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"Vem da praia e isso vê-se no seu jogo, tem recursos técnicos fora do comum": Gabriel Silva, segundo um ex-treinador

16 jun, 2025 - 15:15 • Hugo Tavares da Silva

Bernardo Bruschy cruzou-se com Gabriel Silva nos sub-8 e sub-15, onde o jovem avançado, que vai participar na pré-época da equipa principal, fixou o recorde de golos do nacional de iniciados em 48 golos. Como chegou a Alcochete? O que tem para dar? O que precisa de melhorar? Está tudo aqui.

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Com o provável adeus de Viktor Gyökeres, convém não subestimar as pérolas que brotam do solo quentinho de Alcochete, da fabrica de talento com nome de lenda em atividade, e que jogam perto da baliza alheia, com o olhar no horizonte.

Gabriel Silva, mais um miúdo da formação do Sporting cheio de genica e sonhos, vai ter direito a mostrar-se a Rui Borges e aos pares na pré-época dos bicampeões nacionais. Como não queremos subestimar nada, a Renascença foi escutar um treinador que apanhou o jovem avançado algarvio em dois momentos, nos sub-8 e sub-15, onde fixou o recorde de golos no campeonato nacional em 48.

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Este cidadão de Albufeira, nascido há 18 anos, tem na praia um dos segredos para o seu futebol, garante Bernardo Bruschy, um homem que passou 15 anos pela formação leonina. A chegada antecipada à academia, as características, o que tem de melhorar, o que pode dar à equipa de Rui Borges, está tudo na breve conversa com Bola Branca.

Como é que o Gabriel Silva chegou ao clube?
O Gabriel foi observado num torneio no Algarve que existe todos os anos, a Copa Guadiana. Ele é de lá. Foi observado como petiz, sub-7, e ele destaca-se bastante nesse torneio em contexto de futebol 5. O Sporting observou-o, gostam bastante dele, mas como já está numa fase final da época já não é possível integrá-lo em nenhuma atividade. Veio depois no ano seguinte, em sub-8. Veio às primeiras atividades e destacou-se logo desde muito cedo. Na primeira captação revelou muita qualidade e integrou o clube.

Treinou nos sub-8 e sub-15, observou a evolução. Que miúdo é este? E o caráter?
O Gabriel é um miúdo que, desde cedo, revelou algumas questões acima de tudo mentais e de personalidade que agradam bastante quem o observa, e aqui falo de coordenação, observadores e treinadores. É um miúdo que desde sempre foi muito competitivo, muito destemido, com muita vontade de querer sempre mais e, pronto, são características que ele manteve e que mantém aos dias de hoje. É muito focado na competição, no jogo, tem muita vontade de ganhar, esses se calhar são os traços que vincam o Gabriel naquilo que é como miúdo.

E características de jogador, tecnicamente, movimentos... Em que se especializou? O que faz bem?
Vem do Algarve, da praia, e isso é demonstrado no seu jogo. Ele apresenta um nível de recursos técnicos fora do comum, está preparado para qualquer ressalto que a bola possa ter, tem variados recursos quando a bola está no ar, por baixo. É um miúdo muito repentino em tudo o que faz e isso é o que o torna tão imprevisível e tão capaz.

Hmm, hmm.
O Gabi tem uma versatilidade no jogo muito grande, consegue dar jogo vertical à equipa porque dispara muito bem no movimento de rutura, tem um bom timing de desmarcação, utiliza o jogo em apoio e se calhar é o seu maior ponto forte. Tem muita facilidade em recuar no terreno, em criar superioridade com os médios.

Não é um típico ponta de lança, não é jogador de estar na área, fixo entre os centrais. É claramente um jogador de mobilidade, que gosta de estar livre. Ele gosta de colocar a anarquia no jogo e isso muitas vezes diferencia-o dentro do campo, porque acaba por pisar espaços que os adversários não estão à espera, acaba por dar soluções que são inesperadas. Tudo isso faz do Gabriel um jogador muito completo no momento ofensivo.

