FC Porto
Farioli: "Onde está o Porto na classificação virtual? Em primeiro, como na real"
02 mar, 2026 - 17:20 • Inês Braga Sampaio
Treinador do FC Porto, que relembra que classificação virtual não dá troféus, espera um Sporting "mais agressivo" na primeira mão das "meias" da Taça que no Dragão, para o campeonato.
Francesco Farioli desvaloriza a "classificação virtual" sugerida pelo Benfica, tendo em conta alegados erros de arbitragem, embora faça notar que, na vida real e na imaginária, o FC Porto é líder do campeonato.
"Onde está o Porto na classificação virtual? Em primeiro, como na real. E a classificação virtual dá troféu? Não? Não. Então, é melhor focarmos as nossas energias na classificação real", atira o treinador portista, na conferência de imprensa de antevisão da visita ao Sporting, a contar para a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal.
Encontro marcado para terça-feira, às 20h45, no Estádio de Alvalade. Terá relato em direto e acompanhamento ao minuto na Renascença.
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Lesionados: "Todos estão bem. Exceto o Thiago Silva, que ainda está a recuperar. O Borja Sainz só chegou ontem [domingo] à noite. Hoje foi o primeiro treino dele com a equipa, por isso não vai viajar. Vai ter um plano individual por uns dias, até nós voltarmos, já para preparar o jogo seguinte.
Diferenças para os jogos do campeonato: "Sendo uma competição diferente, são coisas muito diferentes. Gostamos de pensar nas competições livro a livro, neste caso o nosso foco está a 100% na Taça. O estilo das duas equipas é bastante claro. Espero algumas diferenças. Depois do último jogo contra nós, o Sporting mudou bastante a abordagem. Pela primeira vez, nos últimos dois jogos começaram a pressionar homem a homem. Foi uma boa preparação para o jogo de amanhã, porque, claro, pela equipa que eles são, e em frente aos seus adeptos, não posso esperar que eles fiquem sentados em bloco médio à nossa espera. Acredito que vão ser muito mais agressivos que no Dragão. Mas falamos de uma equipa que, desde que Rui Borges entrou, em 52 jogos nas competições internas, só perderam uma vez: contra nós. Isso diz muito do trabalho incrível que estão a fazer.
Mercado de janeiro: "Nos últimos jogos, viu-se a importância da intervenção que fizemos na equipa em janeiro. Fomos muito criteriosos. Fomos buscar o Thiago [Silva], o Oskar [Pietuszewski], o Seko [Fofana] e o Terem [Moffi]. Grande mérito para o clube, e para o presidente, porque a forma como lidámos com a janela de transferências foi muito positiva, totalmente alinhados, com uma visão clara do presente e do futuro, sem colocar em causa a sustentabilidade do clube. Movemo-nos sempre dentro das nossas possibilidades. Fomos buscar jogadores com experiência, mas também um jovem como o Oskar, que está a ter um grande rendimento e a aumentar o valor da equipa. No outro dia, li que somos a equipa em Portugal que dá mais minutos a jogadores sub-21. Nesse sentido, a visão a curto e longo prazo do clube está bem encaminhada. Temos muitos jogos para disputar e o desejo de seguir em frente é o mais importante."
Martim Fernandes e Thiago Silva: "O Martim regressa à equipa amanhã. O Thiago ainda está a fazer trabalho individual, mas está 99% para o jogo com o Benfica."
Desde 2010/11, com André Villas-Boas, que o FC Porto não vence, na mesma semana, Sporting e Benfica. Vai pedir conselhos ao presidente? "Esta semana, falámos, mas não sobre isso. Estamos mais focados noutros tópicos. Mas ainda tenho umas horas para tentar pedir-lhe alguns conselhos, agora que sei disso."
Classificação virtual: "Onde está o
Porto na classificação virtual? Em primeiro, como na real. E a classificação virtual dá troféu? Não? Não. Então, é melhor focarmos as nossas energias na classificação real."
