do court, o meu papel é dar-lhe equilíbrio. No treino, não comento. Sou o escudo da Matilde cá fora. Em casa, tentamos separar a vida do ténis, porque há muita vida para além do desporto. Digo-lhe sempre: vai jantar com uma amiga, diverte-te, vai ao McDonald’s. O ténis é importante, mas não é tudo”, acrescenta.

E, acima de tudo, há orgulho no ser humano que a filha está a tornar-se. “A Matilde é uma criança feliz, sorridente e com um bom coração. Tem teimosia, sim, mas isso transforma-se em força. É uma boa menina, e isso deixa-me feliz”, conclui.

A gestão entre as raquetes e os livros

Conciliar estudos e treino é outro desafio diário. Matilde dedica manhãs e tardes a aulas e explicações, reservando horários específicos para treinos de ténis e sessões físicas. “A escola não pode deixar de ser uma prioridade. A ligação do clube com a equipa técnica e com os pais tem sido bem desenhada à volta dela”, observa Hélder Araújo, treinador da Federação Portuguesa de Ténis, que acompanha Matilde no CDN. A disciplina e organização permitem que a atleta maximize cada hora de treino, mantendo um equilíbrio saudável entre vida pessoal e exigências desportivas.

A rotina diária da família é a chave. Entre treinos, deslocações, escola e trabalho, a organização é quase científica. “Temos uma folha de Excel, como eu costumo dizer. Conseguimos gerir tudo muito próximo, num raio de seis ou sete quilómetros, o que facilita bastante a logística. Menos para a Matilde, claro, que treina desde as sete da manhã até às oito da noite em alguns dias. Mas a palavra família é um fator positivo, porque nos apoiamos uns aos outros”, explica João Nuno Novais.

Sobre a gestão da rotina entre escola e ténis, o pai comenta: “Tenta-se que ela tenha equilíbrio. A escola continua a ser uma prioridade, mas também sabemos que, para ela evoluir no ténis, é preciso dedicação total. Nós apoiamos, organizamos horários, ajudamos na logística e, acima de tudo, damos-lhe confiança para seguir os sonhos dela”.

Na visão da Matilde, o ténis devia ser a prioridade. Mas entende o lado dos pais porque sabe que “amanhã posso cair e magoar-me e não dar mais o ténis” ou então “um dia posso achar que não é mais o ténis que quero para a minha vida”, explica a jovem tenista.

Contudo, refuta logo, garantindo que tem “quase a certeza que isso nunca vai acontecer”. Para isso vê uma solução do outro lado do Atlântico. Fazer um curso de desporto nos Estados Unidos é uma possibilidade que está a ser estudada, quer por Matilde, quer pela família.

Ganhar, ganhar e treinar?

Desde que começou a treinar com Matilde, Inês Moura percebeu rapidamente que a jovem precisava de adaptação, mas também de espaço para expressar a sua intensidade natural. “O primeiro ano foi muita adaptação… ela era muito soft e eu queria mais dela porque conhecia-a só na parte de competição. Fomos adaptando as duas até chegar aqui a um ponto em que a coisa está a correr bastante bem”, conta a treinadora, destacando como a relação de confiança e trabalho conjunto foi essencial para o desenvolvimento da atleta.

O grande trunfo da Matilde, segundo a treinadora, é a paixão pelo jogo e pela competição: “O grande ponto forte dela é gostar de competir, ou seja, ela gosta de fazer pontos. Seja em treino, seja na competição… isso facilita muito o jogo em si”. Essa intensidade, embora natural, precisa de ser equilibrada, e é aí que tanto a família como a treinadora entram, orientando e estruturando os treinos e a rotina da jovem.

Durante o treino a cumplicidade entre a jogadora e a treinadora era evidente. Matilde estava sempre a sorrir, a brincar e a aplicar o estilo de jogo que gosta: “os amortis”. Mas entre cada exercício uma pergunta era certa: “E quando fazemos pontos?”.

Para o outro lado da rede lançava um olhar desafiador para o parceiro de treino, enquanto lhe dizia que quando ganhasse um ponto ia cerrar o punho e gritar “vamos”, como sempre faz.

Com a humildade de adolescente, Matilde não esconde que não gosta de treinar. Por ela “competia todos os dias”, o treino ficava um pouco de lado. Compara até com a escola: “Os treinos é igual a estudar e eu não gosto de estudar”. Já sobre competir: “Os torneios são os testes, mas de fazer testes eu não gosto, já jogar gosto e muito”, conclui a jovem.

O wildcard para o futuro

Para a Matilde, o caminho no ténis não se constrói apenas com treino e competição, há também inspiração, memória e legado. A jovem em ascenção recorda a importância de uma figura que marcou o seu percurso: o treinador Zé Luís. No fim de todos os jogos benze-se em homenagem e em memória de todos os ensinamentos que lhe passou naquele banco junto aos courts cobertos do clube da Póvoa de Varzim.

Também encontra motivação em ídolos que a inspiram dentro e fora do court, aprendendo com a sua garra e humildade. “Ela vê nos exemplos de outros atletas que é possível ser competitiva, mas manter o equilíbrio e a humildade. Isso é algo que tentamos reforçar sempre, porque talento sozinho não chega”, sublinha o pai, evidenciando a filosofia de manter os pés no chão mesmo diante do sucesso.

O futuro da jovem atleta é promissor, mas também exigente. Inês Moura reforça a necessidade de consolidar a técnica e manter a dedicação diária: “O melhor conselho é trabalhar, treinar muito bem todos os dias, acumular sacrifícios para ultrapassar obstáculos. É isso que vai fazer a diferença no longo prazo”. O pai complementa: “Sonhamos, sim, com grandes torneios, talvez um Grand Slam, mas o mais importante é que ela continue a ser feliz, a evoluir e a manter a humildade que sempre a caracterizou”.

Entre a paixão pelo ténis, a força das memórias e o olhar ambicioso para o futuro, Matilde Novais segue um percurso equilibrado, sustentado por uma rede de apoio que funciona como uma verdadeira balança na sua vida, garantindo que cada vitória seja fruto de trabalho, de dedicação e de amor pelo desporto.

Depois de um ano que a coloca entre os nomes mais promissores do ténis português, tudo parece apontar para cima. Não há euforia na forma como fala sobre o futuro — há, isso sim, uma lucidez rara: a noção de que o caminho é longo, que o talento ajuda mas não chega, que o ténis é tão mental como físico, e que continuar a crescer passa sempre por aprender, mesmo quando já se ganha.

As irmãs Jorge mostraram que é possível partir destes títulos juvenis para o topo do ranking nacional. Matilde sabe disso. Sabe também que a comparação virá sempre, quer ela queira quer não. Mas talvez esteja aí a grande diferença: ela não procura o reflexo em ninguém, procura apenas a melhor versão de si própria.

E quando termina o treino, quando pousa a raquete e respira fundo, vem o tal silêncio. O mesmo que, paradoxalmente, a trouxe até ao desporto. O mesmo que, aos 15 anos, parece dizer-lhe que está exatamente onde deveria estar.

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