Combustíveis

Gasóleo e gasolina voltam a ter grandes subidas na próxima semana

20 mar, 2026 - 08:57 • João Carlos Malta , Diogo Camilo

Pela terceira semana seguida, o preço dos combustíveis mais consumidos pelos portugueses voltam a disparar. A confirmar-se, litro de gasóleo chega ao preço mais alto desde junho de 2022.

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Já a partir de segunda-feira, o preço do gasóleo vai subir 15 cêntimos e vai vender-se a valores bem acima dos dois euros. Já a gasolina sobe mais nove cêntimos em relação ao valor desta semana.

Os dados são fornecidos à Renascença pela ANAREC (Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis). Estes valores ainda não comtemplam o valor do desconto que o Governo tem aplicado todas as semanas a rondar os três cêntimos sempre que o valor dos combustíveis aumentou mais de 10 cêntimos.

O gasóleo deve então passar a ter um preço médio nos postos de combustível de 2,08 euros, sendo que esta semana era vendido a uma média de 1,93 euros. Já a gasolina deverá passar a ter um preço médio de 1,95 euros, quando o anterior preço de 1,86 euros.

A confirmar-se, este será o preço mais alto do litro de gasóleo desde junho de 2022, numa altura em que acontecia a guerra na Ucrânia. O recorde do preço de litro de gasóleo em Portugal é de 2,19 €/litro. Já a gasolina chegará ao preço mais alto desde julho de 2022.

Os combustíveis dispararam nas últimas três semanas, desde que a guerra no Médio Oriente começou, acumulando subidas de grande dimensão todas as semanas. A confirmarem-se estes dados da ANAREC, desde o começo da guerra a subida acumulada do gasóleo será de 48 cêntimos. No dia em que começou a guerra o valor médio de venda era de 1,59 euros.

Na gasolina, a subida nas últimas três semanas será de 26 cêntimos. A 28 de fevereiro era de 1,68 euros.

ANAREC prevê que subidas continuem nas próximas semanas

A vice-presidente da ANAREC, Mafalda Trigo, diz à Renascença que a tendência de subida dos preços deve manter-se nas próximas semanas e as consequências serão duras.

"São repercussões gravíssimas, tendo em conta que tudo aquilo que nós precisamos acaba por ser influenciado pelo preço do combustível. Isto irá levar, em primeiro lugar, a um aumento dos bens de primeira necessidade e depois um aumento da inflação de uma forma generalizada", prognostica.

Mafalda Trigo diz que em relação à procura nos postos de combustíveis nacionais para já "têm-se assistido de uma forma ténue a uma baixa na procura".

"Ainda não conseguimos visualizar isto com certezas, mas já se nota que estão os postos com bastante menos clientes e uma retração no consumo. Agora isso ir-se-á notar mais daqui por um mês ou dois, efetivamente se os consumidores começarem a ter que pagar mais por todos os produtos que necessitam e isso vai refletir-se ainda mais no consumo", estima Mafalda Trigo.

Por fim, e em relação às medidas de apoio anunciadas pelo Governo, especialmente a redução de 10 cêntimos no gasóleo profissional, a representante da Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis afirma que o valor é "insuficiente", tendo em conta "as subidas drásticas que se têm sentido".

Por outro lado, considera-as também "restritivas". "Estamos a ver uma grande parte do tecido empresarial em Portugal que não trabalha com veículos pesados, com mais do que 7 toneladas e meia", aponta.

"Por exemplo, os revendedores de gás e de combustível, muitos deles trabalham com carros ligeiros e portanto desde já pedíamos ao Governo para refletir o gasóleo profissional também nas empresas distribuidoras, sejam ligeiros, sejam pesados", remata.

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