Conversa de Eleição

"Passamos da Spinumviva para a Spinumorta": Medina e Poiares Maduro elogiam arquivamento

22 dez, 2025 - 23:30 • Filipa Ribeiro

Fernando Medina recorda que esteve isolado na bancada do PS que contribuiu para a ida a novas eleições após a divulgação do caso Spinumviva. Na mesma linha, Miguel Poiares Maduro sublinha que o caso já tinha sido encerrado com a reeleição de Luís Montenegro. Os antigos ministros criticam, por outro lado, a postura da comunicação social sobre a recente polémica que envolve Luís Marques Mendes e as declarações do ministro da Educação.

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Vídeo. "Passamos da Spinumviva para a Spinumorta": Medina e Poiares Maduro elogiam arquivamento
Vídeo. "Passamos da Spinumviva para a Spinumorta": Medina e Poiares Maduro elogiam arquivamento

Fernando Medina considera que a passagem da Spinumviva para "Spinummorta" - com o arquivamento do Ministério Público ao caso - é "boa para a democracia".

O antigo ministro das Finanças recorda que esteve "isolado na bancada do PS" ao discordar da estratégia de Pedro Nuno Santos - na época secretário-geral dos socialistas - ao validar a queda do Governo e a ida a eleições legislativas devido ao caso que envolvia a empresa familiar do primeiro-ministro.

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No programa Conversa de Eleição, da Renascença, Fernando Medina recorda que, assim que o caso se tornou público, "ninguém leu a lei dos titulares políticos que não obriga ninguém que assuma cargos políticos a abdicar do seu património" e lembra que "ninguém foi capaz de mostrar algum ato que Luís Montenegro tenha feito que lesasse o Estado". O antigo deputado do PS e governante afirma estar "satisfeito" por se passar de "Spinumviva para Spinumorta".

Também Miguel Poiares Maduro considera que o caso já tinha ficado encerrado com a reeleição de Luís Montenegro. O antigo ministro do PSD considera que a questão fica agora resolvida legalmente.

Seguro deve procurar votos de "abstencionistas e indecisos"

A duas semanas do arranque da campanha para as eleições presidenciais, Fernando Medina destaca a queda de Henrique Gouveia e Melo nas sondagens e sublinha a necessidade de perceber para onde está a dispersar o eleitorado. Na leitura do antigo ministro das Finanças, os eleitores estão a regressar à base natural que era André Ventura e a dispersar para a abstenção e indecisão.

Questionado no programa Conversa de Eleição, o antigo governante reforça que António José Seguro deve procurar votos nessas áreas. Medina acredita que vai haver uma "concentração de voto em António José Seguro", candidato que deve durante a campanha "reforçar o carácter da diferenciação como candidato de centro-esquerda".

Fernando Medina acredita que ainda há tempo para que a esquerda se una em torno da candidatura de Seguro e avisa os restantes candidatos que podem estar a "retirar a possibilidade de um candidato de centro-esquerda passar à segunda volta".

Avisa que Catarina Martins arrisca um resultado em torno dos 2%, piorando a situação do Bloco de Esquerda. No caso de António Filipe, pode degradar o PCP. Quanto a Jorge Pinto, Fernando Medina acredita que o candidato apoiado pelo Livre vai piorar o "score".

Já Miguel Poiares Maduro, que integra a candidatura de Luís Marques Mendes, acredita que o candidato apoiado pelo PSD deve consolidar a imagem de alguém "moderado, centristas e capaz de construir pontes" junto do eleitorado durante a campanha.

"Cotrim está a fazer campanha vergonhosa"

Fernando Medina deixa várias críticas à campanha do candidato apoiado pela Iniciativa Liberal. O antigo ministro das Finanças considera que "é uma vergonha" o que João Cotrim de Figueiredo está a fazer, ao "procurar atirar lama sobre a idoneidade de outros candidatos como o rival mais direto Luís Marques Mendes".

Para antigo governante, o partido de Cotrim de Figueiredo "recebeu financiamento para promover uma campanha ideológica" e considera que, se o candidato tivesse "honra própria", também divulgava a lista dos financiadores da Iniciativa Liberal.

Em causa está a denúncia anónima sobre a empresa familiar de Luís Marques Mendes, caso que levou o candidato a divulgar a sua lista de clientes depois da Procuradoria-Geral da República ter decidido não abrir qualquer inquérito.

Para Fernando Medina, o que aconteceu não é escrutínio, mas antes "andar atrás de uma tentativa de um candidato difamar outro" e admite que, no lugar de Luís Marques Mendes, não teria divulgado a lista de clientes.

Já Miguel Poiares Maduro, membro da candidatura presidencial de Luís Marques Mendes, critica a abordagem da comunicação social à denúncia anónima feita sobre a empresa familiar do candidato presidencial.

O social-democrata considera "lamentável" que uma "denúncia anónima que, como o próprio Ministério Público veio dizer que não tinha qualquer fundamento mínimo ou indício de qualquer crime", seja notícia no meio de uma campanha eleitoral.

Miguel Poiares Maduro lamenta também o que considera terem sido um "conjunto de insinuações muito infelizes" que surgiram dos adversários de Marques Mendes nestas eleições presidenciais.

Cartazes do Chega e o ministro da Educação

Fernando Medina está satisfeito coma decisão do tribunal que obriga à retirada dos cartazes de André Ventura sobre a comunidade cigana. O antigo deputado do PS considera que casos como "este" devem ir para tribunal porque é a "única entidade capaz de determinar se se passou ou não da linha do que é a convivência de uma sociedade democrática".

Para Fernando Medina, os cartazes procuram "tentar normalizar um discurso de ódio" contra os ciganos, o que é "constitucionalmente proibido", e recorda que "não se consegue combater fenómenos políticos de extremismo, de radicalismo, de exclusão na base da sua internalização no debate democrático normal". "Nós não conseguimos responder com plumas a pedras e facas e tiros, e por isso temos que ser firmes na defesa das leis que nós próprios democratas fizemos", afirma.

Já Miguel Poiares Maduro diz ter reservas sobre a legalidade dos cartazes, uma vez que considera que a frase "Os ciganos têm que cumprir a lei" está no limiar jurídico de ser uma discriminação. Tem um claro objetivo discriminatório, mas está escrito de forma para invocar que não discrimina, que se limita a dizer que relativamente àquele grupo, como para outros, têm que cumprir a lei", explica.

Para Poiares Maduro a principal forma de combater os cartazes e a sua mensagem política é no campo político.

No programa desta semana, Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro analisaram ainda as declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, sobre os estudantes de rendimentos baixos e as residências universitárias.

Os dois concordam que a polémica frase foi retirada do contexto, mas Medina realça que Fernando Alexandre "tem que ter mais cuidado na forma com que se exprime" e considera que o ministro não pode dizer o que disse sobre a gestão e a degradação quando é o responsável pelas infraestruturas.

O antigo ministro das Finanças sublinha, ainda, que a solução defendida pelo ministro de polarizar as residências universitárias para alunos com capacidades financeira pode levar alunos desfavorecidos a ficarem fora do ensino superior por não conseguirem alojamento.

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