Presidenciais 2026

Regulador dá ordem para bloquear Polymarket. Apostas dispararam antes de se conhecerem os resultados das presidenciais

19 jan, 2026 - 17:11 • Diogo Camilo

Site que é ilegal em Portugal viu serem movimentados mais de 4 milhões de euros em mercados sobre as presidenciais portuguesas nas horas antes de se conhecerem os resultados. Serviço de Regulação de Jogos deu 48 horas para site fechar, mas continua ativo em Portugal e deverá ser agora bloqueado.

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O Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos (SRIJ) deu ordem para o site de apostas de online Polymarket, que é ilegal em Portugal, deixe de estar ativo e seja bloqueado em Portugal, mas a página mantêm-se operacional.

Um dos mercados mais movimentados, o das presidenciais portuguesas, viu serem investidos mais de 4 milhões de euros nas horas anteriores à divulgação de resultados, levantando questões sobre "inside trading" e a partilha de resultados de sondagens à boca das urnas.

Em resposta à Renascença, o SRIJ confirmou que teve conhecimento do Polymarket "muito recentemente" e que considera a atividade "ilegal".

"O site não tem qualquer autorização para disponibilizar apostas em Portugal, sendo que na ordem jurídica nacional não é permitida a exploração de apostas sobre eventos ou acontecimentos políticos, sejam nacionais ou internacionais", considera o regulador dos jogos online.

A entidade adiantou que na sexta-feira o Polymarket foi notificado para terminar a atividade em Portugal no espaço de 48 horas. Mas esta segunda-feira, o site mantém-se ativo. O SRIJ deverá notificar agora os serviços em rede para bloquearem o Polymarket.

Quanto ao dinheiro investido por portugueses na plataforma, o SRIJ refere à Renascença que apenas "regula e fiscaliza" a atividade de empresas com licença de apostas online em Portugal e que apenas tem o poder de "notificar os operadores para cessarem voluntariamente a atividade em Portugal". Ou seja, não há garantias que, depois do bloqueio do site em Portugal, os apostadores portugueses venham a receber o dinheiro investido.

Sorte ou inside trading?

António José Seguro começou o domingo de eleições com 60% de probabilidades no Polymarket, enquanto André Ventura conseguia 30% de chances de ser o mais votado. Pelas 18 horas, uma hora antes de fecharem as urnas, a percentagem de Seguro disparou até aos 95%, chegando aos 100% quando foram reveladas as projeções que davam a vitória a Seguro.

O mesmo aconteceu para o mercado de quem será o próximo Presidente da República.

Às 18h30, António José Seguro disparou desde os 68,6% de probabilidades para chegar a Belém para os 93,2% no espaço de uma hora, às 19h30. No mesmo período, Cotrim de Figueiredo recuou desde os 22% de probabilidade de ser o próximo Presidente para apenas 2,5%. Quando chegaram as 20 horas e os portugueses conheceram os primeiros resultados, a percentagem de Seguro já estava nos 95%.

Nessas duas horas, entre o momento em que Seguro subiu nas ações do Polymarket e foram conhecidas as primeiras sondagens, foram movimentados mais de 5 milhões de euros nos vários mercados, segundo apurou a Renascença analisando dados da plataforma.

Ao todo, o volume de apostas do mercado presidencial principal já ultrapassa os 120 milhões de dólares (cerca de 103 milhões de euros), enquanto os restantes mercados alternativos têm quase 10 milhões de dólares investidos (cerca de 8,1 milhões de euros).

Como é que tantos apostadores acertaram no cavalo certo, duas horas antes de se conhecerem os resultados e uma hora antes de serem reveladas as primeiras projeções de abstenção?

A resposta está nas sondagens. É que foi exatamente por essa altura, por volta das 18 horas, que começaram a circular as primeiras projeções à boca das urnas, muitas delas ainda intercalares, mas todas a confirmarem uma vitória confortável de António José Seguro, com mais de 30% dos votos.

A Renascença recebeu os resultados destas sondagens por volta da mesma hora, partilhadas pelas empresas de sondagens responsáveis e pelos jornalistas das televisões que as iriam divulgar às 20h00.

As projeções acabaram por ser divulgadas apenas às 20h00, mas por essas altura, já os mercados de apostas estavam decididos quanto ao vencedor.

Como funciona o Polymarket?

O mercado de previsões com base em criptomoedas foi criado em 2020, por Shayne Coplan e tem neste momento uma valorização na casa dos 9 mil milhões de dólares (cerca de 7,7 mil milhões de euros).

O conceito é simples: para qualquer evento do dia a dia, incluindo desportos, política, economia ou cultura, é possível comprar ou vender "ações" sobre o desfecho de um evento.

Em cada aposta, há duas opções: o "sim" e o "não", com o preço de cada um a variar entre 0 e 1 dólar, tendo em conta a probabilidade de cada um acontecer de acordo com o mercado, e com a soma de ambas as opções a ser sempre de 1 dólar.

Quanto menor é a probabilidade atribuída pelo mercado a um dado candidato, maior é o potencial lucro, mas também maior é o risco de perder tudo.

Tal como num mercado de ações, é possível comprar ou vender ações até ao desfecho de um evento. No caso das presidenciais, é possível comprar ou vender posições de cada candidato até ser conhecido o próximo Presidente da República.

Para as transações é usada a rede blockchain, que torna as transações mais rápidas e baratas, com a criptomoeda USDC, que está ligada ao dólar norte-americano. Como qualquer ativo em criptomoedas, os seus lucros são sujeitos a uma tributação de 28%.

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