22 dez, 2025 - 23:30 • Filipa Ribeiro
Fernando Medina considera que a passagem da Spinumviva para "Spinummorta" - com o arquivamento do Ministério Público ao caso - é "boa para a democracia".
O antigo ministro das Finanças recorda que esteve "isolado na bancada do PS" ao discordar da estratégia de Pedro Nuno Santos - na época secretário-geral dos socialistas - ao validar a queda do Governo e a ida a eleições legislativas devido ao caso que envolvia a empresa familiar do primeiro-ministro.
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No programa Conversa de Eleição, da Renascença, Fernando Medina recorda que, assim que o caso se tornou público, "ninguém leu a lei dos titulares políticos que não obriga ninguém que assuma cargos políticos a abdicar do seu património" e lembra que "ninguém foi capaz de mostrar algum ato que Luís Montenegro tenha feito que lesasse o Estado". O antigo deputado do PS e governante afirma estar "satisfeito" por se passar de "Spinumviva para Spinumorta".
Também Miguel Poiares Maduro considera que o caso já tinha ficado encerrado com a reeleição de Luís Montenegro. O antigo ministro do PSD considera que a questão fica agora resolvida legalmente.
A duas semanas do arranque da campanha para as eleições presidenciais, Fernando Medina destaca a queda de Henrique Gouveia e Melo nas sondagens e sublinha a necessidade de perceber para onde está a dispersar o eleitorado. Na leitura do antigo ministro das Finanças, os eleitores estão a regressar à base natural que era André Ventura e a dispersar para a abstenção e indecisão.
Questionado no programa Conversa de Eleição, o antigo governante reforça que António José Seguro deve procurar votos nessas áreas. Medina acredita que vai haver uma "concentração de voto em António José Seguro", candidato que deve durante a campanha "reforçar o carácter da diferenciação como candidato de centro-esquerda".
PRESIDENCIAIS 2026
O frente a frente resultou numa troca azeda de acu(...)
Fernando Medina acredita que ainda há tempo para que a esquerda se una em torno da candidatura de Seguro e avisa os restantes candidatos que podem estar a "retirar a possibilidade de um candidato de centro-esquerda passar à segunda volta".
Avisa que Catarina Martins arrisca um resultado em torno dos 2%, piorando a situação do Bloco de Esquerda. No caso de António Filipe, pode degradar o PCP. Quanto a Jorge Pinto, Fernando Medina acredita que o candidato apoiado pelo Livre vai piorar o "score".
Já Miguel Poiares Maduro, que integra a candidatura de Luís Marques Mendes, acredita que o candidato apoiado pelo PSD deve consolidar a imagem de alguém "moderado, centristas e capaz de construir pontes" junto do eleitorado durante a campanha.
Fernando Medina deixa várias críticas à campanha do candidato apoiado pela Iniciativa Liberal. O antigo ministro das Finanças considera que "é uma vergonha" o que João Cotrim de Figueiredo está a fazer, ao "procurar atirar lama sobre a idoneidade de outros candidatos como o rival mais direto Luís Marques Mendes".
Para antigo governante, o partido de Cotrim de Figueiredo "recebeu financiamento para promover uma campanha ideológica" e considera que, se o candidato tivesse "honra própria", também divulgava a lista dos financiadores da Iniciativa Liberal.
Em causa está a denúncia anónima sobre a empresa familiar de Luís Marques Mendes, caso que levou o candidato a divulgar a sua lista de clientes depois da Procuradoria-Geral da República ter decidido não abrir qualquer inquérito.
Para Fernando Medina, o que aconteceu não é escrutínio, mas antes "andar atrás de uma tentativa de um candidato difamar outro" e admite que, no lugar de Luís Marques Mendes, não teria divulgado a lista de clientes.
Já Miguel Poiares Maduro, membro da candidatura presidencial de Luís Marques Mendes, critica a abordagem da comunicação social à denúncia anónima feita sobre a empresa familiar do candidato presidencial.
O social-democrata considera "lamentável" que uma "denúncia anónima que, como o próprio Ministério Público veio dizer que não tinha qualquer fundamento mínimo ou indício de qualquer crime", seja notícia no meio de uma campanha eleitoral.
Miguel Poiares Maduro lamenta também o que considera terem sido um "conjunto de insinuações muito infelizes" que surgiram dos adversários de Marques Mendes nestas eleições presidenciais.
Fernando Medina está satisfeito coma decisão do tribunal que obriga à retirada dos cartazes de André Ventura sobre a comunidade cigana. O antigo deputado do PS considera que casos como "este" devem ir para tribunal porque é a "única entidade capaz de determinar se se passou ou não da linha do que é a convivência de uma sociedade democrática".
Para Fernando Medina, os cartazes procuram "tentar normalizar um discurso de ódio" contra os ciganos, o que é "constitucionalmente proibido", e recorda que "não se consegue combater fenómenos políticos de extremismo, de radicalismo, de exclusão na base da sua internalização no debate democrático normal". "Nós não conseguimos responder com plumas a pedras e facas e tiros, e por isso temos que ser firmes na defesa das leis que nós próprios democratas fizemos", afirma.
Ricardo Sá Fernandes, advogado que representa a qu(...)
Já Miguel Poiares Maduro diz ter reservas sobre a legalidade dos cartazes, uma vez que considera que a frase "Os ciganos têm que cumprir a lei" está no limiar jurídico de ser uma discriminação. Tem um claro objetivo discriminatório, mas está escrito de forma para invocar que não discrimina, que se limita a dizer que relativamente àquele grupo, como para outros, têm que cumprir a lei", explica.
Para Poiares Maduro a principal forma de combater os cartazes e a sua mensagem política é no campo político.
No programa desta semana, Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro analisaram ainda as declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, sobre os estudantes de rendimentos baixos e as residências universitárias.
Os dois concordam que a polémica frase foi retirada do contexto, mas Medina realça que Fernando Alexandre "tem que ter mais cuidado na forma com que se exprime" e considera que o ministro não pode dizer o que disse sobre a gestão e a degradação quando é o responsável pelas infraestruturas.
O antigo ministro das Finanças sublinha, ainda, que a solução defendida pelo ministro de polarizar as residências universitárias para alunos com capacidades financeira pode levar alunos desfavorecidos a ficarem fora do ensino superior por não conseguirem alojamento.