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Volta ao Algarve arranca com nova organização e uma subida mais dura à Fóia. O que a torna tão atrativa?

17 fev, 2026 - 12:45 • Eduardo Soares da Silva

A prova portuguesa volta a atrair um pelotão de luxo ao nosso país. Conheça o trajeto deste ano, desenhado pelo novo organizador, o galego Ezequiel Mosquera.

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A Volta ao Algarve em bicicleta arranca esta quarta-feira. Tem uma nova organização e um pelotão de grande qualidade, com a UAE Emirates de João Almeida a encabeçá-lo.

A prova arranca com uma etapa maioritariamente plana junto à fronteira com Espanha, em Vila Real de Santo António e termina em Tavira, e são esperados que os "sprinters" se destaquem e um deles assuma a primeira camisola amarela da prova.

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A dureza da montanha chega na quinta-feira, com a tirada entre Portimão e o Alto da Fóia, em Monchique. A organização optou por uma "subida inédita", que apresenta como "mais seletiva e exigente e com características provas de um prémio de montanha de primeira categoria."

Uma das novidades é a introdução dos pontos quentes a meio das etapas, "sprints" bonificados que prometem adicionar um elemento mais tático às etapas. Poderão as fugas conquistá-los, ou as equipas com objetivos de classificação geral terão interesse?

O tradicional contrarrelógio individual chega na terceira etapa. Na época passada, a organização optou por uma cronoescalada na última etapa, que acabaria por ditar o triunfo do dinamarquês Jonas Vingegaard. Este ano, teremos um traçado urbano de 19,5 quilómetros entre Vilamoura e Quarteira.

A quarta etapa volta a estar reservada aos mais rápidos e termina num circuito em Lagos. Será a última oportunidade para os "sprinters" conquistarem uma etapa.

A prova encerra no domingo com nova etapa dura. A Volta ao Algarve termina no Alto do Malhão, em Loulé, com uma dupla passagem pela contagem de montanha.

O que a torna tão apelativa?

A Volta ao Algarve é a prova nacional que atrai mais talento estrangeiro ao nosso país. Tadej Pogacar (UAE-Emirates) venceu pela primeira vez em Portugal, Vingegaard (Visma-Lease a Bike) conquistou a edição do ano passado.

Gonçalo Moreira comenta ciclismo no "Eurosport" e foi o primeiro convidado do podcast da Renascença "Estendal da Volta". Acredita que a prova "está muito consolidada."

Numa fase inicial da temporada, com bom tempo e boa categorização, a Volta ao Algarve reúne condições especiais para um atrair os maiores talentos.

Nesta semana, as melhores equipas dividem-se pelo Tour dos Emirados Árabes Unidos, de categoria superior, mas com custos elevados de logística, e a Volta à Andaluzia, sem contrarrelógio e mais dura para "sprinters". A Volta ao Algarve oferece testes diferentes para todo o tipo de ciclistas e a proximidade de uma deslocação dentro da Europa.

"Os ciclistas gostam de ter estas referências, porque já subiram muitas vezes a Fóia e o Malhão, o contrarrelógio é um bom teste para as pernas e ao material, porque há muito material ainda em teste nesta fase", explica.

Gonçalo explica ainda que "há mais interesse das equipas do que lugares no pelotão", ocupado pelas equipas continentais portuguesas.

A edição de 2026 marca a estreia de uma nova organização, liderada pelo galego Ezequiel Mosquera, com experiência a montar O Gran Camino. A Algarvia é a primeira de três provas organizadas por Mosquera em território nacional. Depois, tentará revitalizar a Volta ao Alentejo e a Volta a Portugal.

Almeida encabeça, mas não faltam estrelas

O trepador português João Almeida (UAE Emirates) vem da melhor época da carreira, depois do segundo lugar na Volta a Espanha e a conquista de três provas de uma semana do World Tour. Mas é apenas um dos favoritos.

O colega de equipa Brandon McNulty poderá também uma palavra a dizer na prova. O Algarve será o palco do primeiro duelo entre Almeida e Juan Ayuso, ex-UAE e atualmente na Lidl-Trek.

Florian Lipowitz (Red Bull-bora-hansgrohe) foi a surpresa do Tour de France do ano passado com o terceiro lugar e a conquista da camisola branca. Arranca também a temporada no Algarve.

A Decathlon-CMA CGM aterra em Portugal com uma das maiores promessas do ciclismo mundial, o francês Paul Seixas, de apenas 19 anos, que chega com estatuto de líder na equipa.

Já a INEOS Grenadiers convocou um pelotão que poderá ser a base do Tour, no verão. A Thymen Arensman juntam-se os reforços Oscar Onley e Kévin Vauquelin, para além do contrarrelogista Filippo Ganna.

As duas etapas planas atraem também os mais explosivos no "sprint". Jasper Philipsen (Alpecin-Premier Tech) é o maior nome.

O belga foi o primeiro camisola amarela do Tour do ano passado e há várias épocas que se cimentou como um dos melhores do mundo. Vem acompanhado de Kaden Groves, o seu habitual lançador e também um "sprinter" de destaque.

Arnaud de Lie (Lotto-Intermarché) e Paul Magnier (Soudal Quick-Step) prometem ser os principais rivais de Philipsen, com o português Iúri Leitão à espreita de um bom resultado.

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