Conversa de Eleição
Poiares Maduro "chocado" pede que Governo "reconsidere" critérios da PSU
08 jun, 2026 - 22:11 • Filipa Ribeiro
Antigo ministro do PSD critica a obrigatoriedade de trabalho social e os 16 mil euros de património definido para o acesso à Prestação Social Única na proposta do Governo. Poiares Maduro pede ao executivo que "reconsidere" algumas medidas. Já Fernando Medina, antigo ministro das Finanças do PS, fala em "demagogia" na proposta e acusa executivo de querer agradar o eleitorado do Chega.
O antigo ministro do PSD Miguel Poiares Maduro sublinha "pontos negativos" na proposta do Governo para a Prestação Social Única (PSU). O social-democrata entende que é "pouco" o teto definido como valor do património para se ter acesso à PSU (cerca de 16 mil euros) e confessa estar "um pouco chocado" com a obrigação de trabalhar considerando que "o Governo devia claramente reconsiderar" a medida.
No programa Conversa de Eleição, da Renascença, Miguel Poiares Maduro reconhece que a proposta também tem aspectos positivos como "a ideia de que a pessoa pode continuar a receber parte da prestação, mesmo quando já tem emprego", mas confessa ter "algumas dúvidas" sobre outras condições como a questão da avaliação do património. "Só o simples facto de alguém ter um carro não pode ser impeditivo de receber uma prestação. Agora, se alguém tiver um Ferrari e um apartamento de luxo e tiver a receber prestações dessas, aí já é um indicativo de um elemento que se calhar não devia estar a receber", diz.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
O social-democrata insiste que o Governo deve "ponderar" aspectos da proposta para a PSU que vai a debate no parlamento ainda esta semana, reconhecendo que a criação de uma PSU agregadora de pensões e subsídios é "importante" até por ser uma condição a cumprir no âmbito do PRR.
Fernando Medina, antigo ministro das Finanças do PS – partido que alinhou com a criação da PSU na altura do Governo de António Costa –, fala em "demagogia" e de uma proposta que "não cumpre" os objetivos da proposta que vem do tempo do Partido Socialista".
Para o antigo ministro das Finanças, "o Governo tem feito uma campanha em torno da prestação muito alicerçada no discurso demagógico". Sobre o trabalho solidário obrigatório, Fernando Medina sublinha que foi o autor da legislação que ainda existe sobre os contratos de emprego e inserção relativos à prestação de trabalho em instituições de solidariedade social por parte daqueles que recebem prestações de índole contributiva e entende que ao trazer isso como uma novidade até com um caráter punitivo "é voltar ao discurso mais demagógico de uma direita arcaica preconceituosa".
Fernando Medina critica a criação de um canal para denúncias anónimas por causa de fraude nestas prestações e questiona o primeiro-ministro: "Porque é que ele não coloca um canal para denúncias anónimas sobre fraudes fiscais? Porque é que não vamos passar agora a ser todos denunciantes uns dos outros e porque não de todos aqueles que metem fraudes fiscais que têm um valor muitíssimo superior destas prestações", pergunta.
Sobre o critério e a nova definição do valor do património para o acesso à PSU, Fernando Medina fala numa diminuição do acesso uma vez que atualmente há um limite na ordem dos 30 mil euros. "Esta diminuição é completamente contrária àquilo que era um dos objetivos fundamentais", defende.
O antigo ministro das Finanças critica ainda a obrigatoriedade do trabalho social para garantir a PSU. "É um retrocesso muito grande e muito é feito para agradar ao Chega", afirma.
A proposta do Governo para a criação da nova PSU vai a debate na sexta-feira, no parlamento. Face às críticas e declarações que têm surgido o primeiro-ministro prometeu esclarecer todas as dúvidas. “Com certeza que vamos responder às dúvidas antes do debate [na Assembleia da República]", disse Luís Montenegro.















