Entrevista Renascença
Wolfgang Münchau: "Estarmos a gastar mais dinheiro em Defesa significa que somos um bocado estúpidos"
27 jun, 2025 - 11:00 • Sandra Afonso
O economista alemão critica a falta de estratégia na política europeia para a defesa e antecipa mais uma década de dependência da proteção norte-americana. Nesta entrevista explica ainda porque gripou o motor alemão e porque é que a Europa está e vai continuar sem líder. Projeta, pelo menos, duas décadas de declínio para a economia alemã e alerta para as consequências da perda de influência da Europa, o crescimento da direita radical e a dependência energética.
Na semana em que os países da NATO acordaram aumentar para 5% do PIB a despesa em Defesa, na cimeira que decorreu em Haia, o economista alemão Wolfgang Münchau destaca em entrevista à Renascença o que conseguiram os Estados-membros com este acordo e o que continua por fazer.
Aumentar a despesa com contratos militares garante, pelo menos, mais uma década de proteção à Europa, pelos Estados Unidos, porque continua dependente. No entanto, este vai continuar a ser dinheiro mal gasto, porque falta gestão e estratégia no setor, ao nível da União Europeia.
Esta Cimeira da NATO foi apenas o último exemplo, segundo o economista, da perda de influência da Europa, que se deixou ultrapassar no plano geopolítico, com consequências diretas e impactantes para as economias nacionais.
Wolfgang Münchau, diretor do Eurointelligence, explica ainda porque é que o milagre alemão já não funciona, uma ideia defendida no livro "Kaput - O Fim do Milagre" Alemão, nem o modelo económico europeu.
A economia alemã já não é, há anos, o motor da Europa, pelo contrário, está em declínio e assim deverá continuar, pelo menos mais duas décadas. Hoje a Europa não tem líderes.
São ideias explicadas nesta entrevista à Renascença pelo economista alemão, Wolfgang Münchau, que vai participar dia 2 de julho em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, na Conferência sobre “O futuro da Europa: Modelo Europeu e o Esgotamento do Milagre Alemão”, um evento que marca o início das comemorações dos 50 anos da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal.
É constrangedor ver líderes europeus a negociar com outras potências mundiais. Já não temos poder negocial?
Definitivamente, já tivemos mais. A carta servil enviada pelo secretário-geral da NATO a Donald Trump é um sinal de onde está a Europa hoje. É um contraste com a Europa de há 20, 22 anos, quando Dominique de Villepin, então secretário dos Negócios Estrangeiros francês, se levantou nas Nações Unidas e se manifestou contra os Estados Unidos. Hoje seria impensável.
A posição europeia está enfraquecida e não é apenas porque estamos desunidos, também estávamos divididos nessa altura. O Reino Unido, a Itália e Portugal tinham uma posição diferente da França e da Alemanha. Havia uma divisão, mas os europeus importavam nessa altura. Enquanto no impasse com o Irão, na semana passada, os europeus foram irrelevantes, ninguém falou com eles, nem sequer foram informados.
Isto é um sinal de fraqueza e reflete a nossa posição económica, a nossa posição geopolítica e a nossa falta de envolvimento com o mundo, a nossa diplomacia inconsistente. Por vezes estamos com os russos e outras contra eles. Tem sido uma confusão total.
A carta servil enviada pelo secretário-geral da NATO a Donald Trump é um sinal de onde está a Europa hoje. É um contraste com a Europa de há 20, 22 anos, quando Dominique de Villepin, então secretário dos Negócios Estrangeiros francês, se levantou nas Nações Unidas e se manifestou contra os Estados Unidos. Hoje seria impensável.
Em que áreas considera que somos mais vulneráveis e dependentes de outras potências mundiais?
Estamos claramente dependentes dos Estados Unidos para a segurança, isso ainda é verdade e continuará a ser por muito tempo. Mesmo que gastemos 5% da nossa economia em defesa, na verdade serão apenas 3,5%, mas mesmo assim continuaremos dependentes dos Estados Unidos durante pelo menos uma década.
