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Villas-Boas visa Rui Costa e Varandas. "Frases graves e hipocrisia como nunca vi"

29 mai, 2025 - 14:15 • Inês Braga Sampaio

Presidente do FC Porto condena os homólogos de Benfica e Sporting, e considera que "chegou o momento" de Pedro Proença, novo líder da Federação, "dar um murro na mesa".

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André Villas-Boas considera que chegou a altura de Pedro Proença "dar um murro na mesa" e faz mira aos presidentes do Benfica e Sporting. Os áudios de Rui Costa são "graves" e Frederico Varandas demonstra "sobranceria e hipocrisia", segundo o líder do FC Porto.

"Chegou a altura de o presidente da Federação Portuguesa de Futebol [FPF] dar um murro na mesa", começa por afirmar Villas-Boas, uma frase que repete, esta quinta-feira, em declarações aos jornalistas.

O presidente do FC Porto reage primeiro aos áudios do homólogo do Benfica, captados pela CMTV, em que Rui Costa fala de um alegado controlo do Sporting sobre as arbitragens no futebol português.

"Estamos perante grandes suspeições levantadas relativamente ao que me parece casos de corrupção passiva e ativa. As frases do presidente de Benfica são graves e levantam várias suspeitas sobre o futebol português. Eu não tenho feito outra coisa que senão avisar tanto o presidente da Liga como o presidente da FPF que achava lamentável o facto de não terem condenado publicamente os atos de corrupção ativa provados em sede de Justiça, e que poderia levar à continuação de atos de suspeição à volta do futebol português. Todo este clima não revela nada de bom", lamenta.

"Sobranceria e hipocrisia como nunca vi"

Villas-Boas reprova "a continuação das declarações de ataque a árbitros e ao Conselho de Arbitragem" por parte do presidente do Sporting, Frederico Varandas, que considera "lamentável em toda a linha".

"Espera-se que o Conselho de Disciplina tenha uma mão severa relativamente ao posicionamento do presidente do Sporting, que continua a atacar árbitros, um em particular, que curiosamente errou em infelicidade a favor da sua equipa, e tem errado várias vezes a favor da sua equipa. O seu ataque pessoal continuou ontem [quarta-feira, na Cimeira dos Presidentes]", assinala.

O presidente do FC Porto lamenta ainda que o presidente interino da Federação Portuguesa de Árbitros de Futebol tenham tomado anteriormente "um posicionamento a favor das declarações" de Varandas, "ão se demarcando e não protegendo a sua classe também".

"Portanto, toda esta liberdade que o presidente do Sporting tem em coagir árbitros, em condená-los publicamente, tem de ser severamente punida", denuncia.

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Villas-Boas mostra-se igualmente "um pouco desapontado" com o que classifica de "forma inerte" do Conselho de Disciplina, e com a "forma impávida e serena" como a FPF assiste a "todo este carnaval".

Por isso mesmo, Villas-Boas considera "difícil" que os três grandes se consigam sentar à mesa, nesta fase: "Ao nível da acusação em que as coisas estão, é difícil, porque o presidente do Sporting opta por, de cada vez que vem a público, condenar as diferentes instituições com uma sobranceria e uma hipocrisia como eu nunca vi."

"Todos nós, apesar do seu sucesso recente, estamos só de passagem pelo futebol português e devemos honrar as instituições. Penso que as suas posturas de completo ataque às instituições, aos órgãos, a árbitros, a pessoas, não se coaduna com o sentido institucional e de responsabilidade de um presidente do Sporting", condena.

"Que Conselho de Disciplina seja severo"

O presidente portista entende que o futebol português não vai "a lado nenhum" com posicionamentos como os de Varandas e Rui Costa.

"Por isso é que aqui é absolutamente necessário que o Conselho de Disciplina seja severo e puna arduamente todas estas intervenções do presidente do Sporting, o levantar das suspeições por parte do presidente do Benfica relativamente aos órgãos e às diferentes entidades, e também que de uma vez por todas se condene publicamente todo e qualquer ato de corrupção passiva e ativa no desporto português, principalmente no futebol", remata.

Por isso, Villas-Boas reforça: "Está na altura de o presidente da FPF dar um murro na mesa relativamente às situações que se estão a passar, às declarações que estão a ser feitas por presidentes de duas grandes instituições, que não podem passar impunes e sem um castigo severo, na minha opinião."

O presidente do Porto espera que Pedro Proença tenha "mão severa" e dê uma "palavra pública, não escrita ou escondida".

"O futebol português está podre. As instituições não estão colaborantes. Os grandes não estão sentados à mesa. Há um choque evidente entre presidente da Liga e presidente da Federação, como ontem [quarta-feira] ficou bem provado. Portanto, todos estes discursos de unir o futebol de almoços e almocinhos e congressos que optam por apontar um sentido de união do futebol português, posso garantir-vos que não é o caso e isso é por demais evidente", sentencia.

Receitas da TV e jogos de "500 a 600 pessoas"

André Villas-Boas também aborda o tema da centralização dos direitos audiovisuais do campeonato, em que "cada um vai prevaricando com os seus interesses".

"A centralização poderá trazer valorização, principalmente aos clubes mais pequenos, mas os três grandes dominam 90% a 95% do mercado. Evidentemente, não querem perder dinheiro. Podem contribuir de outra forma para os outros clubes, seja com dinheiro conseguido através das receitas da UEFA, seja de outras maneiras de valorização do produto. Agora, parece-me evidente que o futebol português não pode sobreviver com jogos que têm 500 a 600 pessoas a assistir, e com jogos que se jogam em estádios a 100km da sede fundamental do seu clube de futebol", alerta.

O presidente do FC Porto também lamenta que, na Cimeira de Presidentes, se tenha ficado "num 'nim' relativamente a tudo".

"Vão passar-se mais de 90 dias até a Liga Portugal trazer estudos relativamente ao que pode valer o futebol português. Vamos ganhar mais de 90 dias no calendário para se decidir o que se vai decidir", diz.

Uma Taça da Liga para os mais pequenos

Por fim, André Villas-Boas confirma que defende "a redução e a remoção da Taça da Liga, porque deixou de ter interesse". Ainda assim, reconhece que "também é um bom teste para os clubes pequenos".

"O Paulo Lopes, presidente do Estrela da Amadora, posicionou-se relativamente a ter a Taça da Liga para os clubes pequenos. Será uma excelente oportunidade para ele, para vermos o que é que vale uma organização de uma Taça da Liga com os clubes pequenos, em termos de receitas audiovisuais. Portanto, também lanço esse desafio, para vermos qual é o valor do seu produto, que possibilidades é que tem e que receitas podemos atingir", propõe.

De qualquer modo, o presidente do FC Porto rejeita que os clubes portugueses devam pedir ajuda ao Governo para resolver problemas.

"Os clubes portugueses devem ter autoridade profissional, moral e ética de desenvolverem os seus próprios problemas. O problema é que estamos num total desacordo de ideias relativamente a vários temas. E nesta fase, entre os três grandes, vive-se este clima de crispação evidente, não só por determinado tipo de posicionamentos, por sobrançaria, por hipocrisia de alguns. E nesta fase é impossível de comunicar seja para o que for", admite.

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