Presidenciais 2026
Medina prevê campanha "imprópria para cardíacos" com "batalha campal à direita"
05 jan, 2026 - 21:51 • Filipa Ribeiro
O antigo ministro das Finanças foi anunciado como membro da Comissão de Honra da candidatura de António José Seguro. Fernando Medina considera que Seguro está "em crescendo", mas avisa para os riscos dos candidatos de esquerda assegurarem que não desistem da corrida à Presidência. À direita, Medina sublinha a divisão do eleitorado entre Marques Mendes e Cotrim de Figueiredo.
Fernando Medina acredita que António José Seguro está bem lançado nas eleições presidenciais e deixa avisos sobre o cenário difícil, prevendo uma campanha "imprópria para cardíacos".
No programa da Renascença Conversa de Eleição, o antigo ministro das Finanças considera que o candidato presidencial apoiado pelo PS tem uma campanha "em crescendo" por considerar que há "uma batalha campal à direita com vários protagonistas: André Ventura, Cotrim de Figueiredo, Marques Mendes e também Gouveia e Melo", sendo à esquerda a campanha "menos competitiva com Catarina Martins e Jorge Pinto num campeonato próprio".
À esquerda, o socialista considera que os candidatos estão a cometer "um erro" ao afirmarem que não vão desistir. Fernando Medina lembra que Jorge Pinto pode ter uma votação abaixo do Livre, arriscando "consolidar a ideia de que o Livre é um partido de intelectuais de Lisboa" e que , por isso, "não faz sentido nenhum investir numa candidatura própria até ao fim".
Medina aplica argumento semelhante à candidatura de Catarina Martins. Defende que estando o Bloco de Esquerda numa "crise muito profunda", Catarina Martins irá "dificultar a passagem à segunda volta de um candidato de centro-esquerda", arriscando um resultado de 2% a 3%. "É muito difícil imaginar que o Bloco vá renascer", afirma.
Fernando Medina foi no domingo um dos nomes anunciados como membros da Comissão de Honra de António José Seguro. O antigo ministro das Finanças considera "normal" o seu apoio a Seguro e destaca que o candidato deve manter o discurso direcionado ao centro-esquerda.
Sobre as declarações de Luís Montenegro, que defendeu que um voto em Seguro ou em Cotrim aumenta o risco de "populistas" na segunda volta, Fernando Medina interpreta um apelo que tem como único objetivo atingir João Cotrim de Figueiredo. Acredita que o nome de Seguro foi mencionado por "cortesia" para não deixar Cotrim de Figueiredo sozinho.
O socialista considera que o grande tema é mesmo a disputa entre Luís Marques Mendes e João Cotrim de Figueiredo, por considerar que estão "assentes no mesmo eleitorado com uma sobreposição no centro direita".
"Um com um ar mais liberal, outro com ar mais social-democrata, um com uma fala mais vibrante, outro com fala mais temperada, mas estão exatamente no mesmo segmento e por isso é que a agressividade entre eles é muito grande nesta campanha e Luís Montenegro veio no fundo dizer ao povo social-democrata para não se enganar."
Noutro plano, o antigo ministro avaliou a situação na Venezuela e alertou que a intenção de Donald Trump é dominar o Ocidente, avisando que a Europa não tem grande palavra a deixar sobre o que aconteceu este fim de semana. Fernando Medina teme que o passo seguinte de Donald Trump afete as relações internacionais face à ameaça que existe quanto à Gronelândia.
Miguel Poiares Maduro, o outro membro permanente do Conversa de Eleição, não marcou presença no programa desta semana, por razões de agenda.
















