10 nov, 2025 - 22:27 • Filipa Ribeiro
Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro divergem na análise à polémica relacionada com o novo livro de Henrique Gouveia e Melo e a sua motivação para se candidatar à Presidência da República.
Para o antigo ministro do PS, o almirante "tem razão em invocar que foi mal interpretado, numa interpretação maldosa das suas afirmações". Fernando Medina sublinha que não é apoiante da candidatura de Gouveia e Melo para dar razão ao almirante depois de ter lido excertos do livro que acabaram a ser publicados esta segunda-feira.
"O que ele diz é que perante a conjuntura considerou que devia haver um forte ciclo de investimento na defesa e que se assim fosse faria sentido ser reconduzido a Chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) e constatou que não havia essa vontade do Governo e do Presidente da República e achou que não tinha sentido continuar e optou por avançar com a candidatura."
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No programa Conversa de Eleição, da Renascença, Miguel Poiares Maduro tem uma leitura diferente. O social-democrata, membro da comissão de honra da candidatura de Luís Marques Mendes a Belém, reconhece que no texto do livro Gouveia e Melo parece estar a referir-se mais ao Governo do que ao Presidente da República. No entanto, o antigo ministro sublinha que ao dar luz verde ao livro, o almirante "validou" o artigo que surge em rodapé e que se refere ao Presidente da República o que permite "mais que uma interpretação".
Para Poiares Maduro, outra conclusão da polémica dos últimos dias é a de que o almirante "não está preparado para lidar com o escrutínio mediático", conclusão que diz tirar da "reação irascível que teve sobre o jornalismo".
O social-democrata e apoiante de Marques Mendes considera que a comunicação de Gouveia e Melo "tem corrido mal" e ironiza que o candidato presidencial "deveria contratar um intérprete permanente para as declarações políticas".
Miguel Poiares Maduro sublinha que Gouveia e Melo "foi um desastre de comunicação assim que deixou o silêncio e começou a falar". Refere ainda que o almirante só teve "uma imagem pública forte enquanto permaneceu no silêncio", acrescentando que "quando passou a intervir na política as coisas não lhe têm corrido bem".
Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro relacionam ainda a transferência de Gouveia e Melo para o centro do espaço político com a perda de pontos na sondagem, mas elogiam a postura e as afirmações do almirante sobre a imigração.
Miguel Poiares Maduro acusa André Ventura de se voltar a contradizer. Depois do líder do Chega reagir à participação do vice-presidente do partido, Pedro Frazão, num congresso do movimento Reconquista, Poiares Maduro realça que "o mesmo André Ventura que fala em proteger as mulher de um risco de islamização é o mesmo que faz um flirt e namora com grupos que estão contra o direito das mulheres".
O social-democrata realça que em nenhum momento o presidente do Chega "desautorizou a participação do vice-presidente do seu partido num congresso daquele movimento político" tentando banalizar o sucedido sem que isso implicasse uma associação a um movimento que defende aspetos "chocantes". "No fundo é como se estivesse a falar de um coito político não consumado do Chega com o movimento Reconquista", defende.
Miguel Poiares Maduro diz que o propósito de André Ventura é não perder o eleitorado potencial que encontra em movimentos como o Reconquista e fala em "falta de princípios" do Chega.
Para Fernando Medina, a identidade própria do Chega é exatamente a mesma do movimento supremacista. O socialista volta a defender que o Chega "é um partido racista, xenófobo, intolerante que apregoa os mesmos valores" que os do Reconquista. "Só é enganado quem quer", sublinha.
Fernando Medina critica ainda a exposição que é dada ao líder do Chega na comunicação social.
O antigo ministro do PS, Fernando Medina, considera "não foi um momento feliz" a hesitação de António José Seguro, que em entrevista ao jornal Público recusou dizer que era socialista e de esquerda.
Fernando Medina considera que as declarações foram "injustas" para o próprio, que classifica como um "social-democrata com grande capacidade de comunicação".
O antigo deputado e governante do PS acredita que no momento se tenha "sobreposto uma preocupação mais tática e estratégica", que aos olhos de Fernando Medina terá sido "deslocada". O socialista avisa que "para um candidato passar à segunda volta é necessário ter a capacidade prévia de unir o centro esquerda à sua volta e que sem essa capacidade haverá dificuldades".
O social-democrata e antigo ministro no Governo de Pedro Passos Coelho diz que, caso fosse militante em Sintra, votaria "contra" à coligação PSD e Chega.
No programa Conversa de Eleição da Renascença, Poiares Maduro diz que "não concorda" com a coligação, apesar de considerar que os partidos "devem respeitar" as decisões locais.
Numa curta análise, Miguel Poiares Maduro considera que se trata de "uma decisão errada" celebrar um acordo com o Chega.