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Liga dos Campeões

Rui Borges: "Nós conhecíamos o melhor Bodo, o Bodo não conhecia o melhor Sporting"

17 mar, 2026 - 21:11 • Inês Braga Sampaio

Treinador do Sporting destaca intensidade da equipa face à primeira mão e espera que a goleada ao Bodo/Glimt cale as críticas, que, no seu entender, os jogadores "não mereciam".

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Rui Borges salienta que o Bodo/Glimt ainda não conhecia "o melhor Sporting" e que os leões colocaram toda a energia que faltou na primeira mão dos oitavos de final, na Noruega, no jogo de Alvalade, esta terça-feira, para golear, por 5-0, e seguir em frente na Liga dos Campeões.

"É um bocadinho a frase que eu usei hoje na palestra, que até foi o [Luís] Neto que disse e muito bem. Nós conhecíamos o melhor Bodo, o Bodo não conhecia o melhor Sporting. E nós hoje tínhamos de ser o melhor Sporting. E fomo-lo", afirma o treinador, em declarações à Sport TV.

Borges também considera que esta vitória, que anulou os 3-0 sofridos na Noruega, foi uma resposta às críticas recebidas durante a última semana: "Vou ser muito honesto e vou defender os meus jogadores. Eu percebo as críticas, mas eles não as mereciam, por tudo que têm sido capazes de fazer até aqui. E podíamos estar aqui derrotados, não havia problema, e eu ia dizer que os meus jogadores são fantásticos e merecem tudo."

O Sporting goleou o Bodo/Glimt, por 5-0, esta terça-feira, na segunda mão dos "oitavos", e avançou para os quartos de final da Champions, 43 anos depois. Vai, agora, defrontar o Arsenal, de Viktor Gyokeres.

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Vitória dedicada à família: "Antes de mais, deixem-me dedicar a vitória aos meus pais, à minha família, ao meu filho, porque merecem, sofrem muito comigo, de certeza. Tenho saudades deles e eles estão lá sempre a torcer por nós. Nunca o fiz, mas hoje acho que é uma vitória para lhes dedicar. A minha mulher, o meu filho, as minhas irmãs também, que sofrem muito. O meu pai e a minha mãe. Em especial a minha estrela, a minha avó, também. Não me esqueço. Eu digo sempre que tenho uma grande estrela, se calhar é ela."

Vitória: "É um bocadinho a frase que eu usei hoje na palestra, que até foi o [Luís] Neto que disse e muito bem. Nós conhecíamos o melhor Bodo, o Bodo não conhecia o melhor Sporting. E nós hoje tínhamos de ser o melhor Sporting. E fomo-lo. E eles ligados. Senti isso desde o primeiro momento que entrámos para treinar, estes dias, a energia era diferente, a vontade de fazer algo diferente era infinita. Com o passar dos dias, juntamente com os adeptos, com a energia que foram passando, também o acreditar que era possível, senti claramente que ia ser uma noite diferente. Podíamos estar aqui e ter ganhado 2-0 e não termos passado. E eu estaria aqui super orgulhoso por tudo que tínhamos feito ou sido capazes de fazer. E mais do que qualquer estratégia de jogo, tem muito a ver com a crença e com a vontade e com a intensidade que nós metemos nos jogos as nossas ações individuais e coletivas. E é isso que fez toda a diferença."

Mais jogo pelos corredores: "Era um pouco o que eu tinha dito antes do jogo, que nós conhecíamos melhor o Bodo e eles não conheciam melhor o Sporting. Por isso, nós sabíamos que, nas poucas coisas que fomos criando no jogo em Bodo, não poderíamos entrar em demasiado jogo interior, o que gostávamos muito, e tínhamos, sim, de explorar mais os corredores. Porque as formas que nós arranjámos lá, os momentos que tivemos para poder finalizar e fazer golo em Bodo, foi sempre por corredores, foi sempre por diagonais interiores de forma vertical entre lateral e central, e passámos o jogo todo a fazer isso. A equipa percebeu, sabia muito bem o que tinha de fazer em termos ofensivos e defensivos e fê-lo na perfeição. A energia esteve lá, a malta que jogou, a malta que entrou, foi extraordinária, foi importantíssima ao longo destes 120 minutos."

Intensidade: "Mais do que tudo, eles estavam completamente ligados e queriam muito virar o jogo, porque sabíamos que no jogo de Bodo não tínhamos sido o Sporting que somos sempre. Acontece, faz parte. Ao fim de sete meses ou oito teríamos um jogo menos bom, infelizmente foi na Champions, que nos podia ter saído caro, mas faz parte. E eles merecem esse respeito da minha parte e de todos. Não são máquinas, todos nós aprendemos com aquilo que não fazemos tão bem. Eu disse que mais que a estratégia lá, tinha sido a intensidade com que metemos no jogo, e para mim foi claramente isso, e hoje foi do 8 ao 80. A intensidade foi altíssima, o jogo todo. Caímos aqui na parte final do prolongamento, normal, mas, de resto, nos 90 minutos de jogo, foi impressionante a forma com que nós queríamos pressionar, a forma com que nós queríamos ter a bola. Acalmar o jogo com a bola também era importante, circular a bola, fazer variações. Fizemos, e eles estiveram perfeitos na parte estratégica do jogo."

Resposta às críticas: "Eu vou ser muito honesto e vou defender os meus jogadores. Eu percebo as críticas, mas eles não as mereciam, por tudo que têm sido capazes de fazer até aqui. E podíamos estar aqui derrotados, não havia problema, e eu ia dizer que os meus jogadores são fantásticos e merecem tudo. E não é o jogo de Bodo, volto a dizer, não é por aquele jogo que eles mereciam as críticas, porque têm sido estupendos. Todos, todos, todos têm sido fantásticos, o grupo tem sido fantástico. Agora, mais do que as críticas em si, nós, internamente, ficámos desiludidos por aquilo que não fomos capazes de fazer e demonstrar. Estivemos longe daquilo que nós somos, e nós temos essa noção, mais do que ninguém. Mal acabou o jogo, era sentimento único de todos. Por isso, sabíamos que aqui ia ser diferente, íamos estar com energia diferente. Se havia equipa que conseguia, era esta. Se há estádio em que era possível, era este. Os adeptos hoje foram fenomenais, queria que fossem sempre assim. Têm sido bons, mas hoje foram extraordinários. Também precisamos deles e hoje foram muito importantes para esta remontada."

Sporting reergueu-se: "Os verdadeiros campeões caem e levantam-se, as vezes que for preciso. Se for uma levanta-se, se for duas levanta-se, se for três levanta-se. E a resiliência deste grupo é inabalável, e é infinita, e isso tem sido demonstrado sempre, ao longo de todo o tempo, pelo menos desde que eu cheguei aqui. A resiliência deles, a ambição deles é infinita, e hoje mais uma vez o demonstraram."

Vitória mais importante da carreira? "Não, a vitória mais importante tem de ser no domingo [frente ao Alverca, para o campeonato]. Não, é um jogo importante, é um jogo que marca o meu caminho, mais um. Simplesmente mais uma vitória, mais uma vitória de Champions, continuar a marcar de alguma forma a história do Sporting. É isso que me deixa feliz. Amanhã já estou a pensar no Alverca, que será um jogo muito exigente também para nós, e que temos de ganhar para continuar na luta do campeonato."

[Notícia atualizada às 23h12 do dia 17 de março de 2026, com a passagem do Arsenal aos quartos de final]

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