FC Porto questiona desempenho do presidente do Conselho de Arbitragem e do diretor técnico
19 dez, 2025 - 16:41 • Inês Braga Sampaio
Clube portista lamenta "profundo agravamento da perda de confiança no setor" e considera que balanço deste quase primeiro ano de mandato da arbitragem é "dececionante".
O FC Porto exige ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, que faça "uma ponderação profunda" sobre o desempenho de Luciano Gonçalves como presidente do Conselho de Arbitragem e de Duarte Gomes como diretor técnico nacional de arbitragem.
Em comunicado, esta sexta-feira, o FC Porto realça "o profundo agravamento da perda de confiança no setor da arbitragem", depois de "mais uma semana marcada por polémica" e por decisões que classifica como "incompreensíveis", e que "comprometem a verdade desportiva". Para o clube, o balanço "deste quase primeiro ano de mandato dos órgãos federativos da arbitragem é dececionante".
"Exige-se ao Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, até pelo seu reconhecido passado como árbitro de primeira linha, uma ponderação profunda e a adoção de medidas urgentes sobre o funcionamento da arbitragem em Portugal, bem como sobre o desempenho de várias das suas escolhas para liderar este setor, nomeadamente o Senhor Presidente do Conselho de Arbitragem, Luciano Gonçalves, e o Diretor Técnico Nacional de Arbitragem, Duarte Gomes", escreve o Porto, que considera o setor da arbitragem "o principal responsável pela instabilidade vivida no futebol português".
Política de comunicação "desastrosa"
Os portistas criticam a política de comunicação do Conselho de Arbitragem, que consideram "desastrosa", assim como a "liderança bicéfala" de Gonçalves e Gomes na arbitragem, que "em nada tem contribuído para o funcionamento sereno do setor da arbitragem".
Para o clube liderado por André Villas-Boas, a arbitragem "tem sido fonte de perturbação do normal desenrolar" da temporada.
"A falta de consistência gritante nos critérios de avaliação de lances semelhantes, a insistência na validação de erros evidentes e um modelo de atribuição de notas cuja relação com critérios de mérito e cujo impacto nas nomeações subsequentes não se encontram devidamente esclarecidos são, na opinião do FC Porto, suscetíveis de semear dúvidas, discórdia e instabilidade técnica junto das equipas de arbitragem, com especial enfoque na vídeoarbitragem, cujos critérios de análise e tomada de decisão permanecem pouco claros e têm provocado prejuízo dentro dos campos, semana após semana. O resultado é um sistema errático, pouco transparente e profundamente desestabilizador para quem, semanalmente, tem a responsabilidade de tomar decisões dentro das quatro linhas", lê-se.
"Bodycams" são "cosmética televisiva"
O FC Porto conta que, recentemente, questionou Pedro Proença e Luciano Gonçalves sobre a razão de a Comissão Não Permanente de Arbitragem incluir "vários comentadores de arbitragem ligados a órgãos de comunicação social e apenas um representante dos clubes do futebol profissional". Também colocou "dúvidas relacionadas com a natureza do vínculo dessas pessoas" à FPF.
"Desde logo, coloca-se a questão de saber se o exercício contínuo de comentário sobre arbitragem em órgãos de comunicação social, aliado ao exercício de funções técnicas ou consultivas na esfera da arbitragem da FPF, se coaduna com princípios de credibilidade, objetividade e reserva que decorrem da regulamentação aplicável. No entendimento do FC Porto, a posição de influência que esses membros aparentam ter no seio das comissões, aliada ao eco público das suas opiniões e à sua associação direta à Federação Portuguesa de Futebol, expõe as equipas de arbitragem em futuras tomadas de decisão e na uniformização dos seus critérios, sendo suscetível de continuar a degradar a perceção pública de imparcialidade do sistema e a integridade das competições", pode ler-se.
Por fim, o Porto apelida a decisão de colocar "bodycams" nos árbitros de "cosmética televisiva" e sugere outras preocupações: "A uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios portugueses, a implementação da tecnologia de linha de golo e do fora de jogo semiautomático, bem como a disponibilização imediata dos áudios do VAR. O FC Porto está, há mais de um ano, a defender esta uniformização e este investimento e não encontrou, nem na Federação Portuguesa de Futebol nem na Liga Portugal, a dinâmica necessária para a rápida e urgente implementação destas tecnologias."
- Bola Branca 18h16
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