Conversa de Eleição

Aliança AD e Chega? "Resta saber se Montenegro está à procura da crise política"

15 jun, 2026 - 20:51 • Filipa Ribeiro

Fernando Medina não tem dúvidas de que "já são vários os temas" que mostram que o Chega é o parceiro preferencial do Governo e aconselha o primeiro-ministro a iniciar conversações com o Chega sobre a viabilização do próximo orçamento. Já Miguel Poiares Maduro entende que as duas reuniões entre Ventura e Montenegro representam apenas "duas partes que querem transmitir a ideia de que têm disponibilidade para negociar".

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Aliança AD e Chega? "Resta saber se Montenegro está à procura da crise política"

No espaço de uma semana, o primeiro-ministro reúne-se pela segunda vez com o presidente do Chega e Fernando Medina não tem dúvidas de que "já são vários os temas" que mostram que o Chega é já o parceiro preferencial do Governo. O antigo ministro das Finanças, do PS, diz que "resta saber se Luís Montenegro não está mesmo à procura que haja uma crise política".

Questionado sobre se é também defensor de que o PS deve chumbar o Orçamento do Estado – à semelhança do que defendeu já Eduardo Ferro Rodrigues – o antigo ministro das Finanças não vai tão longe, mas entende que "quem age da maneira" como está a agir Luís Montenegro "ou tem garantias de que o Chega viabiliza o Orçamento do Estado ou está preparado para governar em duodécimos".

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No programa Conversa de Eleição da Renascença, Fernando Medina admite que se pode colocar um horizonte de uma crise política, que o Governo pode depois atirar para "cima" do PS. No entanto, o ex-governante recorda que já são vários os dossiês em que houve entendimento entre AD e Chega e aconselha o primeiro-ministro a iniciar conversações com o Chega sobre a viabilização do próximo Orçamento.

Já para o social-democrata Miguel Poiares Maduro, os dois encontros entre André Ventura e Luís Montenegro não são sinal de que o Chega é o parceiro do Governo. "Se fosse esse o caso, havia uma contradição com aquilo que sempre disse o primeiro-ministro", sublinhou.

O social-democrata recorda que Luís Montenegro disse que não tinha parceiros preferenciais e que iria negociar com todos os partidos que demonstrassem disponibilidade e entende que é disso que se trata.

Miguel Poiares Maduro acredita que os encontros destes dias "são mais performativos" e duvida que dos mesmos saia algum tipo de acordo, devido às linhas vermelhas que têm sido apresentadas dos dois lados – como a diminuição da idade da reforma defendida pelo Chega para a nova lei laboral.

Para Poiares Maduro, os dois encontros no espaço de uma semana representam apenas: "Duas partes que querem transmitir a ideia de que têm disponibilidade para negociar".

Aliança AD e Chega? "Resta saber se Montenegro está à procura da crise política"
Aliança AD e Chega? "Resta saber se Montenegro está à procura da crise política"

Operação Imergente. "Gostaria que o MP explicasse um bocadinho melhor"

Miguel Poiares Maduro teme que "o Ministério Público tenha uma lógica de arrasto que leva a não diferenciar aquilo que é verdadeiramente importante e aquilo que não é".

O social-democrata não compreende o que estará a motivar a constituição do presidente da Câmara da Amadora como arguido na "Operação Imergente".

De acordo com o Observador, o autarca é constituído arguido por não ter cumprido com as regras de contratação pública num contrato celebrado entre a autarquia e a empresa de um assessor do PS para a elaboração de um discurso para a cerimónia do 25 de Abril.

Miguel Poiares Maduro entende que os valores em causa "encaixam perfeitamente dentro daquilo que pode acontecer por ajuste direto".

O social-democrata "gostaria que o Ministério Público explicasse um bocadinho melhor".

Acordo EUA-Irão. Estabilidade económica vai voltar?

O antigo ministro das Finanças afirma que o impacto do novo acordo entre Estados Unidos e Irão será "claramente positivo" nos combustíveis e por arrasto a inflação tenderá a não escalar. Fernando Medina considera o anúncio do acordo a ser assinado na sexta-feira como "boa notícia" depois de na semana passada ter sido anunciado um aumento das taxas de juro.

Por outro lado, Fernando Medina considera que documento em causa vai reforçar a capacidade do regime iraniano e sublinha o mau estar já sentido entre Israel e os EUA.

Miguel Poiares Maduro entende que é positiva a possibilidade de haver um acordo entre Estados Unidos e Irão, mas realça que se trata apenas de um acordo de cessar-fogo que traz muitas questões sobre o que acontecerá depois do período de 60 dias onde serão definidos detalhes para a versão final.

O social-democrata considera que é positiva a reabertura do Estreito de Ormuz, uma vez que representa uma descida do preço do petróleo trazendo vantagens para a economia mundial, contudo entende que o conteúdo que é ainda desconhecido e o prazo tão curto pode tonar "bastante improvável" que o acordo de paz se consiga celebrar.

Miguel Poiares Maduro acredita que o cessar-fogo se deve manter até novembro – momento de eleições intercalares nos EUA –, mas sem garantia de paz.

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