A independência militar não depende de quanto gastamos. O importante é como gastamos, a organização e as nossas capacidades. Nós, europeus, ainda somos fragmentos nacionais.
Cada país tem a sua própria indústria de defesa. Estamos a duplicar sistemas de armas, há cerca de uma dúzia de sistemas de obuses na Europa, enquanto os Estados Unidos têm apenas um. Pode dizer-se o mesmo dos carros de combate e de todos os outros tipos de equipamento militar. Duplicamos tudo.
Acabamos por gastar mais dinheiro...
As coisas estão mais caras. Por exemplo, a munição na Europa é muito mais cara do que nos Estados Unidos e a Rússia paga uma fração do custo. O facto de estarmos a gastar mais dinheiro significa basicamente que somos um bocado estúpidos.
Em vez de tentarmos realmente obter mais pelo dinheiro que gastamos, estamos a tentar gastar mais dinheiro e isso não vai ajudar em nada.
Precisamos também de repensar a forma como fazemos defesa. Tudo isto é algo que deveria acontecer e, obviamente, não está a acontecer. É por isso que estou muito, muito pessimista quanto à independência dos europeus em relação aos Estados Unidos.
No impasse com o Irão, na semana passada, os europeus foram irrelevantes, ninguém falou com eles, nem sequer foram informados.
E dependemos do exterior só na defesa?
Existem muitas outras áreas de dependência. Por exemplo, dependemos da China para terras raras e ímanes de terras raras. Estas dependências com a China não mudaram, e a China está a usar o seu poder sobre estes itens a nível geopolítico.
Nas negociações comerciais com Donald Trump, os chineses impuseram o controlo das exportações de algumas destas matérias-primas ou minerais cruciais, provocando uma escassez significativa de fornecimentos nos Estados Unidos.
Este é um mundo diferente, e a Europa não está realmente preparada para este tipo de mundo hostil. Ainda vivemos na era da globalização, das instituições multilaterais, e estamos confusos quanto a isso.
Vemos isso na política externa, onde nós – adoraríamos desempenhar um papel global, e pensamos que temos direito a isso. Depois sentimo-nos insultados se ninguém nos fala. Porque é que quem está no Médio Oriente iria falar com os europeus? O que pode alcançar com isso?
Era diferente quando o Irão e os europeus negociaram o acordo nuclear com o Irão, na última década. Isso mudou completamente. As pessoas no mundo não olham para a Europa como antes. Já não estamos no centro das coisas. Somos uma parte periférica e envelhecida do mundo moderno.
As coisas estão mais caras. Por exemplo, a munição na Europa é muito mais cara do que nos Estados Unidos e a Rússia paga uma fração do custo. O facto de estarmos a gastar mais dinheiro significa basicamente que somos um bocado estúpidos.
No livro Kaput, diz que o milagre alemão acabou. Já falaremos sobre os motivos. Sem os alemães ao volante, quem conduz hoje a Europa?
Ninguém. E acho que a ideia de que alguém tem de conduzir a Europa está ultrapassada. Isso ainda acontecia nos anos 60, 70 e 80, quando alguém comandava a Europa. A França e a Alemanha comandavam a Europa e todos seguiam o exemplo.
O mundo está mais complicado. Temos divergências genuínas. Temos partidos de extrema-direita em todos os países, que dificultam muito a tomada de decisões políticas. Temos líderes de partidos que antes nem teríamos em coligações.
Tivemos líderes conservadores nacionais em Itália e na Polónia. Temos partidos de extrema-direita parcialmente no poder nos Países Baixos, na Suécia e na Finlândia. Está a tornar-se mais difícil, e os governos estão a tornar-se mais difíceis.
E os governos têm conseguido apresentar soluções?
Os governos não resolveram muitos problemas. Como jornalista, escrevi muito sobre a crise da zona euro, e nunca a resolvemos. Disfarçámos as fissuras, com políticas parcialmente muito más, que regressam para nos assombrar, como a austeridade, a incapacidade de investir, a incapacidade de nos reconectarmos com as mais recentes indústrias tecnológicas. Há enormes desenvolvimentos tecnológicos a acontecer no mundo e a Europa não está na vanguarda.
