A maior empresa de calçado do país despede 222 trabalhadores. É o segundo despedimento na unidade em Barcelos da multinacional alemã depois de, em abril, ter dispensado 67 funcionários.
"É gente a chorar, é gente a desmaiar, é um autêntico clima de funeral", referiu a delegada sindical, sublinhando que entre os visados há trabalhadores com mais de 30 anos de casa e jovens casais.
O presidente da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos alerta que "o ano que se avizinha não será fácil, dado o abrandamento dos principais mercados" do setor e "a situação política de instabilidade com dois cenários de guerra".
Embora assinale que "o último trimestre [de 2024] foi já de crescimento", de 14,3%, o presidente da APICCAPS, Luís Onofre, reconhece que "o ano que terminou foi muito difícil no plano externo".
Depois de mais uma fábrica abrir insolvência em Marco de Canaveses, a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal fala de uma "forte retração" com raízes na crise da pandemia e da guerra na Ucrânia e que se agigantou devido a plataformas como a Temu e a Shein.
As exportações para território norte americano ascenderam aos 100 milhões de euros. Ainda assim, o presidente da Associação de Industriais de calçado lembra o setor "exporta para 170 países e não está dependente de nenhum mercado de forma individual".
No ano passado, a indústria portuguesa exportou 67 milhões de pares de calçado para todo o mundo, tendo vendido mais de 90% da sua produção para 170 países de todos os continentes.
Exportações portuguesas de calçado recuaram 11,3% em quantidade e 8,2% em valor em 2023, face ao ano recorde de 2022, com 66 milhões de pares de calçado vendidos por 1.839 milhões de euros.