Borja Sainz: "O evento e os dias por que ele passou não foram bons. Foi muito complicado, ele está emocionalmente exausto. Mas voltou com um grande espírito e agora cabe-nos a todos no clube dar-lhe apoio e o amor que ele já merece todos os dias, mas em especial em alturas destas. Vai trabalhar duramente para se preparar, está muito motivado e focado em voltar para ajudar a equipa. Ele estava apto para viajar já hoje com a equipa, mas preferi dar-lhe um par de dias para descomprimir, relaxar, votar a casa e regressar à rotina, e para o preparar para os próximos jogos e para os desafios que aí vêm. Foram dias muitos duros, mas descobrimos um rapaz com uma atitude incrível e um enorme desejo de ajudar o clube."
Mês de março difícil: "Vai ser um período muito desafiante. Seis jogos em três competições diferentes. Vai ser desafiante a nível físico e mental. O melhor para todos, adeptos incluídos, é encarar jogo a jogo, tomar uma hora no máximo para digerir todas as emoções quando o jogo termina e virar rapidamente a página. Essa mentalidade será importante para abordar os próximos jogos, porque a estabilidade emocional é a parte mais importante. Não podemos deixar que qualquer resultado esvazie as nossas mentes ou nos coloque numa situação de excesso de confiança. Temos de ser muito clínicos. Assim que o jogo termina, passa a fazer parte do passado. Temos de estar muito conectados com o presente e o futuro próximo."
Há espaço para o Porto surpreender o Sporting? "Estamos numa fase em que o nível de conhecimento, a nível interno e com os nossos adversários, está a começar a ser bastante alto. Há sempre pequenas modificações, o jogo é sempre bastante tático e o que faz a diferença, normalmente, são as abordagens que as equipas decidem tomar. Amanhã, isso será uma das chaves do jogo. Esperamos que eles sejam muito agressivos, não imagino que eles esperem por nós a meio-campo como no Dragão. Isso não vai acontecer. Sabemos bem o jogo que vamos fazer amanhã. Eles também sabem o que esperar de nós. Somos muito previsíveis, na forma como vamos a todo o gás para pressionar. Assim será amanhã. Esperamos um jogo aberto, com duas equipas que vão encarar-se olhos nos olhos. Haverá diferentes momentos no jogo. Vai haver momentos em que teremos de ser humildes e defender no nosso meio-campo, mas temos muito bem claro o que que queremos. Sobre isso, não há dúvidas. Pode haver surpresas nas características dos jogadores, para nós e para eles. De acordo com o jogador que está em campo, há sempre dinâmicas diferentes. Mas espero um jogo entre duas equipas corajosas."
Gestão física: "Estamos fisicamente no nosso melhor momento, algo que já dura há algum tempo. Nos 37 jogos que disputámos, corremos sempre mais que os adversários. Com o Arouca, foi o jogo com maior volume. Com o Rio Ave, foi o jogo com maior intensidade do ponto de vista físico. Tenho zero medos do ponto de vista físico, vamos a Alvalade impor o nosso jogo, desafiá-los em cada bola e em todo o campo, se necessário fora do campo também. Estamos num momento muito bom. Os jogadores que entrarem de início ou a meio jogo estarão totalmente aptos e capazes de fazer uma grande exibição física. Isso basta para ganhar o jogo? Não, mas ajuda a estarmos mais próximos de fazer o jogo que queremos."
Substituições: "Gosto de me preparar. Sou muito analítico na forma como me preparo. Não quer dizer que vá ser sempre assim, mas se queres chegar a um ponto em que podes ter estas performances físicas, não basta a parte física. Também precisas da parte mental, das energias. Acredito muito no plantel, já o disse : tenho muita sorte de gerir um grupo de 24, 25 jogadores que estão a muito bom nível. O tipo de esforço que pedimos aos jogadores, logo à partida, é gigante, para poderes manter determinado ritmo e determinada intensidade. Neste momento, estamos onde estamos, com a condição física e a energia com que estamos, porque os jogadores estão comprometidos com o plano no curto e longo prazo. Eles sabem como penso e que todos terão um papel importante até ao final da época. Também estou grato por ter pelo menos dois jogadores por posição. Gosto que eles pensem que, entre os dois, conseguirão encontrar maneira de superar as expectativas. Gosto de usar o exemplo do Gabri [Veiga] e do Rodrigo [Mora], mas para o Alan [Varela] e o Pablo [Rosario], por exemplo, é igual. É algo único para mim. O Oskar é de 2008, está a adaptar-se a uma exigência diferente. É importante manter toda a gente a bom nível. Se os tiro aos 60 minutos, não é porque não tenham a energia de terminar o jogo. E já viram o impacto do William quando entra em campo, é enorme. Gosto de planificar as coisas ao pormenor e a longo prazo, mas claro que, por vezes, durante o jogo, temos de nos adaptar. Mas gosto de ir para o jogo com um mapa de três, quatro, cinco cenários, e depois claro que acontece sempre o sexto. Mas sim, gosto de estar preparado.