Uma das razões pelas quais o milagre alemão acabou, é porque era um milagre baseado na tecnologia do século XX. Uma Alemanha em declínio económico não consegue liderar a Europa. A França está em declínio económico e, principalmente, obcecada com a sua própria política, não pode liderar a Europa.
Nós não temos líderes na Europa. Mas a liderança não é apenas a pessoa, não é apenas escolher a pessoa certa. É sobre o país, e sobre o estado do país, o estado daquilo que essa pessoa representa. É isso que falta. Uma pessoa, ainda que muito carismática, não vai resolver o problema da Europa.
Mas a Europa não precisa de um líder? A Europa, como frente unida, enquanto União Europeia.
Sim, mas o que é um líder quando a frente não está unida? Não estamos unidos na Europa e não estamos a trabalhar para o mesmo objetivo. Temos a Itália a tentar ser amigável com os Estados Unidos. Temos a Alemanha a tentar fazer o que quer, e a França... não percebo a diplomacia francesa. Não é que ache difícil, mas não faz sentido. Há muitas reviravoltas e manobras de curto prazo que são muito difíceis de compreender.
Por isso, não vejo nenhuma liderança na Europa. Friedrich Merz, o chanceler alemão que as pessoas pensavam que poderia oferecer liderança, não acredito que o faça. Estou muito cético.
Acho que a ideia de que alguém tem de conduzir a Europa está ultrapassada.
É esse o problema do modelo económico europeu?
O modelo estava orientado para um determinado tipo de empresa industrial, que se via na Alemanha e em França, grande, bem-sucedida, que gerava muitos rendimentos e permitia uma grande redistribuição.
Nas economias clássicas, as empresas pagavam os seus impostos e o governo fazia a redistribuição. Mas na Alemanha e em França, grande parte da distribuição ocorria dentro da empresa. Ofereciam salários acima do mercado, direitos de cogestão e empregos garantidos. Mesmo que houvesse uma recessão, esses empregos seriam mantidos, se houvesse algum problema, o governo subsidiava-o.
Era um sistema em que as empresas, os governos, as unidades comerciais, todos trabalhavam em conjunto. Mas, não gerava nova concorrência. Se olharmos para o índice bolsista alemão, a última empresa a entrar e que ainda hoje lá está é do início da década de 1970. Não participaram na revolução tecnológica. Mas a Alemanha participou nas revoluções tecnológicas do século XX. Aliás, era líder nessa altura.
O modelo deixou-nos presos (no passado), porque a revolução digital, que começou mais ou menos nos anos 80 e 90, mas arrancou neste século, exigiu diferentes tipos de empresas. Se olharmos para a Google, a Amazon, o Facebook ou a Meta, não são como as antigas empresas industriais, foram financiados pelos mercados. são muito maiores do que as empresas que temos.
Houve um período, durante a pandemia, em que o preço das ações da Apple era superior ao de todo o mercado bolsista europeu. Os americanos criaram estes gigantes do nada. Nós ainda temos grandes empresas, mas com lucros menores, já não conseguem suportar o fardo de manter o sistema. Na Alemanha, em particular, não temos empreendedorismo, não estão a surgir novas empresas, de sucesso. Há muito mais empresas a morrer do que a nascer. Esta é uma economia em declínio.
A economia alemã não pode recuperar?
A Alemanha ainda é rica. Não digo que esteja a cair, está a crescer, mas a um ritmo muito, muito baixo. É muito dececionante. Outros países vão ultrapassar a Alemanha com o passar dos anos, que acabará por se tornar uma economia muito mediana, uma economia de baixo desempenho. Dentro de 20, 30 anos, sem novas políticas, estamos perante um declínio muito suave, mas persistente.
Uma das razões pelas quais o milagre alemão acabou, é porque era um milagre baseado na tecnologia do século XX. Uma Alemanha em declínio económico não consegue liderar a Europa. A França está em declínio económico e, principalmente, obcecada com a sua própria política, não pode liderar a Europa.
