Mundial 2026
📝 As notas do Sousa, dia 25: o "hexa" ali tão longe e a Inglaterra que já não é boba da corte
06 jul, 2026 - 17:39 • Francisco Sousa*
Análise aos dois jogos dos oitavos de final da última noite.
Haaland, Nyland e uns miúdos talentosos colocaram fim ao sonho do "hexa"
O apuramento norueguês para os quartos de final mostra duas coisas: o crescimento competitivo desta seleção, já preparada para digladiar-se com as melhores seleções nos maiores palcos; e a qualidade do plantel nórdico.
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Haaland é a figura de proa (apontou dois golos, tão diferentes entre si, e tão brutais, na superioridade sobre o adversário e poder de execução), devidamente acompanhado de um Ødegaard a pisar zonas mais avançadas do que no Arsenal, com médios que sustentam a equipa em termos posicionais e de construção, líderes defensivos serenos e imponentes (ontem ergueram-se Nyland e Ajer) e uma dose de talento cheio de técnica e irreverência a partir dos flancos – Schjelderup serviu dois passes para golo e Bobb/Nusa têm tido papel influente a agitar os jogos, pela criatividade.
Assim, mas não só, foi derrubado o sonho do "hexa" brasileiro. A Canarinha de Ancelotti mostrou em jogos anteriores que nesta nova vida preferia ceder algum protagonismo, a espaços, aos oponentes, para os "agredir" na pressão e tentar ativar Vinícius Júnior lá na frente.
O plano foi o mesmo para o jogo com a Noruega, sendo que até conquistou penálti relativamente cedo. Bruno Guimarães, um dos melhores médios da prova, falhou e a equipa sempre deixou impressão de querer apenas forçar erros e rentabilizar espaços para criar perigo. Oportunidades não faltaram, mas a imagem de uma equipa a abdicar da posse durante grande do segundo tempo não abona a favor do Brasil.
E lançar Neymar, nitidamente em fase descendente da carreira, para ser referência na zona central de uma estranha configuração com Endrick mais para a direita e Vini à esquerda, deixou a equipa num território de estranheza – perdeu-se a eficácia para pressionar, a Noruega ganhou espaços para sair, os ajustes defensivos atrás não foram os adequados e Schjelderup/Haaland aproveitaram.
A nova Inglaterra aguenta dilúvios, altitude e adversários destemidos
Desde 2016, ano em que caiu frente à Islândia nos oitavos de final do Europeu, que a Inglaterra não sofre uma humilhação em provas de seleções, facto bastante meritório atendendo aos vários anos de sofrimento da equipa dos Três Leões. Este foi mais um episódio de uma saga de jogos épicos na última década, com uma vitória histórica no Azteca frente à seleção mexicana – foi a primeira seleção a bater a Tricolor naquele estádio numa fase final de Mundial.
Os comandados de Thomas Tuchel aguentaram o dilúvio pré-jogo, a questão da altitude da Cidade do México e souberam resistir a um México que se entregou com tudo ao jogo, mas que não soube aproveitar o impacto da pressão e da criação de superioridades sobre os corredores como no jogo frente ao Equador.
Destaque ao papel dos médios ingleses nos lances de golo: no 1-0, Rice conduziu uma bola saída das mãos de Pickford, numa rápida saída de trás após lance ofensivo mexicano, abriu em Saka e este serviu Bellingham na área (com um trabalho excecional de Kane, sem bola, a arrastar adversário, o que libertou espaço para Jude atacar); e no segundo, poucos segundos depois, houve recuperação de bola alta de Anderson, com Bellingham a combinar com Kane e a surgir novamente na área para a finalização.
As exibições de Gordon e Kane, envolvidos nos 2º e 3º golos, também merecem pontuação alta, bem como a consistência de Pickford atrás – ele que também iniciou duas jogadas que terminaram em golo.
Fica de fora o México, menos mordaz na pressão e eficaz a definir jogadas de ataque perante adversário compacto – ajustado a um 5-3-1, depois da expulsão de Quansah e de algumas substituições defensivas. No entanto, o torneio da turma de Javier Aguirre deixou ótimos momentos, sobretudo a nível ofensivo, e a sensação de que há produtos da atual geração mexicana que dão garantias de sucesso em próximos torneios.
*é comentador de futebol na Renascença
- Bola Branca 18h14
- 10 jul, 2026









