Dúvidas Públicas
UGT avisa que quem aprovar alterações à lei "terá de assumir conflitualidade laboral que será criada"
14 mar, 2026 - 08:00 • Sandra Afonso , Arsénio Reis
Em entrevista à Renascença, o secretário-geral da UGT acusa Governo e patrões de negociarem a revisão da lei laboral numa frente unida, em que a UGT é o “arguido”. Mário Mourão diz que não voltará a participar sozinha, defendendo a inclusão da CGTP nas conversações, e critica o líder parlamentar do PSD, “que exigiu ao PS que ponha ordem na UGT”. Nesta altura, 15 artigos impedem um acordo e fuca o aviso: sem a assinatura da UGT “volta tudo atrás” e o Governo entrega no Parlamento a proposta inicial.
O secretário-geral da UGT diz que na segunda-feira volta às negociações sobre o pacote laboral, de onde “nunca saíram”. Foram os patrões que anunciaram o fim dos trabalhos, no final do último encontro, garante Mário Mourão.
Em entrevista ao programa Dúvidas Públicas, da Renascença, o sindicalista explica que a UGT já garantiu o consenso em 61 artigos e conseguiu aprovar 10 das propostas que apresentou, e não 28 como anunciou nos últimos dias o primeiro-ministro, Luís Montenegro. A impedir um acordo estão neste momento 15 normas, as traves-mestras do executivo AD.
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Mário Mourão rejeita e até devolve as acusações de intransigência, explica que não assinaram o acordo porque ainda não estavam reunidas as condições e volta a lembrar que a UGT “não passa cheques em branco”.
Diz ainda que “há muita gente a falar da UGT e nem sequer sabem do que falam”. Uma crítica a Hugo Soares, líder parlamentar do PSD, que terá pedido ao PS que “ponha ordem na UGT ou nos socialistas na UGT”. Uma declaração “infeliz”, conclui.
Exclusivo Renascença
UGT quer inclusão da CGTP nas negociações sobre lei laboral
Em entrevista ao programa Dúvidas Públicas, da Ren(...)
Critica o Ministério do Trabalho, por não fazer o papel de árbitro como lhe compete. Diz que se sente um réu nas reuniões, confrontado pelo executivo e pelas confederações patronais, e defende que a CGTP volte a ser convocada para os encontros sobre o pacote laboral.
Do "outsourcing" ao prolongamento dos contratos a prazo, passando pelo banco de horas individual e pela reintegração dos trabalhadores despedidos de forma ilícita, o secretário-geral da UGT explica as linhas vermelhas dos sindicatos e até onde estão dispostos a ceder.
Nesta entrevista ao programa da Renascença Dúvidas Públicas, Mário Mourão assegura que ainda é possível um entendimento.
Sem a assinatura da UGT, o Governo já anunciou que “volta tudo atrás” e a proposta que será entregue na Assembleia da República será o projeto inicial, com eventuais contributos dos patrões.
“Quem aprovar [as alterações à lei] terá de assumir a conflitualidade laboral que será criada em Portugal”, avisa Mário Mourão, caso não haja acordo em Concertação Social. Neste cenário, promete “não dar tréguas” aos deputados e deixa a porta aberta ao regresso dos protestos à rua, sozinhos ou acompanhados, o que não exclui uma nova greve geral.








