Acordo verbal "não tem relevância" legal, mas litígio entre Sporting e Gyökeres será mau para ambos
11 jun, 2025 - 18:15 • Inês Braga Sampaio
O jurista Diogo Soares Loureiro o "poder disciplinar" está do lado do Sporting. Se Vitkor Gyökeres forçar a saída, os leões terão legitimidade para impor processo disciplinar, mas o valor de mercado do avançado poderá ficar prejudicado.
Qualquer acordo verbal entre Frederico Varandas e o agente de Viktor Gyökeres, independentemente da versão, não tem peso legal, e o Sporting é que tem o poder disciplinar, avisa o jurista Diogo Soares Loureiro.
Segundo a imprensa, o presidente do Sporting teria prometido ao empresário de Gyökeres, num suposto acordo verbal, aceitar propostas de 60 milhões de euros mais dez milhões em bónus. Esta quarta-feira, no entanto, Varandas garante que a única coisa que prometeu foi não exigir os 100 milhões da cláusula de rescisão para vender o avançado.
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Em declarações a Bola Branca, Diogo Soares Loureiro salienta que, de qualquer modo, um acordo verbal entre as partes, "de um ponto de vista jurídico, de um ponto de vista legal, não tem relevância".
"O que realmente é relevante para estes termos é o que fica definido do ponto de vista do contrato de trabalho do jogador. Por muito que o jogador possa, de facto, sentir-se defraudado nas suas expectativas e possa sentir que não houve uma total transparência por parte do clube, a realidade é que, de um ponto de vista jurídico, o jogador nada pode fazer", explica.
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Ou seja, fosse o alegado acordo a venda por 60+10 milhões de euros ou a não exigência dos 100 milhões, uma eventual venda de Viktor Gyökeres concretizar-se-á pelos valores que o Sporting definir.
E "roer a corda" — ou seja, falhar à apresentação para o início dos trabalhos — poderá não correr bem ao ponta de lança sueco:
"O poder disciplinar está na esfera do clube. Portanto, se houver uma data marcada pelo clube [para o início dos trabalhos] e o jogador não se apresentar, estará numa clara violação do seu contrato de trabalho. E diria, também, do próprio regulamento interno do Sporting. Portanto, a partir daí, o Sporting passa a estar munido de matéria disciplinar para poder avançar para um processo disciplinar contra o jogador."
"Clube não pode ficar órfão de vontades"
Ainda assim, "é sempre um braço de ferro complicado", porque Gyökeres é o maior ativo do Sporting. Logo, os leões sabem que "ser público que o jogador quer sair, que está insatisfeito, que existe, eventualmente, um litígio disciplinar, faz com que o valor de mercado diminua".
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Aliás, muitos jogadores — Philippe Coutinho, Ousmane Dembélé, Kylian Mbappé, entre outros — já se recusaram a comparecer ao início dos trabalhos das suas equipas, uma vez que, no final de contas, o desfecho costuma sorrir-lhes. No entanto, isso "é mais uma estratégia negocial, porque, de um ponto de vista jurídico, se o Sporting quiser manter a sua posição de força, tem o poder para o fazer sem que tenha de sofrer qualquer consequência", salienta Diogo Soares Loureiro.
"Ao contrário do jogador, que, se se recusar prestar a sua atividade, o clube passa a ter ferramentas para poder avançar com um processo disciplinar. E isso, evidentemente, também não é o ideal para ele. A verdade é que o poder disciplinar está na esfera do clube e o clube também não pode ficar órfão das vontades do jogador, quando, no fundo, é o clube que decide se quer vender e por que valor", finaliza.
Viktor Gyökeres, de 27 anos, chegou ao Sporting no início da temporada passada, do Coventry City, por 23 milhões de euros. Tem cláusula de rescisão de 100 milhões de euros e contrato até 2028. Esta época, o internacional sueco marcou 54 golos e 13 assistências em 52 jogos.
- Bola Branca 18h15
- 08 mai, 2026









