Depressão Kristin

Portugal cortado ao meio: o mapa da situação de calamidade e dos cortes nas linhas de comboio

30 jan, 2026 - 17:53 • João Pedro Quesado

Declaração de situação de calamidade abrange 59 concelhos. A rede ferroviária esteve cortada ao meio por três dias, sem qualquer ligação entre o Norte e o Sul, devido a suspensões na Linha do Norte, Linha da Beira Baixa e Linha do Oeste.

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[notícia atualizada às 19h50 de 1 de fevereiro]

O mapa é claro. A passagem da depressão Kristin, com ventos a superar os 200 km/h na madrugada de quarta-feira, afetou com especial gravidade a região Centro. Provocando danos graves em muitos concelhos, cortou a rede ferroviária de Portugal ao meio.

A rede de linhas de comboio foi cortada a meio graças a três suspensões — na Linha do Norte, Linha da Beira Baixa e Linha do Oeste. Significa que, durante três dias, não houve ligação entre o Norte e o Sul do país por comboio, segundo a informação mais recente da Infraestruturas de Portugal antes da publicação deste artigo (relativa às 15h desta sexta-feira).

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A Linha do Norte, a principal do país, tem às 18h de 1 de fevereiro a circulação suspensa entre Soure e Coimbra B, depois de o corte chegar até à estação de Fátima. O motivo são inundações na zona da estação de Alfarelos — uma zona historicamente suscetível a este problema. Esta suscetibilidade poderia ter sido corrigida em obras do Ferrovia 2020, mas o alteamento da via férrea naquela região foi preterido por uma obra menos invasiva, conforme noticiou o jornal Público no final de 2019.

A Linha do Oeste está cortada entre Mafra e Amieira (Soure), com danos nas infraestruturas em algumas zonas e árvores e outros detritos a obstruir a via.

Já a Linha da Beira Baixa esteve interrompida entre Vila Velha de Ródão e Castelo Novo (Fundão). O motivo são danos na catenária provocados pela tempestade, reparados no sábado, dia 31 de janeiro.

No Ramal de Alfarelos — a ligação entre Coimbra e Figueira da Foz —, há uma falha de energia na catenária a suspender a circulação dos comboios. A falha de energia tem origem na rede elétrica, com a resolução dependente da recuperação do fornecimento de energia.

Já na Linha do Douro, a circulação está suspensa entre a Régua e o Pocinho. O motivo é a queda de pedras para o canal da linha ferroviária.

Inicialmente, a depressão Kristin afetou mais de 503 quilómetros da rede ferroviária portuguesa. Às 10h de 28 de janeiro, quando o país se estava a começar a aperceber do impacto, a Linha do Norte estava cortada entre Pampilhosa e o Entroncamento, a Linha da Beira Alta não tinha comboios de Pampilhosa a Oliveirinha (concelho de Carregal do Sal), e a Linha da Beira Baixa estava suspensa na sua maioria, entre Vila Velha de Ródão e a Guarda.

A Linha do Oeste estava também interrompida, mas entre Meleças e Caldas da Rainha. Na Linha do Sul, a circulação estava suspensa entre Grândola e Lousal, e em toda a Variante de Alcácer. A Linha de Évora não tinha comboios entre Monte das Flores e Évora, a Linha do Douro estava suspensa entre a Régua e Tua, o Ramal de Tomar não tinha comboios e, na Linha do Minho, circulava-se em via única entre Contumil e Ermesinde.

Declaração de calamidade publicada para 59 concelhos

O Governo anunciou, na quinta-feira, a declaração de uma situação de calamidade nos concelhos afetados. Esta declaração foi publicada em Diário da República ao final de sexta-feira, permitindo finalmente esclarecer quais os municípios contemplados — que o ministro da Presidência disse serem cerca de 60 concelhos.

Esses concelhos são: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Alvaiázere, Ansião, Batalha, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Cantanhede, Castanheira de Pêra, Castelo Branco, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Constância, Covilhã, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Figueira da Foz, Figueiró dos Vinhos, Fundão, Góis, Golegã, Idanha-a-Nova, Leiria, Lourinhã, Lousã, Mação, Marinha Grande, Mealhada, Mira, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Nazaré, Óbidos, Oleiros, Ourém, Pampilhosa da Serra, Pedrógão Grande, Penacova, Penamacor, Penela, Peniche, Pombal, Porto de Mós, Proença-a-Nova, Rio Maior, Santarém, Sardoal, Sertã, Soure, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Vagos, Vila de Rei, Vila Nova da Barquinha, Vila Nova de Poiares, e Vila Velha de Ródão.

Os 57 concelhos inicialmente assinalados neste artigo baseavam-se no mapa produzido pelo jornal Eco a partir de um vídeo publicado (e entretanto apagado) por António Leitão Amaro.

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