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Taça de Portugal

Farioli não precisa de gasolina para atear chama do FC Porto. "Queremos ir buscar o que merecemos"

21 abr, 2026 - 13:49 • Inês Braga Sampaio

Dragões entram na segunda mão, no Dragão, a perder por 1-0. Treinador pede aos jogadores que usem como ponto de partida um "sprint" de Pepê aos 96 minutos do primeiro jogo: "Acredito mesmo que pode ser a ação que recordaremos como o momento decisivo para chegarmos à final."

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Francesco Farioli não sente necessidade de acrescentar gasolina à rivalidade entre FC Porto e Sporting, para a chama da ambição portista ganhar força, na segunda mão das meias-finais da Taça de Portugal.

Em conferência de imprensa de antevisão da partida de quarta-feira, o treinador italiano garante que as palavras do presidente do Sporting, Frederico Varandas, que disse que o Porto não tinha equipa para ser campeão sem "ajudas", não foram usadas como motivação.

"Não acredito que precisemos de gasolina extra para nos motivarmos. Não estamos numa posição em que precisemos de barulho ou caos. Estamos muito confiantes em quem nós somos, sabemos das nossas qualidades e dos pontos em que temos de melhorar, e que estamos a trabalhar duramente para melhorar. Tudo o resto, toda a poluição que vem de certos comentários, não entra na nossa cabeça, nem deve entrar", diz.

Por isso, e sem se meter em questões de logística, garante que o rival terá uma boa receção no Dragão, pelo menos dentro de campo, na luta pela final: "Vamos tentar recebê-los bem em campo, com a organização certa e o espírito de que precisamos, a agressividade necessária com e sem bola, com a crença e o desejo de ir buscar o que merecemos."

FC Porto e Sporting defrontam-se na quarta-feira, às 20h45, no Estádio do Dragão. Jogo com relato e acompanhamento na Renascença.


Antevisão: "É a quarta vez que os defrontamos. Temos sempre de preparar coisas diferentes. É um grande jogo, contra um adversário muito forte. O facto de jogarmos em casa, com os nossos adeptos, de certeza que será um fator. Internamente, há a crença profunda de que podemos exibir-nos ao mais alto nível e que podemos virar o resultado."

Lesionados: "O Martim vai voltar. O Zaidu vai ficar de fora, ainda está em processo de recuperação."

Recorde de adeptos no Dragão batido: "Há uma forte química entre a equipa e os adeptos, uma ligação muito forte. Conseguimos sentir o calor dos adeptos, joguemos onde, com quem e em que competição jogarmos, e estamos muito gratos. Esta aceleração dos números, este recorde que foi batido, provavelmente foi porque começámos com uma equipa muito jovem, que tinha o estatuto de 'underdog' e que tinha o desejo de dar a volta e reconstruir algo, e este processo foi bastante rápido. Houve mais que um jogo em que não fomos perfeitos, mas foram muito poucas as vezes que os adeptos deixaram o estádio com a sensação de que não tínhamos dado o nosso melhor. A equipa fez um esforço enorme esta época para superar os obstáculos e as ausências e para jogar com o espírito do Dragão, que é o que queremos fazer amanhã."

Sporting encara como o principal jogo da temporada, depois de ter sido eliminado da Champions e de ter caído para trás no campeonato? "Não sei. A realidade do jogo de amanhã é isolada de todas as outras competições. Está isolado das nossas campanhas europeias e do campeonato. É um único jogo que pode levar qualquer uma das equipas à final. É um grande jogo, contra uma grande equipa que, desde o início da temporada, nos tem desafiado. Temo-nos desafiado mutuamente. Há uma motivação natural, é um grandíssimo jogo. Não acredito que estejam com o espírito em baixo. Se há um jogo que queres disputar, é o jogo diante do teu principal rival, a equipa com que te bateste toda a temporada. Isto é sobre eles, mas também se aplica a nós. Desde que jogámos lá, na primeira mão, sempre falámos do desejo de os receber no Dragão, fazer um grande jogo e tentar virar o resultado. Acredito que temos todas as hipóteses para o fazer, sabendo da qualidade individual e coletiva que o Sporting tem, que eles provaram no campeonato e na fantástica campanha que fizeram na Liga dos Campeões. É mais uma oportunidade de tentarmos provar quem somos e para irmos à final, que é o nosso objetivo desde que iniciámos a prova."

Esta meia-final é uma final? "Enfrentámos todos os jogos com esse sentimento. No campeonato, tens de fazer pontos todas as semanas, porque o ritmo dos nossos competidores é incrível. O que o dérbi de domingo provou é que estamos a competir com dois gigantes, duas equipas que são muito fortes e que darão o seu melhor até ao fim. Amanhã temos um grande jogo. Gosto de ir passo a passo. Quem vencer a outra meia-final será mais um adversário que teremos de defrontar, mais 90 minutos. Vamos passo a passo. O jogo de amanhã pode ser de 90 ou 120 minutos, ou até mais longo, porque pode ir a penáltis. Vamos ter de jogar muito bem, mental, física e taticamente. Muitos fatores entrarão em jogo e cada incidente pode determinar o desfecho. Vai exigir muita atenção, muito desejo para colocar amor nos pequenos detalhes, defensiva e ofensivamente, e um espírito muito forte, mais ainda que o normal, para termos a capacidade de correr cinco metros extra, cada jogador. Vamos ter de fazer uma exibição de topo. Acredito que estamos na forma certa para nos exibirmos a esse nível. E o Dragão fará o resto."

