Dúvidas Públicas

Vendas anuais da indústria nacional de defesa já rondam os 11 mil milhões

28 mar, 2026 - 08:00 • Sandra Afonso , Arsénio Reis

O setor atingiu em 2024 um novo recorde no volume de negócios e deverá voltar a fixar novos máximos em 2025, avança à Renascença o presidente da idD Portugal Defense, a holding estatal que gere as participações na Defesa. Ricardo Pinheiro Alves garante ainda que já não se justificam as críticas de antigas chefias militares à falta de investimento nesta área. Nesta entrevista, comenta também os recados do secretário-geral da NATO à indústria e o negócio dos drones de Gouveia e Melo.

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Indústria nacional de defesa "vai ter o melhor ano de sempre"
Indústria nacional de defesa "vai ter o melhor ano de sempre"

Na semana em que a NATO confirmou que Portugal já atingiu a meta para a despesa em defesa, 2% do Produto Interno Bruto (PIB), o presidente da holding estatal que gere as participações públicas neste setor, Ricardo Pinheiro Alves, diz à Renascença que temos de continuar a aumentar este investimento.

Em entrevista ao programa Dúvidas Públicas, o presidente da idD Portugal Defence anuncia que as vendas anuais da indústria da defesa voltaram a atingir um novo máximo em 2024. As contas ainda não foram anunciadas, mas segundo o economista o volume de negócios aumentou cerca de 3 mil milhões de 2023 para 2024, de 8 mil milhões para quase 11 mil milhões de euros.

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Ricardo Pinheiro Alves antecipa ainda que, em 2025, deverá ser atingido novo recorde: “as empresas participadas pela idD vão ter em 2025, as contas ainda não estão fechadas, mas vão ter o melhor ano de sempre, quer em termos de negócios, quer em termos de resultados líquidos. Vão crescer muito”, garante.

Subidas impulsionadas pelo aumento da procura, na sequência da invasão da Ucrânia, mas também pelo crescimento do orçamento para a Defesa, o que deita por terra os argumentos das antigas chefias militares, para criticarem a falta de investimento em novos equipamentos. “Não se justificam estas críticas”, garante, até “podiam fazer sentido há cinco anos, mas hoje em dia não”, acrescenta.

Os gastos com pessoal continuam a representar a maior despesa, mas sobe também o investimento e, sobretudo, a aposta em inovação e desenvolvimento, com a integração cada vez maior da Inteligência Artificial.

Explica o que produz neste momento a indústria nacional da defesa, que se reinventou com a aposta em novos produtos, como os drones, mas quer também recuperar conhecimento perdido, com a retoma da produção de munições.

Explora ainda a importância do duplo uso do material produzido por esta indústria – civil e militar – até para garantir o acesso a fundos europeus, que, por regra, não financiam projetos militares.

Defende mais participação privada nesta indústria, em linha com recentes declarações do almirante na reserva Gouveia e Melo, e explica porque é que a indústria não produz mais e mais depressa, como pediu esta semana o secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

Ricardo Pinheiro Alves elogia ainda o tema escolhido pelo novo Presidente da República para o primeiro Conselho de Estado: “Segurança e Defesa”. António José Seguro recebe os conselheiros a 17 de abril e o presidente da idD Portugal Defence espera que seja dada prioridade na discussão à situação de Portugal.

Ricardo destaca a importância da soberania nacional e a relevância estratégica do setor. “Continuamos dependentes dos EUA, temos de reduzir essa dependência, não porque os norte-americanos querem, e eles querem, mas porque nós devemos querer. Isso implica mais investimento”, adverte.

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