Newsletter Mundial 2026
🚀 A volta ao Mundial em 90 segundos #2: O herói, o artista e as lágrimas que dão razão a Javier Marías
12 jun, 2026 - 11:15 • Hugo Tavares da Silva
Esta segunda newsletter do Mundial é uma breve ode a Hwang In-Beom e a Raúl Jiménez, os principais protagonistas do primeiro dia do torneio.
É trágica a necessidade de dormir, ou não é? Enquanto dormíamos quase todos, Hwang In-Beom confirmou que é o centrocampista estrela da Coreia do Sul, um estatuto que ganhou com Paulo Bento. Tem o passaporte cheio de carimbos de lugares vários – Canadá, Rússia, Grécia, Sérvia e agora Países Baixos –, talvez por isso não tenha sido estranho vê-lo isolado, armado em Messi a sentar defesa e guarda-redes para empatar o jogo contra a Chéquia, e depois na linha, para oferecer o 2-1 a Oh Hyun-gyu.
Viram-se olhos sul-coreanos a brilhar nas bancadas. Nos olhos checos idem, era água em estado orgulhoso. Com México já havia sido assim (aquela gente começou a berrar “olé” a cada passe no início, poesia), no jogo inaugural do torneio, no belo belíssimo maravilhoso Azteca, onde Pelé foi Pelé mais uma vez e Maradona respirou fundo pelo passo em frente de homens como Brown, Valdano e Burruchaga. As lágrimas andam de mão dada com o amor ao futebol. Tem sempre a ver com uma coisa, acreditem: o regresso semanal à infância, como dizia Javier Marías.
Foi isso mesmo que nos contou Steven Vitória, um defesa-central que levou para os relvados do Qatar o menino que foi lá atrás na infância, a melhor pátria do mundo, ainda que do ponto de vista do protagonista. “Senti que estava a sonhar com os olhos abertos”, confessou o antigo central e agora adjunto da seleção da Indonésia. “Aquilo foi tudo incrível, não há palavras. Foi um sonho. Há 36 anos que não íamos ao Mundial. Inspirou o país e os miúdos, mudou e transformou o Canadá.” Amém. “Foi um sonho de miúdo, talvez tão grande que nem dava para sonhar. Foi fantástico.” Amém II.
🕹️ O futebol foi isto
- México 2-0 África do Sul. Foi um pouco caótico o primeiro jogo do Mundial, no Azteca. Duas expulsões para os sul-africanos e outra para os mexicanos já depois de se perceber que os anfitriões eram muito melhores. Julián Quiñones e Raúl Jiménez marcaram para a seleção da casa. O antigo avançado do Benfica fez o 46º golo na 125ª internacionalização.
- Coreia do Sul 2-1 Chéquia. Golos só na segunda parte. Os checos avançaram no marcador com um gesto mui de antigamente e mui de hoje em dia: o lançamento lateral. Os braços de Vladimir Coufal meteram a bola na cabeça de Ladislav Krejci para o 1-0. Depois, surgiu dom Hwang In-beom, com um golaço e uma assistência para Oh Hyun-gyu.
🎨 Si yo fuera Maradona
Já se escreveu sobejamente sobre o gesto técnico de Hwang In-beom, por isso olhemos para os artistas da vida, como Raúl Jiménez. Em 2020, um choque com David Luiz quase o matou, depois de uma grave fratura no crânio. Se sobreviver foi uma vitória, voltar a jogar parece um céu distante mais distante que as galáxias desconhecidas. Como é um vencedor, um grandíssimo atleta e aparentemente um bom homem, meteu o golo da vitória do seu querido México, no Azteca imagine-se, e celebrou exatamente como devem celebrar os 9. Depois, apontou para o céu (perdeu o pai em março). E chorou.
🎙️ Fala que tu falas bem
“O Raúl Jiménez fazer parte da equipa é o nosso orgulho e é maravilhoso ele continuar a somar golos à carreira dele como jogador da seleção”, celebrou Quiñones, o homem que fez o 1-0 no Azteca no arranque do torneio.
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🔦 Uma sugestão
O “Globo Esporte” escolhe 10 jovens futebolistas para seguirmos no Campeonato do Mundo. Endrick, sem surpresa, é a cabeça da lista.
🎲 O que vem aí
- Canadá-Bósnia e Herzegovina, 20h00 (SportTV, SIC, LiveModeTV
- Estados Unidos-Paraguai, 02h00 (SportTV)
- Bola Branca 18h14
- 10 jul, 2026







