Dúvidas Públicas

Até 4% do combustível consumido em Portugal chega de Espanha de forma ilegal

10 jan, 2026 - 08:00 • Sandra Afonso , Arsénio Reis

A denúncia é feita pelo secretário-geral da EPCOL, que representa as empresas petrolíferas. António Comprido pede penalizações efetivas, "não podem ser multinhas", e fiscalização. Em entrevista ao programa Dúvidas Públicas da Renascença, este especialista analisa ainda a evolução dos preços, o anúncio precipitado do fim dos motores a combustão e o impacto da exploração do petróleo da Venezuela pela administração Trump.

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Petróleo venezuelano? "O impacto não será muito grande nem imediato"
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Entre 3% a 4% dos combustíveis consumidos em Portugal chegam ao país pela fronteira espanhola em camiões cisterna, de forma ilegal, sem pagarem impostos nem passarem por controlos de qualidade.

São números avançados à Renascença por António Comprido, que já se queixava da importação ilegal de combustível quando estava à frente da APETRO. A associação mudou de nome, para EPCOL, em 2024, mas este problema mantém-se sem resolução.

Em entrevista ao programa Dúvidas Públicas, o secretário-geral da associação de Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes diz que este stock ilegal está à venda em postos de abastecimento e bombas de superfícies comerciais, e é comercializado diretamente com indústrias e empresas de transportes.

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António Comprido diz que é necessário alterar a lei, para que as punições desincentivem os infratores, e garantir meios à fiscalização.

O representante das petrolíferas antecipa ainda que o preço do petróleo deverá manter-se "estável" a médio prazo e defende que nem o mercado nem os Estados Unidos precisam neste momento das reservas de petróleo da Venezuela. Segundo António Comprido, a exploração das maiores jazidas do mundo pelos norte-americanos não terão impacto nos preços negociados a nível internacional.

O secretário-geral da EPCOL desconstrói ainda o verdadeiro valor do petróleo venezuelano para Donald Trump, que mais do que o ouro negro em si, pesado e de refinação exigente, é geoestratégico.

No plano ambiental, volta a criticar as metas impostas por Bruxelas para a transição energética e espera por mais recuos, como o alargamento da venda de motores a combustão após 2035. Para António Comprido, o futuro energético passa pela "diversificação", com a coexistência de várias tecnologias.

Este é um setor "resiliente", mas "as soluções tecnológicas não devem ser impostas por via legislativa", defende. "Compete à ciência, compete aos mercados, compete aos consumidores, escolherem quais são as soluções que mais satisfazem as suas necessidades, e nós assistimos nas últimas décadas a uma imposição por via legislativa que nos parece incorreto", conclui.

O Programa de economia da Renascença, Dúvidas Públicas, é transmitido aos sábados, a partir do meio-dia, e está disponível nas plataformas de podcast, no YouTube e em rr.pt.

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