Conversa de Eleição
Governo deve taxar lucros "absolutamente extraordinários e anómalos" do setor energético
27 abr, 2026 - 22:26 • Filipa Ribeiro
Medidas para a crise energética em destaque no Conversa de Eleição desta semana. Sobre o apagão ibérico de há um ano, Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro reconhecem que nível de preparação do país continua num nível baixo.
O Governo deve taxar os lucros "absolutamente extraordinários e anómalos" das empresas do setor energético, defende o socialista Fernando Medina, no programa Conversa de Eleição, da Renascença.
Antigo ministro das Finanças, considera que o executivo deve avançar com a medida numa altura em que os preços dos combustíveis dispararam devido ao conflito no Médio Oriente.
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Fernando Medina recorda que como ministro seguiu esse modelo na crise gerada pela guerra da Ucrânia, em 2022, e entende que essa é uma área "que faz todo o sentido olhar, como algo que é colocado de forma circunscrita, temporária, mas efetiva".
Considera que os lucros que têm sido comunicados são "absolutamente extraordinários, anómalos e decorrem de uma situação que não se justifica que sejam apropriados exclusivamente por parte do investidor privado".
Já Miguel Poiares Maduro lamenta a falta de concretização da Comissão Europeia sobre a atual crise energética. O social-democrata considera que as recomendações comunicadas na semana passada foram "muito pouco" e chegaram "muito tarde".
No programa Conversas Cruzadas, o antigo ministro entende que as mesmas não prometem nada de muito significativo e são um indicador das dificuldade que a União Europeia vive neste momento em processos de decisão.
Miguel Poiares Maduro considera que, face ao contexto internacional, era necessário haver mais União Europeia e que a dificuldade pode estar na elevada fragmentação política do espaço europeu.
Novo apagão? "Continuamos sem capacidade de resposta"
Fernando Medina e Miguel Poiares Maduro reconhecem que nível de preparação do país para lidar com situações como o apagão de 28 de abril de 2025, continuam num nível baixo.
No programa Conversa de Eleição da Renascença, Miguel Poiares Maduro recorda o que aconteceu durante as tempestades do início do ano para sublinhar que durante esse período foi notado que, "na resposta a crises, o país continua a não ter uma capacidade de resposta", sublinhando as falhas detetadas na proteção civil e na rede SIRESP.
"Há lições mais profundas a tirar relativamente ao sistema de respostas em emergências desde o SIRESP que voltou a falhar à proteção civil e a outros mecanismos de resposta que o país tem de estar preparado", sublinha.
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Também Fernando Medina reconhece que o país não está ainda preparado. O socialista e antigo ministro das Finanças admite que em termos de gestão da rede tenha havido ensinamentos e capacidade de compreender como é que um evento extremo ocorrido em Espanha influencia Portugal, mas acredita que não se tenha ainda avançado com investimentos nesse sentido.
O antigo governante considera que "não há nenhum plano de ação e, que, por isso, a vulnerabilidade mantém-se por inação das autoridades do Estado".
Fernando Medina recorda também o que aconteceu nos primeiros meses do ano na época de cheias para realçar o que considera ser "completa incapacidade do Governo e do Estado em se organizarem". "Se amanhã voltasse a acontecer um fenómeno de natureza semelhante, o grau de preparação ia ser exatamente o mesmo: muito baixo", defendeu.
O "mau regresso" de Pedro Nuno Santos e o futuro "indispensável" de Duarte Cordeiro
Fernando Medina critica as declarações feitas pelo antigo secretário-geral do PS, no dia em que regressou como deputado à Assembleia da República. O socialista considera que as declarações de Pedro Nuno Santos foram "negativas" e que o antigo líder do PS acabou por ter "um mau regresso".
O antigo ministro do PS e colega de governo de Pedro Nuno Santos considera que o ex-líder dos socialistas poderia ter optado por comentar os temas em discussão que no mercado laboral ou até na saúde, ou por fazer uma avaliação à liderança do próprio no PS e lamenta que Pedro Nuno Santos tenha escolhido um discurso "virado para dentro do partido com ataque a camaradas".
Fernando Medina considera que o primeiro alvo muito visível foi Duarte Cordeiro e fala mesmo em "ajuste de contas pessoal" do ex-líder do PS com o antigo ministro do Ambiente, que diz "ficar mal" a Pedro Nuno Santos.
O antigo ministro das Finanças reconhece ainda Duarte Cordeiro como um nome "indispensável do passado, do presente e do futuro" do PS. Questionado sobre se considera Duarte Cordeiro um potencial líder do PS, Fernando Medina reconhece qualidades no socialista, mas defende que este ainda não é o momento para se discutir a futura liderança.
















