Banca

Crédito à habitação. Muitas famílias "estão a contactar os bancos para voltar a fixar taxas"

01 jun, 2026 - 06:00 • João Carlos Malta

Especialista da DECO diz que as subidas anunciadas para junho vão ter impacto nos orçamentos das famílias e aconselha os consumidores a contactarem os bancos para renegociar os contratos. Num crédito à habitação de 200 mil euros, o aumento da prestação rondará os 75 euros por mês.

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É já a partir desta segunda-feira que muitas famílias portuguesas vão começar a sentir um peso extra no orçamento familiar.

Os meses acumulados de subida das taxas de juro, consequência direta da guerra no Irão, vão ter reflexo nas prestações a pagar mensalmente pela casa. No pior cenário, em média, segundo as contas da DECO, podem chegar a subir até 75 euros.

Um facto, que segundo Natália Nunes, jurista da DECO, está a levar a que “muitos consumidores estejam a optar por negociar agora com a banca taxas fixas”.

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Isto para que durante um determinado prazo, que pode ser de dois ou de três anos, dependendo do novo acordo, não haver variações “e depois passar a taxa variável”.

“Ou seja, é aquilo que se designa em termos práticos de taxas mistas”, acrescenta.

“Isto vai permitir aos consumidores terem durante um determinado período a taxa fixa e têm a segurança que o valor da prestação não se vai alterar, não vai subir, mas também não vai diminuir”, explica.

A especialista da DECO começa por alertar os consumidores para que apenas os que têm este mês o contrato de crédito revisto vão sentir mudanças, para todos os outros os valores a pagar mantêm-se.

Aos consumidores que já este mês vão ter os contratos revistos, Natália Nunes diz que “podem esperar uma subida que já pode ter algum impacto nos seus orçamentos, por via da subida da Euribor”.

Subidas diferentes para casos diferentes

A mesma especialista chama a atenção que nem todos vão sentir da mesma forma esta subida. Ela depende de a maturidade da Euribor ser de três meses, seis meses ou 12 meses. Outro fator determinante é o valor em dívida.

“Se estivermos a falar, por exemplo, de um crédito de 100 mil euros com uma Euribor a 12 meses, uma família pode ver aqui um aumento da sua prestação na ordem dos 30, 40 euros”, começa por contabilizar a mesma especialista.

Mas se o valor em dívida for de 200 mil euros, “o valor do aumento da prestação já estará à volta dos 75 euros”.

É mesmo na Euribor a 12 meses que a taxa mais cresceu no último ano, segundo os números do Banco de Portugal.

O que fazer para amortecer impacto?

Para evitar que as subidas previstas tenham um impacto muito grande no orçamento familiar, Natália Nunes afirma que “é fundamental as pessoas saberem muito bem as condições que têm e irem fazendo o acompanhamento dos contratos”.

Por exemplo, se a prestação for revista no mês de agosto, a jurista da DECO aconselha as famílias, através do simulador do Banco de Portugal, a perceber qual “o impacto que este aumento vai ter na prestação”.

Para quem não quer estar sujeito às variações do mercado, deve contatar o banco para renegociar o contrato. “Tem que estar ciente que, se tiver uma taxa variável, está sempre sujeita a estas alterações que podem ser para a Euribor descer ou para subir, e quando sobe já sabe que vai ter um aumento da prestação”, sublinha.

Quem não quer aumentos “pode e deve entrar em contato com uma instituição de crédito, e tentar com a banca negociar alternativas”.

“A verdade é que a banca e os consumidores, já quando foi a subida das taxas de juros em 2023 e mesmo agora, estão abertos a fazer esta negociação e a alterar as taxas. Muitos consumidores estão a optar por negociar agora com a banca taxas fixas”, anuncia a jurista da DECO, Natália Nunes.

Assim durante um determinado prazo, que pode ser de dois ou três anos, dependendo daquilo que é acordado, fixam a taxa e depois passam a taxa variável. “Ou seja, é aquilo que se designa em termos práticos de taxas mistas”, conclui.

Natália Nunes diz que há muitos consumidores que tinham fixado a taxa por dois ou mais anos e que agora estão na iminência de passar à taxa variável. Estão a contactar a DECO para perceber se podem voltar a fixar a taxa.

A resposta é sim, mas as condições “podem não ser iguais àquelas que tinham anteriormente”, até porque “a banca vai fazer uma nova avaliação neste momento”.

Natália Nunes diz que a DECO tem recebido, nos últimos dias, muitos pedidos de ajuda porque “as pessoas querem saber o que é que podem fazer para, de certa forma, ajustar os orçamentos familiares”.

“Não nos podemos esquecer de que a habitação é um verdadeiro problema neste momento para as famílias”, conclui a jurista da DECO, Natália Nunes.

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