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Mundial 2026

Brasil iguala recorde de jejum: 28 anos sem Mundial

07 jul, 2026 - 14:30 • Redação*

A última conquista da "canarinha", que foi eliminada nos oitavos de final do Campeonato do Mundo de 2026 pela Noruega, remonta a 2002. Desde então, soma seis eliminações no "mata-mata" frente a seleções europeias.

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O sonho do hexacampeonato vai continuar em espera. A derrota por 2-1 frente à Noruega, nos oitavos de final do Campeonato do Mundo de 2026, voltou a adiar o tão desejado "hexa" e garantiu que, quando a bola rolar no Mundial de 2030, organizado por Portugal, Espanha e Marrocos, terão passado 28 anos desde a última conquista da "canarinha", em 2002.

Poucos imaginariam que o Brasil pudesse atravessar um período tão longo sem voltar ao topo do futebol mundial. A seleção mais titulada da história soma agora seis eliminações consecutivas no "mata-mata" frente a seleções europeias, um ciclo que não só impediu a conquista de um novo título, como também afastou os brasileiros de qualquer final desde o triunfo sobre a Alemanha, em Yokohama.

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A sequência começou em 2006, nos quartos de final, quando um golo de Thierry Henry, após uma desconcentração defensiva de Roberto Carlos, ditou a vitória da França por 1-0. Quatro anos depois, na África do Sul, o Brasil caiu perante os Países Baixos (2-1), num encontro marcado pelo autogolo e pela expulsão de Felipe Melo.

Em 2014, perante os próprios adeptos, surgiu uma das páginas mais negativas da história do futebol brasileiro. Nas meias-finais, a Alemanha goleou por 7-1 no Mineirão, um resultado que continua a ser encarado como o maior trauma da história da seleção. A campanha terminou ainda com uma derrota por 3-0 frente aos Países Baixos, no jogo de atribuição do terceiro lugar.

O cenário repetiu-se nos dois Mundiais seguintes. Em 2018, nova eliminação nos quartos de final, desta vez frente à Bélgica de Roberto Martínez (2-1). Em 2022, a Croácia afastou os brasileiros no desempate por grandes penalidades, depois de um empate a um golo ao fim de 120 minutos, também nos quartos de final.

Saída mais precoce desde 1990

A edição de 2026 prometia quebrar esse ciclo. Uma geração que misturava caras novas e velhos conhecidos foi, no entanto, incapaz de superar mais um adversário europeu. E foi eliminada de uma forma particularmente dolorosa.

A Noruega, liderada por um inspirado Erling Haaland, impôs um plano de jogo que retirou protagonismo à seleção brasileira. De acordo com o portal "SofaScore", a "canarinha" terminou a partida com apenas 34% de posse de bola, o valor mais baixo alguma vez registado pelo Brasil num jogo de um Campeonato do Mundo. Um dado revelador da mudança de identidade da seleção comandada por Ancelotti.

As oportunidades para evitar a eliminação também existiram. Bruno Guimarães desperdiçou uma grande penalidade quando o resultado ainda estava em aberto e Endrick falhou, isolado, uma ocasião flagrante que poderia ter mudado a história do encontro. Neymar ainda reduziu de penálti nos descontos, mas o golo surgiu demasiado tarde para evitar o adeus ao Mundial.

Desde 1990 que o Brasil não era eliminado de forma tão precoce, quando perdeu frente à Argentina, nos "oitavos". É apenas a quarta vez que o "escrete" não está presente entre as oito melhores seleções do torneio.

O Brasil entra, assim, num território pouco habitual da sua história. O anterior maior jejum entre títulos mundiais tinha sido de 24 anos, entre os triunfos de 1970 e 1994. Esse recorde será agora ultrapassado, independentemente do que acontecer em 2030.

Para uma seleção habituada a medir o sucesso em títulos mundiais, o relógio continua a correr. O "hexa" fica novamente adiado e a espera, iniciada em 2002, prolonga-se por, pelo menos, mais quatro anos.

*Texto editado por Inês Braga Sampaio

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