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Mundial 2026

📝 As notas do Sousa, dia 26: como o efeito Trump ergueu a melhor Bélgica do Mundial

07 jul, 2026 - 16:54 • Francisco Sousa*

Análise ao triunfo da seleção belga frente aos Estados Unidos nos oitavos de final.

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Uma Bélgica mais harmoniosa, EUA e os erros que ainda não tínhamos visto

Foi definitivamente a melhor amostra belga que tivemos até aqui neste Mundial. Uma equipa mais agressiva com e sem bola, com outra naturalidade nas posições/funções dos jogadores e mais harmoniosa em termos coletivos, mesmo não contando de início com figuras como Doku e De Bruyne – acabaram por cair mesmo do onze, já depois da substituição frente ao Senegal.

Ngoy e Raskin foram novidades positivas na equipa, com o primeiro a compensar em velocidade as desmarcações de Balogun do lado de Mechele e a mostrar muitos argumentos a limpar a zona recuada e o segundo a destacar-se no meio-campo, em termos de posicionamento, construção e também com capacidade para aparecer na área adversária – a assistir ou tentar finalizar, em lances de bola parada. Trossard assinou mais uma grande exibição, Lukebakio foi boa aposta a partir da direita e Tielemans voltou a ser essencial, tanto com bola como no trabalho defensivo.

Destaque coletivo para a forma como foram trabalhadas as jogadas dos dois primeiros golos, com variações da direita para a esquerda, com Lukebakio e Tielemans a encontrarem em ambos os lances Trossard completamente livre do lado oposto.

A seleção norte-americana foi presa fácil, com um jogo altamente impreciso na defesa da área, com erros individuais graves (do guardião Freese no 1-3 e de Freeman/Richards no 1-4) e sem a acutilância no jogo ofensivo de outras partidas. Além do mais, onde estava a equipa autoritária na pressão em zonas subidas das primeiras jornadas? Desilusão autêntica.

O feitiço que se virou contra o Presidente – em mais uma vergonha da FIFA

Não é preciso lermos o altamente recomendável livro de Jonathan Wilson "The Power and The Glory" ("O Poder e a Glória", traduzido para português) para sabermos que a FIFA está historicamente ligada ao poder político, sob as mais diversas formas e feitios.

Não nos podemos esquecer de tantas sombras entre decisões inquinadas na escolha de locais para fases finais, limpezas de imagem de países com regimes ditatoriais ou oligárquicos, entre outros cenários perversos, numa história com praticamente 100 anos.

O episódio da ingerência do presidente norte-americano Donald Trump na tomada de decisão da FIFA de retirada da suspensão do avançado dos EUA Folarin Balogun não há de ser o primeiro, nem o último exemplo de relação muito questionável entre o órgão que rege o futebol mundial e o poder político.

Estamos surpreendidos com isto, depois dos prémios de paz, da promoção descarada a uma figura perversa para o sistema democrático e de outros episódios que já vimos acontecer neste Mundial (como o tratamento discriminatório aplicado à comitiva iraniana)? Nada. Mas ainda é bom de ver que não dá para controlar totalmente o que acontece dentro das quatro linhas…

*é comentador de futebol da Renascença

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