Desigualdade salarial

Mulheres têm de trabalhar mais dois meses que homens para ganhar o mesmo por ano

16 nov, 2025 - 08:00 • Diogo Camilo

Dia Nacional da Igualdade Salarial assinala-se este domingo. Relatório do ISEG revela que mais de 70% da diferença salarial entre homens e mulheres não é explicada por fatores como a idade, a escolaridade ou a antiguidade numa empresa. Se mulheres não tivessem níveis de escolaridade mais elevados que homens, a diferença de salários seria 23% superior.

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Todos os anos, é calculado o Dia Nacional da Igualdade Salarial tendo em conta a diferença de remuneração entre homens e mulheres. Como os últimos dados conhecidos apontam para que o salário base das mulheres em Portugal seja 12,5% inferior ao dos homens, em 2025 a data é comemorada este domingo - o que equivale a que uma mulher trabalhe 46 dias num ano sem remuneração.

No entanto, as notícias são ainda piores: um estudo do Observatório Género, Trabalho e Poder, do ISEG, que ajusta o salário base e elimina diferenças de idade, nível de escolaridade e antiguidade nas empresas, aponta que o salário base das mulheres é 14,5% inferior ao dos homens.

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Isto significa que uma mulher portuguesa trabalha 53 dias sem remuneração e que o Dia Nacional da Igualdade Salarial deveria ter sido assinalado há uma semana, no dia 9 de novembro.

Se tivermos em conta bónus, prémios e horas extraordinárias, para uma mulher ter os mesmos ganhos que um homem num ano, tem de trabalhar mais 56 dias, ou seja, quase dois meses. Mas os números ajustados do ISEG indicam que um homem com a mesma idade, nível de escolaridade e antiguidade numa empresa recebe mais 17,5% que uma mulher por ano - o que equivale a que uma mulher trabalhe 64 dias num ano sem remuneração.

O ISEG aponta ainda que há uma tendência de diminuição desta diferença entre homens e mulheres: o indicador estava em 20 pontos percentuais de diferença em 2018, reduzindo-se para os 17,5% em 2023. Sem os ajustamentos, o diferencial estava nos 17,8% e está agora nos 15,4%, entre trabalhadores com remuneração completa e em regime de trabalho a tempo inteiro.

O estudo mostra, tal como já avançavam os dados do Barómetro das Diferenças Remuneratórias entre Mulheres e Homens, que a disparidade salarial entre homens e mulheres aumenta à medida que aumentam as habilitações, os anos de antiguidade e a responsabilidade dentro da empresa.

No entanto, o Observatório Género, Trabalho e Poder revela que mais de 70% da diferença salarial entre homens e mulheres não é explicada por estes indicadores e sugere "existência de desigualdades estruturais em função do género", indica o documento, que refere que as variáveis que mais contribuem para essa explicação são o ramo de atividade (29,1%) e a profissão (28,8%).

Ao mesmo tempo, é constatado que, se as mulheres não tivessem níveis de escolaridade mais elevados que os dos homens, a diferença de salários para os homens seria quase 23% superior.

Ao Público, Sara Falcão Casaca, investigadora que dirige o estudo "Indicadores-Chave – Diferencial remuneratório entre homens e mulheres (Gender Gap Pay)", alerta que o "fim da reintegração como imposição em caso de despedimento ilegal [sem justa causa]" pode levar a "despedimentos ilícitos de mulheres grávidas, puérperas ou lactantes" e que o "aumento da duração dos contratos de duração limitada, a termo certo ou incerto" pode resultar no "recuo num país já marcado pela elevada incidência de precariedade laboral.

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