Combustíveis

Petróleo dispara 30% numa semana para o preço mais alto em três anos e meio

06 mar, 2026 - 19:37 • Diogo Camilo

O barril de Brent, que é referência para o mercado dos combustíveis na Europa, custa agora mais de 93 dólares. Há uma semana, antes dos ataques de Estados Unidos e Israel no Irão, o preço era inferior a 70 euros. Gás subiu tanto de preço numa semana como tinha descido em todo o ano até aqui.

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O preço do petróleo que serve de referência na Europa cresceu mais de 30% desde o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irão e da respetiva retaliação no Médio Oriente. Em menos de sete dias, o barril de Brent subiu para os 93 dólares, o valor mais alto em três anos e meio.

Com este crescimento, que é consequência direta do conflito entre norte-americanos, israelitas e iranianos, o barril de petróleo aproxima-se rapidamente da barreira dos 100 dólares, o que não acontece desde julho de 2022. Na altura, as subidas do preço do petróleo também aconteceram devido a uma guerra, a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Preço do petróleo subiu quanto esta semana?

Na sexta-feira da semana passada, o mercado de Brent fechou nos 73,2 dólares por barril — um crescimento ligeiro em relação às semanas anteriores, mas nada que fizesse adivinhar o que viria a seguir.

Com o início do cair de bombas em Teerão e noutros locais, os mercados agitaram-se e os primeiros a sofrer foram os dos combustíveis, já que o Irão é uma potência e controla o estreito de Ormuz, por onde passa 20% do consumo global diário de petróleo.

Logo na segunda-feira, o crescimento foi superior a 10% no Brent e no Crude, estabilizou durante a semana e voltou a disparar esta sexta-feira: às 19h00, a duas horas do fecho do mercado, os mercados cresciam 12% no Crude em relação ao dia anterior e mais de 8% no Brent.

Após os primeiros ataques no Irão, analistas alertaram que o preço do barril de petróleo podia chegar aos 100 dólares em poucos dias, o que significaria um aumento de mais de 50%.

Já o gás natural cresceu mais de 13% desde a semana passada, a mesma percentagem que tinha descido desde o início do ano, chegando aos 3,2 da unidade padrão usada na indústria, o milhão de unidades térmicas britânicas.

Como se calcula o preço dos combustíveis e porque sobem?

Para esta segunda-feira, é esperado um aumento do preço do gasóleo de quase 20 cêntimos por litro, o maior aumento desde o início da guerra na Ucrânia (em fevereiro de 2022), depois de aplicado um desconto ao ISP imposto pelo Governo. Já a gasolina deverá subir de preço em 7,4 cêntimos por litro.

A grande razão para a subida do preço do gasóleo, mas também da gasolina, está na matéria-prima, ou seja, precisamente a cotação internacional dos derivados de petróleo — Crude, Brent e outros. Para o mercado europeu, o Brent tem uma maior importância, enquanto nos EUA a referência é o petróleo aquecido.

No entanto, apenas 30% do preço dos combustíveis que pagamos nas bombas representa a cotação dos mercados. Mais de metade são impostos: o IVA (sobre o preço de referência e sobre a margem de comercialização, de 23%), o ISP (Imposto sobre Produtos Petrolíferos) e a taxa de carbono.

Com a subida do gasóleo na segunda-feira, os impostos vão passar a representar cerca de 50% do preço do combustível: o preço por litro será de 1,83 € (o mais alto desde novembro de 2023) e cerca de 0,91€ são receita do IVA, ISP e taxa de carbono.

Na gasolina, o preço passará para os 1,78€/litro — um crescimento de 7,5 cêntimos em relação a esta semana —, com mais de um euro a ser impostos.

Além deste preço, outro fator relevante é o dos custos de transporte dos combustíveis até Portugal e outros, como a manutenção das reservas de estratégicas de combustíveis, geridas pela Entidade Nacional para o Setor Energético (ENSE), e as margens de quem comercializa os combustíveis — que representam cerca de 10% do preço final.

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