Conversa de Eleição
Poiares Maduro: "Passos compreende que, provavelmente, o seu tempo político já passou"
01 jun, 2026 - 22:43 • Filipa Ribeiro
Miguel Poiares Maduro foi ministro-adjunto de Passos Coelho e considera que o antigo primeiro-ministro não pretende regressar à política ativa, por ter optado por uma estratégia assente em declarações que geram desagrado no PSD. Maduro compreende que as palavras usadas possam ter sido "fortes demais". Fernando Medina aponta para uma imagem "fragilizada" do antigo governante.
Miguel Poiares Maduro considera que se Pedro Passos Coelho pretendesse regressar ao poder teria optado por outra estratégia e entende que as declarações que o antigo governante tem proferido não estão de acordo com essa intenção, pois não trazem grande popularidades dentro do PSD onde teria que ser novamente eleito para voltar à política.
No programa Conversa de Eleição, da Renascença, Poiares Maduro, que foi ministro-adjunto no governo de Passos Coelho, analisa as últimas intervenção do ex-primeiro-ministro: "Acho que, se ele pretendesse e tivesse uma estratégia realmente de regresso ao poder, não se coadunaria bem com este tipo de intervenções, até porque muitas vezes elas não lhe trazem grande popularidade dentro do seu próprio partido do qual ele dependerá para regressar ao poder", defende.
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O social-democrata olha para as intervenções de Passos Coelho como "expressão de alguém que compreende que, provavelmente, o seu tempo político já passou".
Se Passos Coelho pretendesse e tivesse uma estratégia realmente de regresso ao poder, não se coadunaria bem com este tipo de intervenções
Miguel Poiares Maduro diz não ter "competência" para concluir a quem se referia o antigo-primeiro ministro quando falou em "políticos postiços" e "prostitutos sem carácter". Do que diz ter privado com o antigo primeiro-ministro acredita que o discurso teve um contexto por estar inserido na apresentação de um livro, embora reconheça que as palavras usadas são "fortes". Até "poderão ser entendidas como fortes demais", reforça.
Miguel Poiares Maduro desvaloriza e recorda que o antigo primeiro-ministro já foi interventivo sobre matérias diferentes desde a vontade reformista do Governo a outras propostas de políticas públicas. O social-democrata entende ainda que o atual primeiro-ministro, Luís Montenegro, deve "colocar-se acima" de todas as intervenções porque ao liderar o Governo tem uma vantagem sobre todos os políticos: "ser bem sucedido e continuar a conquistar os cidadãos", defende Poiares Maduro.
Do lado socialista, Fernando Medina considera que a última declaração de Pedro Passos Coelho não deve ser desligada das anteriores e coloca o antigo primeiro-ministro como um dos "atores mais incisivos na crítica à governação".
O antigo ministro das Finanças do PS acredita que as posições de Pedro Passos Coelho resultam de "inconformismo".
Medina entende que Passos Coelho tem identificado "bem o problema e o momento", mas mantém uma "resposta insuficiente" por não apresentar alternativas. O socialista acredita que o antigo primeiro-ministro "ficará sempre fragilizado se assentar a afirmação exclusivamente na crítica".
Operação "Imergente". Medina coloca na mão dos vereadores suspensão de mandato
Fernando Medina, também antigo presidente da Câmara de Lisboa, entende que este é o momento da justiça trabalhar na operação "Imergente", que envolveu vários nomes do universo do Partido Socialista.
Operação "Imergente"
PS só exige suspensão dos dois vereadores de Lisboa se forem acusados
A cúpula socialista salienta presunção de inocênci(...)
O antigo autarca e ex-ministro das Finanças deseja que o processo seja rápido e coloca nas mãos dos dois vereadores da Câmara de Lisboa constituídos arguidos a decisão sobre se devem suspender o mandato.
Fernando Medina recorda que no PS a "doutrina estabelecida é a de que "o titular de cargo político deve deixar o lugar no momento em que seja confirmada a acusação por um juiz de instrução ou caso tenha havido uma condenação em sede de primeira instância judicial" e que, por isso, noutro quadro a decisão deve depender da "consciência de cada um".
O socialista não quis impor um critério e no programa Conversa de Eleição, da Renascença, acaba a criticar Carlos Moedas por ter nomeado para um cargo uma pessoas que anteriormente afastou de funções, numa referência a Vasco Morgado para diretor de planeamento e produção de eventos da Lisboa Cultura EGEAC.
Já Miguel Poiares Maduro sublinha a necessidade de a justiça ser célere nos processos e entende que não se pode ignorar que estas operações suscitam questões de uma excessiva proximidade entre os partidos políticos e a máquina da administração pública. Defende que deve ser reforçado o processo de autonomia e Independência da administração pública e desde logo nos processos de nomeação.

















