Conversa de Eleição

Fernando Medina: "Governo podia ter ido mais longe" na redução do ISP

09 mar, 2026 - 20:17 • Filipa Ribeiro

Perante o aumento histórico do preço dos combustíveis, o antigo ministro das Finanças avisa que "vão ser precisas novas munições e mais fortes para fazer face aos próximos aumentos". Face à situação internacional, Fernando Medina avisa que o Governo deve "estar preparado para o pior".

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"Governo podia ter ido mais longe" na redução de ISP

Fernando Medina compreende que o Governo "tenha tido prudência", mas admite que o executivo "podia ter ido um pouco mais longe" na redução do Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP) tendo em conta o aumento "muito significativo" no preço dos combustíveis esta segunda-feira.

No programa Conversa de Eleição, da Renascença, o antigo ministro das Finanças recorda que na época em que integrou o Governo de António Costa optou pela redução do ISP para dar resposta ao impacto da guerra na Ucrânia. Agora, face a nova guerra no Médio Oriente alerta que há possibilidade de novos aumentos e que, por isso, vão ser necessárias "novas munições e mais fortes" do que as tomadas pelo Governo, até agora, para atenuar o aumento dos combustíveis, nomeadamente a redução de perto de três cêntimos no aumento do gasóleo.

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O ex-governante explica que a política pode ser feita com dois níveis de intensidade: o primeiro será "devolver aos contribuintes as receitas adicionais de IVA com uma diminuição do imposto. "O Estado recebe bastante mais receita fiscal (...) e foi o que o Governo propôs fazer: distribuir ou devolver aos contribuintes essa receita". O antigo ministro das Finanças entende que o Governo de Montenegro pode ter que ir mais longe e fazer "uma subsidiação do preço do combustível através da redução do ISP", recordando que o mesmo aconteceu com o Governo de António Costa que integrou.

Fernando Medina aconselha ainda o executivo a preparar medidas para mitigação dos efeitos da crise que pode resultar da guerra do Irão. "Acho que o Governo se deve prepara para o pior", avisa o ex-governante.

O antigo ministro das Finanças entende que o Governo deve começar a pensar em medidas de apoio – recorde-se que nos anos em que assumiu a pasta avançou com políticas como o IVA Zero no pós início da guerra na Ucrânia assim como cheques financeiros aos portugueses para fazer face ao aumento dos preços de energia.

"Governo podia ter ido mais longe" na redução do ISP
"Governo podia ter ido mais longe" na redução do ISP

O antigo ministro das Finanças enaltece que sempre se manifestou contra os aumentos salariais e acusa o Governo de ter sido "pouco prudente", aumentando a despesa pública, não precavendo situações de crises como a que pode decorrer.

Fernando Medina defende que o Governo devia ter aproveitado a boa fase para criar superávit para que em momentos de crise o país esteja "numa posição de conforto". Medina entende que o país vai entrar em défice orçamental caso a crise se prolongue.

Presidente Seguro. "Não sei se vai ser possível ultrapassar" diferenças na Saúde

O novo Presidente da República vai reunir os partidos políticos para procurar consenso sobre a área da saúde, mas Fernando Medina considera diz ter algum "ceticismo", uma vez que que as diferenças sobre os problemas na saúde "são tão grandes e tão profundas" entre partidos que "não será possível ultrapassar as diferenças ao nível de propostas para fazer face aos problemas".

Ainda assim, o socialista realça o empenho do novo chefe de Estado em incentivar o diálogo, uma vez que não tem poderes legislativos nem executivos.

No discurso de tomada de posse, António José Seguro, voltou a assumir o compromisso de que não dissolve o parlamento em caso de chumbo de Orçamento do Estado.

Fernando Medina, entende que isso não representa um risco para se manter a portar aberta à governação em duodécimos. O antigo ministro das Finanças saúda a intenção de se esclarecer que o Orçamento do Estado não deve ser olhado como uma moção de censura ao Governo e considera que a pressão sobre os partidos vai manter-se uma vez que os partidos "vão estar mais numa posição de bloqueio frontal à posição do Governo".

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