Rui Borges pediu boa receção ao Sporting no Dragão: "Não estou a cargo disso. Vamos tentar recebê-los bem em campo, com a organização certa e o espírito de que precisamos, a agressividade necessária com e sem bola, com a crença e o desejo de ir buscar o que merecemos."

Árbitro Miguel Nogueira: "Tivemo-lo no clássico e várias outras vezes como quarto árbitro. Espero uma grande performance, porque é uma grande parte do jogo e só as pessoas que merecem participar é que lá estarão. A sua nomeação prova que ele tem a qualidade para lá estar e para fazer um grande trabalho."

Penáltis falhados por Sporting e FC Porto: "Treinámos os penáltis, claro, como fizemos com o Nottingham Forest. É difícil replicar a pressão e o sentimento do jogo, apesar de termos os nossos truques para gerar maior pressão. O Alan [Varela] já marcou um penálti fundamental frente ao Vitória, nos últimos minutos do jogo. Por isso, se estiver em campo, não tenho dúvidas de que ele terá a responsabilidade e personalidade para pegar na bola, rematar e marcar."

FC Porto mais ofensivo desde o primeiro minuto? "É sempre uma questão de gosto. O importante é abordar o jogo evento a evento e fazer uma grande exibição. Começamos a perder por 1-0, mas não pode fazer-nos cair na armadilha de entrar que nem loucos desde o primeiro minuto. Temos de ter uma abordagem muito forte, mas temos sempre isso em todos os jogos e contra eles. Já expliquei sobre a diferença de abordagem que tivemos frente ao Sporting. Às vezes, parece que ter um bocadinho mais de posse de bola te torna mais ofensivo, mas eu já vos dei números sobre as bolas que recuperámos no meio-campo contrário, para mostrar que o quão agressivo queres ser é especialmente sem bola. Com bola, podes gerar coisas, mas essencialmente é sobre defrontar uma estrutura, que é mais conservadora e te força a fazer mais passes e a ser mais paciente, porque se atacares fora do momento vais expor-te ao contra-ataque, que é algo que gostaríamos de evitar. O jogo de amanhã tem de ser bem planeado e temos de considerar todos os possíveis cenários. Se marcarmos cedo, se o jogo ficar estável... Temos de estar prontos para várias coisas diferentes. Acreditamos que podemos fazer um grande jogo. Não jogamos sozinhos, temos pela frente uma equipa de topo e a combinação de muitos fatores é o que vai definir o desfecho."

Palavras de Frederico Varandas serviram de motivação? "Honestamente, não acredito que precisemos de gasolina extra para nos motivarmos. Não estamos numa posição em que precisemos de barulho ou caos. Estamos muito confiantes em quem nós somos, sabemos das nossas qualidades e dos pontos em que temos de melhorar, e que estamos a trabalhar duramente para melhorar. Tudo o resto, toda a poluição que vem de certos comentários, não entra na nossa cabeça, nem deve entrar. Quero ver uma equipa forte e muito agressiva em campo, para fazer uma grande exibição física, mental e tática, mas com zero desejo de vingança. Não temos de nos vingar de ninguém, a corrida é contra nós mesmos. Vamos fazer tudo o que estiver nas nossas mãos para jogar esta meia-final com o espírito que os nossos adeptos querem ver. Depois, veremos em que posição ficamos. Mas, novamente, completamente desconectados de tudo o que foi falado nos últimos meses."

Meia-final distinta dos quartos de final com o Nottingham Forest: "Se compararmos com a situação do Nottingham, em que fizemos os dois jogos em sete dias, e agora temos um grande intervalo, claro que é uma história um pouco diferente. Para nós, a imagem em que devemos começar e com que nos devemos reconectar emocionalmente é o sprint do Pepê aos 96 minutos da primeira mão, em que impediu um jogador do Sporting de marcar. Acredito que essa corrida pode ser o momento da qualificação e que nos põe numa posição de amanhã termos maior probabilidade de nos apurarmos. E é muito representativa de quem somos, de como esta equipa se comporta e do sacrifício que todos os jogadores põem sobre o campo todos os dias. E o Pepê, mais que qualquer pessoa, é a imagem deste grupo, porque é um jogador que foi duramente criticado pelo facto de não ter marcado no campeonato, e não ter marcado nesse jogo. Para mim é sempre visível, mas a contribuição por vezes invisível dele esteve sempre lá. Quando não conseguiu ajudar com um golo, ajudou-nos com outra coisa qualquer: uma assistência, um trabalho que criou melhores condições para um companheiro. O que ele fez em Alvalade, com essa corrida no último minuto do jogo, é a imagem de que temos de partir. Acredito mesmo que pode ser a ação que, no final do jogo de amanhã, recordaremos como o momento decisivo para chegarmos à final."

Prestação em jogos grandes: "Pode ser difícil de acreditar, mas a preparação é exatamente igual frente a uma equipa no topo do campeonato, nos quartos de final da Liga Europa, contra uma equipa do fundo da tabela ou, como acontece na Taça, diante de uma equipa das divisões inferiores. Nesse aspeto, sou bastante paranoico. Gosto de olhar para cada jogo com os mesmos óculos, com a mesma abordagem. Tentamos manter a nossa rotina ao máximo. O meu trabalho, e uma das minhas principais regras, é ter o mesmo respeito por todos os adversários e ao mesmo nível. Temos feito um bom trabalho nos jogos com os grandes, mas o passado é o passado e o jogo de amanhã é um capítulo diferente, num momento diferente da temporada. Queremos apurar-nos para a final e estamos prontos para jogar 90 minutos, 120 minutos ou ir até aos penáltis. Podem ter a certeza de que faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para o conseguir."

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