Penálti frente ao Arouca: "Não há dúvidas sobre o facto de ser penálti. A imagem boa é clara, o Fofana está a rematar e há um toque claro. O árbitro viu e ouviu o som dos dois pés. Não há discussão. Depois, é normal: estamos numa semana para preparar em antecipação possíveis cenários. Nós no Porto somos muito bons numa coisa: conseguimos juntar as pessoas do outro lado, neste caso uma mistura de verde e vermelho. Não há polémica, esta parte do jogo é bem conhecida. Estamos dentro disto, aceitamos, ouvimos. Se falássemos de tudo o que já se passou esta temporada, daríamos uma conferência inteira. Vamos ficar de fora desta. Quanto ao penálti, não vi logo a seguir ao jogo, mas depois, em casa, tive oportunidade de ver aquela segunda imagem e, neste caso, não há nada a discutir."
Pragmatismo: "Como definem pragmatismo? Para mim, pragmático é especulativo. Na minha tradução. E especulativo, para mim, é entrar em campo com um plano muito claro: 'ficamos aqui, esperamos e vemos o que acontece'. Nisso, se virem todos os nossos jogos, seja em casa ou fora, no campeonato e na Liga Europa, na Taça da Liga e na Taça de Portugal, vêem uma equipa que decide sempre desafiar os seus adversários, sejam eles quais forem. E isto não aconteceu com equipas que teoricamente são mais ofensivas. Temos exemplos de grandes equipas que vieram ao Dragão e que, na minha opinião, foram muito pragmáticas e especulativas. Porque, intencionalmente, decidiram não vir pressionar, decidiram defender removendo o espaço atrás. Para mim, isso é pragmatismo. Depois, se considerarem que somos a melhor defesa em Portugal e na Europa, para mim quer apenas dizer que defendemos bem. No nosso estilo, isso é pressionar muito alto. E amanhã, vamos a Alvalade pressionar em todo o campo. Depois, quando jogas com uma equipa como o Sporting, que é muito boa e tem a capacidade de te forçar a defender uns metros mais abaixo, então tens de ser muito bom também e ter as ferramentas, atitude, ferramentas e mentalidade certas para pressionar e defender numa zona diferente do campo. Mas pela nossa vontade, os nossos jogos são sempre iguais: avançar e prego a fundo com toda a gente. Algumas outras equipas, que na vossa opinião são mais ofensivas porque marcam mais golos, em alguns jogos são muito mais especulativos e pragmáticos, na minha opinião, porque mudam muito a abordagem de acordo com quem defrontam. Portanto, são fortes contra equipas que sentem que são mais fracas, mas quando defrontam uma equipa de nível semelhante, vão para uma abordagem diferente, porque para eles é a melhor estratégia para o jogo. Nisso, nós somos muito previsíveis, porque somos sempre iguais e temos uma identidade muito clara, não interessa quem vai ser o nosso adversário. Claro que há jogos em que conseguimos recuperar a bola 28, 29 vezes no meio-campo contrário; e há outros em que encontramos equipas que são maiores e ora recuperamos um certo número de bolas no meio-campo contrário, ora somos forçados a recuar. Mas já que falávamos de classificação virtual, se pegarmos nas estatísticas defensivas, somos a melhor equipa na intensidade de pressão, na reação à pressão... É muito difícil colar essas estatísticas a uma equipa pragmática."
- Bola Branca 18h16
- 14 mai, 2026







