Conversa de Eleição

Incêndios: "Temo que venhamos a ter um Verão muito complicado"

25 mai, 2026 - 20:19 • Filipa Ribeiro

O antigo ministro para a Desenvolvimento Regional, Miguel Poiares Maduro, considera que será curto o tempo para aplicar as medidas do Governo que financiam a limpeza das regiões afetadas pelas tempestades. Já o socialista Fernando Medina considera "dificilmente admissível" que o Estado não esteja preparado para lidar com os incêndios.

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Incêndios: “Temo que venhamos a ter um verão muito complicado”

Numa altura em que há um reforço de meios no terreno para o combate a incêndios e ainda decorrem os trabalhos de limpeza de terrenos nas regiões afetadas pelo mau tempo, o antigo ministro do PSD Miguel Poiares Maduro diz "temer" que o próximo Verão seja "muito complicado" em matéria de fogos florestais.

O social-democrata considera importantes algumas medidas tomadas, mas recorda que as consequências da passagem das tempestades no início do ano trazem um risco acrescido para o país. No programa Conversa de Eleição, da Renascença, Miguel Poiares Maduro diz que a medida do Governo para financiar a limpeza de terrenos é "importante", mas avisa que "não será fácil aplicar e em pouco tempo".

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O antigo governante recorda que cresceu na região Centro e que, pelo que conhece, há muitas pequenas propriedades e de vários proprietários o que "torna muito difícil acionar os mecanismos de limpeza".

Por outro lado, Poiares Maduro lembra que o comboio de tempestades mostrou que os municípios não têm recursos suficientes. "Gostaria que aquilo que está a ser feito fosse suficiente para impedir riscos para o Verão, mas temo que venhamos a ter um Verão muito complicado", afirma.

Incêndios: "Temo que venhamos a ter um Verão muito complicado"
Incêndios: "Temo que venhamos a ter um Verão muito complicado"

Por outro lado, o socialista Fernando Medina considera "dificilmente admissível" que o país não esteja preparado para lidar com os incêndios do próximo Verão.

O antigo ministro do PS sustenta-se no facto de o país já ter passado por crises relacionadas com incêndios anteriormente e ainda com o facto de este ano existir a consciência de que o risco poderá ser maior.

"Já está toda a gente preparada para que possamos ter níveis adicionais de dificuldade e por isso eu creio que é dificilmente admissível se não tivermos uma capacidade de resposta na preparação desses eventos e no decorrer desses eventos", diz.

Uma eventual falha depois da crise do início do ano com as tempestades será "sinal de que o país não aprendeu nada", na opinião de Fernando Medina.

Seguro será "mais ativo que aquilo que muitos esperavam"

Depois de terem sido divulgadas pela comunicação social as conclusões de um relatório de António José Seguro sobre a crise de tempestades do início do ano, Miguel Poiares Maduro conclui que o Presidente da República será "muito mais ativo do que muitos esperavam e pensavam".

O social-democrata acredita que António José Seguro pode redefinir a própria função presidencial dentro de um quadro que lhe parece "absolutamente constitucional" com escolhas legítimas.

Miguel Poiares Maduro considera que iniciativas de Belém como o relatório "aumentam a pressão" sobre o Governo e torna "mais transparente e claro" quais serão os critérios do Presidente da República de avaliação do que o Governo vai fazer.

O socialista Fernando Medina considera que António José Seguro tem sido "cauteloso nos passos que vai dando" e compara o percurso do atual Presidente da República com o antecessor Marcelo Rebelo de Sousa, recordando que o antigo chefe de Estado chegou a ir para o terreno "pedir a demissão de ministros".

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