31 jan, 2026 - 08:00 • Sandra Afonso , Arsénio Reis
No próximo dia 8 de fevereiro o país decide quem será o novo Presidente da República, mas também o novo presidente honorário da COTEC Portugal – Associação Empresarial para a Inovação. Este é outro dos chapéus inerentes ao cargo, depois do antigo Presidente Jorge Sampaio ter criado a associação, para incentivar a inovação entre as pequenas e médias empresas.
A diplomacia económica tem sido acarinhada pelos residentes do Palácio de Belém, entre outras funções, embora esta campanha para as eleições presidenciais nem sempre tenha destacado o âmbito de atuação do chefe de Estado. “Tem havido uma grande confusão", segundo o Presidente da COTEC Portugal, Filipe de Botton.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Em entrevista ao programa Dúvidas Públicas, da Renascença, o chairman da Logoplaste sublinha que "o Presidente da República não governa, nem é para isso que é eleito”, têm sido confundidas as funções do cargo com as do chefe de Governo na corrida a Belém.
Filipe de Botton recusa falar sobre os dois candidatos ainda na corrida - António José Seguro e André Ventura -, mas explica o que espera do novo Presidente da República, enquanto presidente honorário da COTEC Portugal: "A sua grande função é cooperar, ajudar a desenvolver, ajudar a discutir grandes ideias para ajudarmos Portugal".
Nesta entrevista ao programa Dúvidas Públicas, Filipe de Botton apontou ainda os desafios e oportunidades da economia portuguesa, passando pela inovação, o impacto do PRR no financiamento empresarial, a necessidade de simplificação burocrática e o papel do contexto internacional. O empresário destaca o potencial das empresas nacionais, a relevância da colaboração entre universidades e empresas, e a urgência de reformas estruturais para aumentar a competitividade.
Botton, que fundou com o pai a terceira maior empresa de plástico rígido da Europa, a Logoplaste, diz que a atual presidência de Donald Trump nos Estados Unidos é um “despertar brutal” e avisa que nada voltará a ser como dantes.
A catadupa de leis que constantemente estão a sair da Comissão Europeia é asfixiante
Avisa também que as empresas só sobrevivem se saírem do mercado europeu, onde o excesso de leis asfixia os negócios. "A catadupa de leis que constantemente estão a sair da Comissão Europeia é asfixiante, o que leva a que as empresas estejam a perder competitividade", explica. "Não vou conseguir sobreviver a 50, 100 anos, se pensar que o meu mercado é só Europa", acrescenta.
Defende que as empresas têm que se diferenciar e para isso têm de inovar, já ninguém se destaca pela qualidade ou pelo preço. É ainda importante terem escala e, mais do que venderem para o exterior, procurarem a internacionalização. Dá como exemplo a Logoplaste, que tem dezenas de fábricas no estrangeiro.
A crítica é antiga mas continua tão atual hoje, como ontem. O excesso de burocracia continua a ser um dos principais entraves aos negócios e penaliza a competitividade e a produtividade do país.
De acordo com Filipe de Botton, os empresários enfrentam três níveis de burocracia: "a lei portuguesa, a lei europeia e o achismo", que pode representar "anos de espera".
DÚVIDAS PÚBLICAS
O Professor de economia do ISEG, Ricardo Cabral, d(...)
O presidente da COTEC critica ainda a "multitude de institutos" que foram sendo criados e que acabou por retirar "poder, conhecimentos e competências" aos ministérios, como a Agricultura, a Economia ou o Ambiente. Questionado sobre se está contra a descentralização, explica que o problema não é a aproximação ao terreno, mas a criação destes "centros de poder", o problema é que "as CCDR têm poder e já não é o ministro".
O empresário defende ainda que, hoje, não faz sentido falar em centros de decisão, as maiores empresas têm capital de várias origens, esta questão só se coloca se a empresa for nacionalizada.
Na mesma linha, para Filipe de Botton, o Governo não deve interferir na fusão da Galp com a espanhola Moeve, mesmo que seja para garantir o controlo da única refinaria do país. "Não faz qualquer sentido", diz.
Sobre a execução do PRR, lembra que Portugal chega sempre em esforço ao último ano dos programas dos fundos europeus, este não será excepção. Mas garante que o dinheiro está a chegar às empresas, através do Banco de Fomento.
O presidente da COTEC deixa ainda um forte elogio à nova geração de empresários portugueses, que considera “extraordinária”.