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🚀 A volta ao Mundial em 90 segundos #3: não deixem o samba morrer, lembrem-se de Didi

13 jun, 2026 - 08:50 • Hugo Tavares da Silva

O Brasil entra em campo esta noite contra a seleção-sensação de 2022. Sem Neymar e talvez com Endrick na segunda parte, os brasileiros jogam para evitar prolongar ainda mais o jejum histórico de anos sem título. O hexa parece miragem... e se não for?

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Antigamente, ser futebolista brasileiro e não ser sambista era difícil. Nem é necessário convocar Nelson Rodrigues para explicar o que foi resolvido em 1958, quando o Brasil até começou a perder a final do Mundial contra a Suécia e Didi, naquele jeito elegante e calmo, foi buscar a bola ao fundo da baliza e caminhou com ela na palma da mão, até ao meio-campo, como se fosse um gigante. A mensagem era clara: calma, somos muito melhores. E foram: 5-2.

A modernidade trouxe coisas várias, como influencers no estádio a simular ou a imortalizar uma celebração de um golo para os seguidores que os seguem por alguma razão. A modernidade trouxe também os TikToks e as danças que não fazem mal a ninguém, embora tornem menos ameaçadores e demasiado humanos os supostos semideuses.

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O que a modernidade trouxe mesmo e sem consciência, para além do fascínio por lideranças autoritárias (e isso talvez explique os treinadores que sabem tudo e tudo controlam, mirrando a alma do futebolista), foi um Brasil menos Brasil e isso é quase imperdoável, houvesse um senhorio disto tudo que pudesse ouvir o ai ai ai e ia ver. Talvez tenha havido confusão e copy paste do que fizeram os europeus nas suas academias, mais metódicos e robóticos, para combater o que os sul-americanos tinham e faziam apenas por saírem do útero de brasileiras, argentinas, uruguaias, etc. Talvez a sociedade também tenha mudado por lá e haja menos rua.

Agora, o Brasil não nos faz sorrir mais. Mas talvez faça a partir deste sábado, quando entrar em campo contra Marrocos (23h00). Talvez se lembrem de que não são mais “vira-latas”, talvez alguém lhes fale daquela caminhada de Didi, ou da canção popularizada por Alcione ou de um jejum maldito. Talvez não. Mas há uma esperança: quando estiver tudo amarrado e cinzento e farto de publicidade na pausa para um copo de água, Carlo Ancelotti vai chamar Endrick, o menino com aura de lenda. E aí talvez sejamos felizes como antigamente.

🕹️ O futebol foi isto

  • Canadá 1-1 Bósnia e Herzegovina: Com Stephen Eustáquio como capitão do Canadá e sem Alphonso Davies, a bola esteve muito mais tempo do lado dos senhores da casa. Mas até foi Jovo Lukic a marcar primeiro para a Bósnia e Herzegovina, que contou com o benfiquista Dedic na lateral-direita. Depois de seis derrotas em seis jogos nos Mundiais de 1986 e 2022, os canadianos conseguiram finalmente o primeiro ponto na sua história.
  • Estados Unidos 4-1 Paraguai: O filme começou a desenrolar-se com um golo na própria baliza de Damián Bobadilla. Ainda na primeira parte, os Estados Unidos chegaram ao 2-0 e 3-0, cortesia dos dois golos de Folarin Balogun, futebolista do Mónaco. Na segunda parte, o enguia Enciso reduziu, aos 73’, e já depois da hora Giovanni Reyna confirmou a goleada, em LA. Foi o primeiro jogo do Grupo D.

🎨 Si yo fuera Maradona

... jogaria como Folarin Balogun, futebolista do Mónaco. O 3-0 do avançado no EUA-Paraguai foi uma maravilha. Malik Tilman descobriu uma linha de passe perfeita e o timing de Balogun foi belo como as coisas mais belas. A corrida era prometedora mas Omar Alderete, o defesa paraguaio, recuperou terreno. O carrinho foi insuficiente, Balogun aguentou-se de pé apesar de abanar. Depois, o 20 norte-americano tirou da frente Gustavo Gómez, futebolista do Palmeiras de Abel Ferreira. E bateu na bola com a canhota, parecia uma rajada de vento dourada, lindíssima e quase inverosímil. Bola no ângulo da baliza de Orlando Gil.

🎙️ Fala que tu falas bem

“O medo é um componente importante da vida… porque se não tens medo e te aparece um leão podes pensar que é um gato”, assim respondeu Carlo Ancelotti, o selecionador brasileiro, na véspera do Brasil-Marrocos, quando questionado sobre se sentia medo.

💾 As nossas histórias

🔦 Uma sugestão

Por que razão estão os jogadores a usar botas cor de rosa no Mundial? A BBC respondeu.

🎲 O que vem aí

  • Qatar-Suíça, 20h00 (SportTV)
  • Brasil-Marrocos, 23h00 (SportTV, LiveModeTV)
  • Haiti-Escócia, 02h00 (SportTV)

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