No seu livro, descreve a Alemanha como um dinossauro tecnológico. O que explica a resistência do país à digitalização e à tecnologia?
A Alemanha, enquanto país, subestimou o impacto da revolução digital. Pensaram que era uma fase.
Ainda há pessoas na Alemanha que pensam que a internet vai acabar. Nunca compreenderam completamente, o quão fundamental foi a introdução das tecnologias digitais. Pensavam que era um produto de nicho, algo americano, um pouco como Hollywood. Nem todos precisam de fazer tudo, é uma especialização, um mercado pequeno, de 5% a 10%.
Não perceberam que o digital invadiu tudo. Hoje, um carro é muito mais digital do que costumava ser. O carro elétrico, na verdade, já não é um carro, é um dispositivo digital. É essencialmente um iPad com rodas. As empresas que fabricam carros elétricos assemelham-se mais a empresas tecnológicas do que a fabricantes de automóveis. Vemos fabricantes de telemóveis como a Huawei e a Xiaomi a entrar no mercado dos carros elétricos, empresas que nunca fabricaram carros. As antigas fabricantes automóveis europeias, como a Volkswagen e a Stellantis, terão muita dificuldade em competir no ambiente da indústria tecnológica.
Os alemães já produzem há algum tempo carros elétricos, mas o que diz é que a indústria não acompanhou a inovação, não soube reinventar-se?
A indústria tecnológica funciona de forma muito diferente. Margens de lucro mais baixas, ciclos de produção muito mais rápidos, muito mais inovação tecnológica e muito menos gestão da cadeia de abastecimento. Por exemplo, uma das características da indústria automóvel europeia, que faz parte do sistema europeu, é que temos fábricas em todo o lado, era uma questão muito política. A indústria automóvel alemã é uma indústria política e o novo mundo é diferente.
É interessante que o governo e as empresas tenham subestimado isso. Todas as empresas subestimaram isso. Era muito claro, há pelo menos 10 anos, que o carro elétrico iria prevalecer, não foi difícil de ver. Mas se estivesse na Alemanha, ainda me lembro de há três ou quatro anos, as pessoas diziam-me: "Ah, o carro elétrico não vai acontecer. É que toda esta coisa do CO2 é mentira."
Pensavam que era só isso. Achavam que tinham os argumentos a seu favor. Foi esse o fim da história. Não esperavam por isso. Agora dizem: "Meu Deus, onde estamos? Porque não investimos?"
A Alemanha, enquanto país, subestimou o impacto da revolução digital. Pensaram que era uma fase. Ainda há pessoas na Alemanha que pensam que a internet vai acabar.
Foi um erro de avaliação dos empresários, dos políticos e de toda a população?
Foi um erro de julgamento nacional, relacionado com a forma como os alemães perderam a ligação com a ciência moderna. Inventaram a mecânica quântica. Mas foi através dos fascistas, através dos nazis, que a Alemanha perdeu completamente todas as ligações à física moderna, que é a base do desenvolvimento da engenharia e das implicações civis da mecânica quântica, como o transístor nos anos 40, o semicondutor e os circuitos integrados. Depois, veio o computador e todas as coisas que tivemos desde então, até à IA.
Tudo isto aconteceu sem a Alemanha, basicamente. Há alguns cientistas alemães envolvidos. Mas, como nação, não investiu nisso. Um alemão com talento para informática, normalmente, deixaria o país.
Olaf Scholz, o recente chanceler alemão, ainda achava que era uma brincadeira. Achava que a IA era apenas mais uma forma de obter uma má resposta de alguém. Existe um desconhecimento generalizado sobre o mundo moderno na Alemanha, que também se deve a fatores culturais. Mas, essencialmente, o mundo moderno não foi inventado aqui, por isso não pode ser bom. Este é o erro de julgamento. Agora correm para não ficarem para trás.
A Alemanha infetou a Comissão Europeia? Bruxelas criou tantas regras que a Europa ficou para trás na corrida à inteligência artificial.
