Dúvidas Públicas

Subida dos combustíveis vai atingir os preços do supermercado em junho e julho, alerta APED

23 mai, 2026 - 08:00 • Sandra Afonso , Arsénio Reis

Em entrevista à Renascença, o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição avisa que os preços vão continuar a aumentar: ainda não refletem o impacto total das tempestades e da subida do petróleo. Gonçalo Lobo Xavier critica o PTRR e a demora dos apoios, contabiliza a entrada de trabalhadores estrangeiros no setor e rejeita que a próxima greve geral tenha impacto no comércio.

A+ / A-
Subida dos combustíveis vai atingir os preços do supermercado em "junho e julho"
Subida dos combustíveis vai atingir os preços do supermercado em "junho e julho"

“Ao dia de hoje, em maio, os preços já estão completamente impregnados, não só do aumento dos custos de vários fatores de produção, como os aumentos salariais, mas já sentimos o impacto da guerra com o Irão”, garante o presidente da Associação de Empresas de Distribuição (APED). Ainda assim, vão continuar a subir.

Em entrevista ao programa de economia Dúvidas Públicas, da Renascença, Gonçalo Lobo Xavier explica que “já estávamos a sentir uma pressão dos preços desde outubro”, que acabou agravada pelo comboio de tempestades e pela subida do preço do petróleo, provocada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Em março, os preços começaram a refletir o impacto das tempestades, “mas ainda se vai sentir mais”, avisa. A subida do barril de petróleo também já chegou ao supermercado, mas será sobretudo visível em “junho e julho”, acrescenta.

Ainda não sentimos verdadeiramente o impacto deste aumento de combustíveis”, sublinha o diretor-geral da APED. “O conflito começa em fevereiro, em março ainda conseguimos aguentar alguma coisa”. Na prática, “se a situação se mantiver, junho e julho já vai refletir todo este esforço que está a ser feito e todo este impacto”, diz.

Alimentos com cacau, carne, peixe e ovos são os que mais têm aumentado. O caso dos ovos é o mais preocupante, porque esta é a proteína mais procurada pelas famílias carenciadas.

O presidente da APED critica a demora das medidas de apoio do Governo e pede soluções que protejam a produção nacional e a competitividade da economia, sobretudo face à concorrência espanhola.

PTRR? "Parece-nos curto"

Ao PTRR, o pacote de medidas apresentadas pelo executivo de Luís Montenegro em resposta aos prejuízos causados pelas tempestades e para prevenção futura, mostra o cartão vermelho. “Parece-nos curto, uma reformulação de algumas medidas que já estavam em vigor, desastroso porque as medidas vêm tarde e continuam a tardar em ver a luz do dia e a sua aplicabilidade no terreno”, diz.

Lamenta que o setor da distribuição tenha ficado de fora deste Plano, até porque não pediam “um cêntimo ao Governo”, mas medidas como a possibilidade das lojas armazenarem mais combustível para os geradores.

Defende que a economia e a agricultura têm de ter mais peso e apoio político no Conselho de Ministros, critica a falta de decisões e pede uma “via verde contra a burocracia”.

Distribuição com 11% de trabalhadores imigrantes

O diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição garante que o setor já não está associado aos baixos salários, mas tem tido dificuldade em contratar. Para responder a esta necessidade tem aumentado a contratação de imigrantes. Nos últimos cinco anos, os trabalhadores estrangeiros passaram de 4,7% para 11%.

Lamenta também que os parceiros sociais não tenham chegado a acordo sobre a reforma laboral e, em particular, medidas como o banco de horas individual.

Não antecipa que a próxima greve geral de 3 de junho, contra as alterações à Lei Laboral, vá fechar lojas ou ter impacto no comércio, em linha com o que já aconteceu antes.

“Por muito que às vezes possamos ver imagens nas televisões de alguns sindicalistas à porta de algum retalhista ou de alguma fábrica a dizer que está a ser um sucesso, esta loja está fechada, não. Isso não existe, não há impacto absolutamente nenhum. Como não houve impacto na greve geral [em 2025]”, assegura.

Para 3 de junho admite constrangimentos nos transportes. “No nosso setor em particular não adivinho uma grande mudança em relação ao que tem sido feito. Não adivinho perturbações nas lojas, nem lojas fechadas, nem nos nossos associados nenhuma perturbação. Não me parece que vá acontecer, não aconteceu antes, não vai ser agora”, defende.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque