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Mundial 2026

​📝 As notas do Sousa, dia 6: este ainda é o mundo de Messi (e o que tem de especial a França)

17 jun, 2026 - 16:05 • Francisco Sousa*

Análise a mais uma noite mágica do craque argentino em Mundiais e um olhar para as estreias vitoriosas de três seleções europeias

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Em 2018, depois da eliminação frente à França nos oitavos de final do Mundial russo, vaticinavam alguns comentadores que aquela seria a última grande prova intercontinental disputada por Lionel Messi.

Oito anos volvidos, não só o rapaz continua a jogar, como já levantou uma vez a taça e ameaça poder arrebatar o troféu pela segunda ocasião.

O jogo frente à Argélia prometia dificuldades para a Argentina, mas a abordagem foi a mesma de sempre, desde que Scaloni assumiu a batuta: juntar jogadores por dentro, aproximando os craques em espaços curtos, com bola, criando alguma diversidade com passes longos ocasionais de Dibu Martínez, movimentos por fora de Rodrigo de Paul ou com o teste à meia-distância de elementos como Mac Allister ou Thiago Almada.

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Mas o homem que acertou na baliza foi o ‘pai de todos’, o que todos seguem fielmente como exemplo e que, depois de anos de frustração com a camisola ‘albiceleste’, parece viver super-hiper-mega feliz de cada vez que veste o equipamento da selección.

A primeira finalização chegou bem cedo, depois de uma troca entre Enzo e Lautaro, com o golo anulado por fora de jogo ligeiro. Messi não desesperou, já não é tempo disso, continua a jogar ‘a lo suyo’, como dizem os argentinos, e recebeu uma luxuosa bola do compincha De Paul (metido entre os centrais), atacou as entrelinhas, enquadrou-se com a baliza e fez o que melhor sabe (apesar da ajuda de Zidane Jr.).

Vimos Leo arrancar por dentro, combinar curtinho, participar no circuito de passes na meia-esquerda, mas não lhe peçamos para sair em perseguições aos adversários (já sabemos que aquela 1ª linha de pressão argentina nunca trará muita efetividade e Scaloni prepara a equipa tendo isso na mente).

A segunda parte deixou ainda mais dois momentos para a história particular de um dos melhores de sempre, o primeiro com nova ajuda de Luca Zidane (ai pai, o que aconteceu ao rapaz?), o outro, o do hat-trick, com aquele trejeito clássico do canhoto genial a acomodar para a bola ir parar ao cantinho da baliza. Os craques que valem milhões já são outros, mais jovenzinhos, mas o mundo continua a ser dele, Lionel Messi.

A Argélia mostrou detalhes interessantes na organização ofensiva, numa equipa que junta talento puro em zona de criação (Maza emergiu), mas faltou ameaça perante adversário que até deixou espaço entre a linha defensiva e a zona intermediária.

De resto, o sexto dia de Mundial ficou marcado pela entrada vitoriosa no torneio de três equipas europeias, contrariando alguma tendência pessimista proveniente sobretudo dos empates de Espanha, Países Baixos ou Suíça.

A vice-campeã mundial França refugiou-se no talento individual de Olise e Mbappé para superar uma seleção senegalesa que, até ao intervalo, conseguiu contrariar a turma de Didier Deschamps. Mbappé não teve os espaços necessários para definir, Dembélé ficou amarrado por dentro, Olise foi até tentando baixar para estar mais em contacto com a bola, mas não dispôs de situações de vantagem para desequilibrar. E este último foi chave da melhoria francesa após um 1º tempo em que o Senegal até ameaçou mais.

Começou a aparecer mais por dentro, em 10 minutos quase marcou e ofereceu chance de ouro a Mbappé, enquanto Dembélé abria mais a posição. Curiosamente, foi em movimento de Olise novamente mais à direita, combinando com Koundé, e metendo bola divinal para Mbappé que nasceu o 1-0. A França teve outro controlo das operações, mais espaço para explorar e até Rabiot cresceu na dimensão do passe – grande serviço para o 2-0.

Mbappé fechou com golo extraordinário uma partida em que o Senegal, num bom lance pela direita, ainda deu um ar da sua graça. Um jogo que confirma o essencial sobre esta equipa gaulesa: com estes jogadores no setor ofensivo, pode aspirar a tudo.

Quanto às restantes vitórias de equipas do velho continente, convenceu mais a Noruega que a Áustria, ainda que não tenham rubricado exibições soberbas. Os nórdicos não possuem um futebol perfumado, mas tiveram a espaços boas ações de ataque posicional (primeiro golo é exemplo), souberam forçar erros a partir da pressão, como no 2º tento e ainda mostraram bom aproveitamento da bola parada ofensiva (ajuda ter Ryerson ou Ødegaard na marcação). Os médios mostraram solidez em praticamente todos os momentos e no ataque, Haaland mostrou a fome com que ataca esta prova e Nusa espalhou alguma magia a partir da esquerda.

Nota de louvor para Iraque e Jordânia, equipas do Médio Oriente que provaram o propósito mais positivista do aumento de 32 para 48 seleções. Os iraquianos foram, sobretudo no primeiro tempo, capazes de discutir o jogo.

Partindo de um 4-4-2 clássico, tiveram algum critério para ligar a partir do médio Amir Al-Ammari (28 anos, joga no Cracovia polaco), mostraram capacidade de desequilíbrio e associação por fora, em especial à esquerda com o lateral Merchas Doski (do Viktoria Plzen) e o jovem Ali Jasim, extremo habilidoso que pertence ao Como e que esteve no futebol saudita. O mais experiente Aymen Hussein (30 anos, do Al Karma iraquiano) marcou de cabeça e mostrou capacidade para ligar passes.

Já a Jordânia criou várias chances frente à Áustria, num registo rápido e vertical nas saídas para o ataque. Curiosamente o craque maior da companhia, Mousa Al-Tammari, do Rennes, nem foi o mais destacado, cabendo esse papel ao avançado móvel Ali Olwan (26 anos, milita no Al-Sailiya do Catar), que partia da esquerda e andava por todo o lado, ameaçando em rutura, combinando e atacando espaços (como no espetacular lance do 1-1).

Odeh Fakhoury, de 20 anos, e já a despontar nos egípcios do Pyramids, deixou boas sensações com movimentos variados de segundo avançado e por vezes mais aberto no flanco. Podemos não concordar com o aumento do número de equipas no torneio, mas a verdade é que assim temos mais nomes para descobrir.

*comentador de futebol na Renascença

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