E a defender?
É um jogador muito trabalhador no momento de pressão, é muito agressivo, vai sempre atrás dos centrais, consegue cortar linhas de passe, é um jogador que não vira cara à luta. Mas tem aspetos a melhorar, claramente. Está numa fase de evolução, ainda é jovem.

Se calhar destaco como ponto a evoluir a questão mental. Quando as coisas não estão a correr tão bem, é um jogador que acaba por ficar frustrado e isso retira-lhe o foco do jogo e desliga-o até em alguns momentos. E a forma como lida como, às vezes, lida com a derrota. É um jogador que, quando está nesse momento de desvantagem, deixa de pensar tanto e há um excesso de individualismo. Isso prejudica o seu jogo.

O que pode dar à equipa de Rui Borges?
A mobilidade, o jogo de apoio, o ter um avançado que é mais um médio em muitos momentos do jogo. É um jogador que tem muita facilidade em trabalhar com a equipa num momento de construção, liga muito bem ao primeiro toque, liga muito bem em zonas baixas. Vai ter de melhorar o seu momento de jogo na profundidade e largura, procura muito a profundidade mas pelo corredor central. É um jogador que pode dar ainda mais mobilidade ao ataque relativamente aos jogadores que existem.

Era expectável esta chegada à primeira equipa?
Desde cedo, a perspetiva do clube e de quem se cruzou com ele é que era jogador para chegar à equipa A e ter impacto. Tendo em conta até que alguns da geração dele já se estrearam, como o Eduardo Felicíssimo, o João Simões e o Geovany Quenda, é um jogador dessa senda de sucesso. Espera-se que seja um miúdo que esteja nestes patamares. Já esteve perto, já esteve convocado, já integrou bastantes treinos. Acho que é uma questão natural e que vai acontecer, porque estamos a falar de um jogador que é totalmente diferenciado.

Tem muito golo, tem muita qualidade técnica, tem imprevisibilidade, repentismo, é um jogador que mais tarde ou mais cedo vai conseguir estar na equipa A. Depois, o que vai ser importante e vai ser o maior desafio do Gabriel, vai ser a sua estabilidade e regularidade. Emocionalmente, tem de estabilizar, tem de perceber que há momentos que vão ser muito difíceis. Tudo isso é que o pode fazer manter-se depois no topo. Chegar lá é evidente que vai chegar, o manter vai depender muito do que for a sua estabilidade e a regularidade.

Alguma história que possa partilhar?
Há de certeza bastantes, não me recordo de muitas. Entre os variados golos que marcou... o recorde de golos de um jogador no campeonato nacional de sub-15 é dele: 48 golos. É um miúdo que tem muitas histórias, porque é vivido, muito extrovertido.

Para demonstrar a vontade do Gabriel em atingir o topo, saliento que era um miúdo que desde muito cedo, desde 9 ou 10 anos, vinha todos os sábados, às 8h da manhã, de Albufeira, apanhava autocarro ou comboio para vir jogar à hora de almoço, por volta das duas ou três da tarde no Estádio Universitário de Lisboa, para depois, por volta das seis ou sete da tarde, voltar para o Algarve. E fazia isto sozinho, enquanto muitos colegas faziam as viagens com os pais. O Gabriel queria fazer quase sempre o percurso sozinho e queria fazer sozinho.

Foi um jogador que, para além disso, ainda quis antecipar a sua vinda para a academia, chateou coordenações, treinadores, toda a gente que lhe passava pelo caminho ele fazia muita força para vir para a academia. A verdade é que conseguiu vir um ano mais cedo do que o habitual. Na maioria das vezes, os jogadores vêm em sub-14, o Gabriel veio em sub-13 por vontade dele e que hoje se tornou mais banal e regular os miúdos virem em sub-13. Foi algo que começou muito com a vinda do Gabriel, na altura depois mais colegas foram viver com ele, incluindo o Geovany Quenda.

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