4ª Conferência Bola Branca
Villas-Boas traça mercado. Segurar Rodrigo Mora e Diogo Costa e comprar um "9"
28 mai, 2026 - 13:56 • Luís Aresta (entrevista) , Inês Braga Sampaio (texto)
Em entrevista na 4ª Conferência Bola Branca, o presidente do FC Porto fala de João Afonso, o único reforço de verão até agora, e diz que tem tido "muito poucas abordagens pelos jogadores mais consagrados na equipa".
O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, espera conseguir Diogo Costa e Rodrigo Mora, dois talentos que muito elogia, e assume que o clube está no mercado por um ponta de lança para a próxima época.
Em entrevista na 4ª Conferência Bola Branca, que decorre esta quinta-feira, no auditório da Renascença, em Lisboa, Villas-Boas salienta que tem tido "muito poucas abordagens pelos jogadores mais consagrados na equipa".
"É bom sinal, da proteção dos ativos e do talento. Queremos manter a base da equipa para o próximo ano e construir a partir dela. Temos algumas modificações a fazer, poucas, mas temos de ter noção de que os clubes portugueses vivem da movimentação do mercado. Temos obrigatoriamente de operar mercado, para fazer frente às nossas responsabilidades financeiras", assume.
Villas-Boas espera é que entre as vendas não estejam os nomes de Diogo Costa e Rodrigo Mora.
Quanto ao criativo, de 19 anos, o presidente do Porto reconhece que Rodrigo se encontrou "numa posição totalmente diferente", com a transição de Martín Anselmi para Francesco Farioli, no banco: "Na era Anselmi, era um avançado com liberdade total de movimentos, o que potenciou a criatividade do Rodrigo Mora. O facto de a equipa jogar com cinco defesas dava outra liberdade ao jogador para expressar todo o seu talento."
"No sistema de Farioli, joga a 8-10 e é uma função que obriga a outras intensidades, outra responsabilidade defensiva. O Rodrigo não consegue pôr em campo toda a sua criatividade, mas trabalha muito mais para a equipa e para a ambição do seu treinador. Em golos não foi como a meia época de explosão. O talento está lá, em absoluto. É um dos melhores talentos do mundo. (...) Neste momento, contamos com ele", vinca.
Villas-Boas refere que "há jogadores que sonham com outros voos, mas, neste momento, está nos planos manter" Rodrigo Mora.
"O Rodrigo no ano passado foi abordado pelo Al Ittihad, não chegámos a acordo. Mas o Rodrigo tem um talento que deve continuar no FC Porto, para bem dos nossos olhos e para continuarmos a ver grandes espetáculos", remata.
Diogo Costa e um possível sucessor
Sobre Diogo Costa, Villas-Boas é mais incisivo ainda, embora reconheça que o guarda-redes "é muito requisitado" e, além de "poder ter convites, tem uma ambição de jogar noutros campeonatos".
"É um jogador muito bem cotado, é o capitão do FC Porto", diz, antes de lembrar que convidou Diogo Costa a envergar a camisola 2, de Jorge Costa. Ainda não teve resposta: "A camisola traz muito peso, muita memória, sobretudo após a morte de Jorge Costa, e traz muito peso e carga, que achamos que o Diogo está mais que capacitado para aguentar. Gostava muito que a camisola 2 estivesse em campo para o ano e se assim for quererá dizer que o Diogo Costa estará connosco."
O primeiro — e único, até agora — reforço de verão do FC Porto é o guarda-redes João Afonso, contratado ao Santa Clara.
André Villas-Boas revela que o jovem, de 19 anos, estava a ser seguido "há bastante tempo" pelo departamento de scouting portista.
"É uma aposta, sem dúvida. Depositamos grandes esperanças de conquistar o seu espaço um dia na equipa A, se calhar em emancipação até. Depende do João também, do seu enquadramento do respeito entre a equipa A e a equipa B. Do que analisamos, do ponto de vista técnico, achamos que sim, que tem todas as condições para ser um grande guarda-redes e um grande guarda-redes do futuro do FC Porto e, esperamos, da seleção", assinala.
Objetivo de verão: um "9"
Com Samu Aghehowa lesionado, Villas-Boas não esconde: "Vamos ao mercado por um ponta de lança."
A previsão de regresso do internacional espanhol é apenas outubro. E ainda será necessário um "espaço de readaptação", pelo que o presidente do FC Porto antevê que Samu "em meados de novembro estará a 100%".
"Até lá, o FC Porto tem de se reforçar. Os alvos estão perfeitamente identificados. Funcionamos por categorias. Temos uma lista 'top tier', dos melhores talentos identificados por posição, depois por escalões, valores e contrato. Jogadores com quem possamos negociar, com contratos a terminar em 2027 por exemplo. Maio é uma altura má para negociar, os clubes pedem muito dinheiro e temos tentado evitar", explica.
O nome do reforço poderá, contudo, só ser conhecido em agosto: "O grande mercado movimenta-se, infelizmente, mais tarde, em agosto. No final de agosto também há muitas motivações. É um caso de continuar a identificar, falar com os agentes, encurtar distâncias, saber quais são as condições que podemos ter por parte dos agentes para jogadores e clube, e depois aproximamo-nos do mercado na devida altura."
"Farioli encontrou estabilidade"
Já sobre Francesco Farioli, Villas-Boas destaca a estabilidade que o FC Porto foi capaz de dar ao treinador italiano.
"O que se passa atualmente no futebol europeu, com mudanças cada vez mais abruptas de treinadores, bancos a que são dadas garantias de lideranças a longo termo acabam cada vez mais rapidamente. Projetos instáveis. Farioli sentiu-se em casa, agarrado a um projeto e a uma visão. Também fizemos as nossas mudanças de um lado para o outro, quando mudámos de treinador. Já senti na pele essas mudanças. Farioli encontrou no Porto estabilidade, comunicação franca e direta, uma estrutura que o apoia", vinca.
Regresso de ilustres
Num dos momentos mais curiosos da entrevista, André Villas-Boas revela que "gostaria de resgatar Vitinha".
"Chateio-o muitas vezes com isso. E ele diz-me: 'Caro presidente, ainda não é altura'. É um dos melhores jogadores do mundo, com grande sucesso no SPG. Gostava muito de o ter de volta. Os bons filhos à casa tornam e espero que um dia assim seja. Com o Vitinha, o Rúben Neves e outros grandes jogadores que nos deram muito e que têm toda a capacidade para jogar no FC Porto", realça.
A 4ª Conferência Bola Branca decorre esta quinta-feira, no auditório da Renascença, em Lisboa. Conta com convidados como Luís Montenegro, André Villas-Boas, Pepijn Lijnders, Antonio Gagliardi, Pedro Proença e Reinaldo Teixeira. Pode acompanhar em direto aqui.
Intitulada “A Excelência no Futebol", a Conferência Bola Branca centra-se nos caminhos para a excelência no futebol português e mundial e faz a transição entre o fim das ligas profissionais, a conclusão das principais competições europeias de futebol e o arranque da preparação final do Campeonato do Mundo.
- Bola Branca 18h16
- 12 jun, 2026








