Conversa de Eleição

Lei laboral. "Acabem já com esta fantochada"

04 mai, 2026 - 19:58 • Filipa Ribeiro

O antigo ministro das Finanças, Fernando Medina, acusa o Governo de levar a cabo uma "farsa" nas negociações sobre a nova lei laboral e admite que a mesma "vai cair com estrondo no Parlamento". O socialista coloca a ministra do Trabalho na lista de saídas do Governo. Também Miguel Poiares Maduro do PSD considera mais fácil uma aproximação do Governo com a UGT sobre a nova lei do que com o Chega no Parlamento.

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Fernando Medina considera que a negociação do Governo com os parceiros sociais sobre a nova lei laboral "é uma farsa" e espera que, na quinta-feira, se termine com a "fantochada". Na Renascença, o antigo ministro das Finanças entende que o Executivo "tem responsabilidade sobre o falhanço" do processo negocial e entende que a discussão deve seguir para o Parlamento.

A semana será decisiva para o diploma que está a ser negociado. O Governo e os parceiros sociais voltam à mesa da Concertação Social esta quinta-feira e, no programa Conversa de Eleição, Fernando Medina admite que será óbvio que, no Parlamento, o PS votará contra o diploma — uma posição com a qual diz concordar — e reforça que, uma vez que o Chega colocou como contraproposta para negociar o diploma a diminuição da idade da reforma, o diploma cairá "com estrondo". "É óbvio que isso não será aceite pelo Governo e, por isso, a reforma laboral irá cair com estrondo, como merece", afirma.

Para o social-democrata Miguel Poiares Maduro, era desejável que a discussão se mantivesse, uma vez que considera essencial que exista "paz social" no país. No entanto, o antigo ministro do PSD considera que, mesmo sem acordo em Concertação Social, o Governo mantém a "legitimidade" para avançar com a proposta no Parlamento.

Miguel Poiares Maduro sublinha que "existe pouca probabilidade de a legislação passar" se o Governo avançar para a Assembleia da República sem o apoio dos parceiros sociais. Uma vez que o PS já mostrou não ter abertura para discutir a reforma laboral, Miguel Poiares Maduro reconhece que o Executivo pode avançar com a discussão e a negociação com o Chega; no entanto, avisa que, tendo em conta as posições do Chega, é provável que o acordo continue longe.

"Atendendo às posições que o Chega tem tido, não acredito que exista margem para o Governo ter um acordo melhor e mais próximo daquilo que entende serem os princípios fundamentais com o Chega do que, por exemplo, com a UGT", defende.

Lei laboral chumbada. Ministra mantém legitimidade?

Fernando Medina considera que a imagem da ministra, em cenário de chumbo da nova lei laboral, fica "péssima". O antigo ministro das Finanças critica a gestão que está a ser feita por Rosário Palma Ramalho na discussão do novo pacote laboral. Acusa a governante de ter elegido uma estratégia política "retrógrada" para conduzir a discussão de forma "incompetente". Fernando Medina classifica o processo como "inaceitável". "A ministra do Trabalho está na linha da ministra da Saúde para sair no primeiro momento em que o primeiro-ministro decida fazer uma remodelação no Governo", defende.

Já Miguel Poiares Maduro entende que o papel da ministra do Trabalho "não se esgota" com o chumbo de um diploma, mas considera que a própria "estará em condições de avaliar se há mais coisas que pode fazer no âmbito das suas competências".

Operação Influencer. "António Costa deve uma explicação"

Miguel Poiares Maduro diz que António Costa "deve uma explicação" depois das escutas publicadas na semana passada pela TVI/CNN, que apontam para uma contradição entre o que foi dito pelo antigo primeiro-ministro no início do processo Influencer e o tema das chamadas sobre a Start Campus, em Sines.

O social-democrata considera "censurável" a publicação de escutas de um processo judicial, mas entende que as mesmas devem ser discutidas quando têm matéria de interesse público. Desta forma, Miguel Poiares Maduro considera que António Costa "deve uma explicação" sobre o facto de ter dito inicialmente que não tinha conversado com Diogo Lacerda Machado sobre o projeto em Sines e de esse ser o tema da conversa divulgada nas escutas.

Já Fernando Medina recusou comentar as escutas. No programa da Renascença, o socialista e antigo ministro do Governo de António Costa, que caiu com a Operação Influencer, condenou a divulgação das escutas. "As escutas que são divulgadas de forma seletiva, sem enquadramento, de forma totalmente ilegal por quem tem o objetivo de fazer isso", alertou.

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