Setor têxtil

40% das empresas da Associação Têxtil com quebra de vendas. Tarifas e plataformas chinesas agravam crise

04 set, 2025 - 06:00 • Filipa Ribeiro

Nos primeiros seis meses do ano, quase metade das empresas inscritas na Associação que representa a indústria têxtil em Portugal registaram uma quebra nas vendas, ao mesmo tempo que as exportações caíram mais 2%. Setor aponta o dedo à falta de regulação de chinesas como a "Shein" e às novas tarifas de Trump.

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Desde o início do ano até à pausa para as férias de Verão, 40% das empresas inscritas na Associação Têxtil e Vestuário de Portugal (ATP) registaram quebras no volume de vendas.

Os dados resultam de um inquérito realizado sobre o primeiro semestre do ano pela ATP, que diz ter perto de mil associados responsáveis pela maioria do volume de exportações do sector em Portugal.

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Nas últimas semanas, são várias as notícias que dão nota do fecho de fábricas da indústria têxtil. À Renascença, o presidente da ATP, Mário Jorge Machado, lembra que os negócios continuam a lutar contra as perdas provocadas no período de pandemia e as dificuldades geradas pelo aumento dos custos de produção, como o preço da energia.

De acordo com o representante, a crise na indústria têxtil piorou desde o anúncio das novas tarifas comerciais de Donald Trump para o Estados Unidos.

Tarifas de Trump desviam produtos asiáticos para a Europa

Mário Jorge Machado refere que, além de colocar "barreiras na venda de produtos europeus aos Estados Unidos", as novas taxas estão a "desviar" para a Europa os produtos asiáticos que se vendiam nos Estados Unidos.

"Neste momento, as estatísticas da Comissão Europeia mostram que uma série de produtos, como os têxteis e o vestuário, cresceram cerca de 30% no valor de importações para a União Europa e os preços diminuíram entre 15 a 20%", salienta.

Mário Jorge Machado reforça que este "desvio" do interesse asiático para a Europa está a prejudicar os negócios dos Estados-membros, ao mesmo tempo que continua a crescer o negócio das plataformas eletrónicas como a SHEIN.

O presidente da ATP considera "impensável e injustificado" o incentivo que a União Europeia dá aos consumidores para comprarem na China e pede que o comércio seja regulado.

"Entidades como a SHEIN não pagam aquilo que qualquer empresa tem que pagar. Isto está a provocar uma concorrência desleal e a promover a desindustrialização europeia", defende.

Mário Jorge Machado indica que, ao mesmo tempo em que a Europa é "inundada" por produtos da China, as exportações da União Europeia para o país do continente asiático caíram 20% nos primeiros seis meses do ano.

Apesar de na Associação Têxtil e Vestuário não haver registo de empresas em risco de falência, o representante da ATP admite que o cenário se está a complicar numa fase em é cada vez mais difícil para os negócios que estão em dificuldades desde a pandemia.

Mário Jorge Machado recorda que a indústria têxtil tem um grande peso na economia nacional, dando emprego a perto de 125 mil pessoas.

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