As regras de Bruxelas são regras alemãs, porque a Alemanha tem muita influência em Bruxelas. E a Alemanha sempre jogou o seu próprio jogo, tinha o que se pode chamar de poder de regulação.
O que a Alemanha sempre conseguiu fazer, e esse era o sistema antigo, foi utilizar a sua própria regulamentação e entregá-la à UE, a outros países e até ao mundo. Por exemplo, a Alemanha estabeleceu os padrões para a indústria automóvel. Padrões elevados, que se tornaram os padrões para todos os outros, e funcionou muito bem em todas as áreas da engenharia mecânica e da engenharia química.
Os alemães eram uma espécie de campeões do mundo no estabelecimento de regras e a UE seguiu isso. Portanto, grande parte da regulamentação de produtos que se vê, como a regulamentação automóvel, veio da Alemanha.
Toda a burocracia que surgiu nesta década veio de uma mudança na política alemã, da direita para a esquerda. Tivemos um governo de esquerda nos últimos quatro anos. O Acordo Verde foi, em grande parte, uma construção dos partidos Social-Democrata e Verde, da anterior coligação que governou a Alemanha.
Os Social-Democratas continuam no governo, mas agora com uma política diferente, o governo é liderado pelo centro-direita. Já não são a favor disso. Há uma mudança e a Europa contribuiu significativamente para isso. Mas, foi novamente através da Alemanha que isso aconteceu. Foi sob a presidência da comissão de Ursula von der Leyen, que, por acaso, é alemã.
Hoje, um carro é muito mais digital do que costumava ser. O carro elétrico, na verdade, já não é um carro, é um dispositivo digital. É essencialmente um iPad com rodas. As empresas que fabricam carros elétricos assemelham-se mais a empresas tecnológicas do que a fabricantes de automóveis.
Escreveu também sobre a dependência da Alemanha ao gás russo. O regresso da energia nuclear é uma possibilidade?
Não, não. Não acredito no regresso da energia nuclear na Alemanha, porque não é uma prioridade para o governo. É também um processo legalmente complicado.
Tecnicamente, uma central nuclear desativada pode ainda ser reativada. Tecnicamente é possível. Obviamente, quanto mais antigo é o desmantelamento, mais difícil se torna. A estimativa que ouvi para qualquer tipo de regresso à energia nuclear é de cerca de 15 anos. Depois há todos os procedimentos legais e de planeamento...
O governo poderia, em teoria (não tem maioria para tal), poderia declarar uma emergência energética. Seria uma espécie de batalha de poder, com os tribunais, que penso que o governo ganharia se tentasse.
Mas o governo não está a fazer isso. Penso que a Alemanha adotará as mesmas políticas. Dizem que o atual governo é mais favorável à energia nuclear, mas isso é na Europa, não na Alemanha.
Na Alemanha, a única energia nuclear que consegui imaginar a longo prazo é a energia de fusão. Mas a fusão ainda está a muitos, muitos anos de distância.
A energia renovável é o caminho a seguir?
Sim. Vão continuar com as energias renováveis e o investimento em parques eólicos e energia solar, na medida do possível.
Há um grande programa de energias renováveis, e a Alemanha está a fazer esses investimentos, e eles vão render em algum momento.
Eu não teria desativado as centrais nucleares. Não me teria comprometido com uma saída antecipada do carvão, como fez a Alemanha. Provavelmente teria alargado o programa de energias renováveis por períodos mais longos. Teria certamente mantido, ou melhor, aumentado a energia nuclear. Mas isso não pode acontecer agora.
Partindo de onde estamos, a única opção energética que a Alemanha tem é uma expansão renovável apoiada pelo gás. Precisam de uma reserva. Qualquer fonte de energia renovável necessita de reservas, e a reserva tem de ser um sistema tradicional.
E se não for nuclear, só pode ser gás, porque o carvão é significativamente mais poluente que o gás. Assim, o gás é o ideal. Mas a Alemanha não tem gás.
Ela não tem gás russo, por isso compra o gás a preços de mercado mundial, o que o torna muito caro.








