Ensaio Geral
"Estado tem de dar o exemplo" na recuperação do património, diz ministra
20 fev, 2026 - 22:15 • Maria João Costa , com assistência técnica de Beatriz Martel Garcia
Catedrais, Igrejas, museus, palácios, arquivos e cineteatros. A lista é longa, nada escapou à fúria do mau tempo. São centenas os equipamentos culturais afetados. Alguns vão levar meses a voltar a abrir portas ao público. Para debater o tema, o Ensaio Geral convidou a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, numa conversa em que participam também o diretor do Museu do Santuário de Fátima, Marco Daniel Duarte, e o vereador da Cultura da Câmara da Marinha Grande, Sérgio Silva.
Sem a ajuda dos privados será difícil ao Estado recuperar o património cultural afetado pelo mau tempo, reconhece a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, em declarações ao programa Ensaio Geral da Renascença.
Há mais de uma centena de equipamentos com danos, alguns deles, como é o caso do Museu Nacional Machado de Castro, vão estar encerrados nos próximos meses.
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Em entrevista ao Ensaio Geral da Renascença, Margarida Balseiro Lopes diz que o Estado tem de dar o exemplo, mas também precisa de ajuda.
“O nosso trabalho tem sido garantir que museu e monumentos nacionais têm financiamento - o Estado tem de dar o exemplo -, garantir o financiamento também de alguns equipamentos municipais além do pacote financeiro para as autarquias mais afetadas, mas temos feito um outro trabalho das equipas no terreno a irem a muitos equipamentos que nem são da Rede Portuguesa de Museus”, afirma.
A governante considera que essas equipas têm capacidade de resposta, “mas obviamente terão de existir intervenções com recurso a empreitadas executadas por empresas privadas”.
Mais de um milhão para recuperar Mosteiro da Batalha
Os danos provocados pelo mau tempo no Mosteiro da Batalha vão ter impacto na economia local.
Quem o admite é a ministra da Cultura. Em entrevista ao Ensaio Geral da Renascença, Margarida Balseiro Lopes explica que será necessário um investimento de mais de um milhão de euros para recuperar o mosteiro.
“O Mosteiro da Batalha, que só vai reabrir no final do mês, é um exemplo claro de um impacto na cultura, mas também na economia. O concelho da Batalha e os concelhos à volta dependem muito daquele equipamento cultural e a queda de árvores e as chuvas muito intensas levaram a que muitos elementos pétreos tenham caído e estamos a falar do investimento mais significativo, até agora, superior a um milhão de euros”, sublinha.
Charolinha de Tomar “está em pedacinhos”
Vai levar mais de um ano para recuperar a Charolinha, em Tomar. O monumento renascentista na Mata dos Sete Montes, junto ao Convento de Cristo, ficou totalmente destruído.
A ministra da Cultura indica que será necessário meio milhão de euros para o restauro.
“Nós nem vemos a Charolinha, porque está toda em pedacinhos dentro de água. Atendendo à complexidade, os técnicos dizem nunca menos de meio milhão de euros. Quando lá fui garanti que a Charolinha vai ser reconstruída, agora, os técnicos dizem-se: nunca antes de 2027. Exige tempo e um trabalho bem feito”, afirma Margarida Balseiro Lopes.
Igreja pede ajuda ao Estado
Num Ensaio Geral especial dedicado aos danos provocados pelas tempestades no património, Marco Daniel Duarte, diretor do museu do Santuário de Fátima, alerta que, sem o apoio do Estado, a Igreja Católica reconhece ser difícil recuperar os templos destruídos.
“Só é possível reerguer este património com o apoio de todos e o Estado terá de assumir alguma responsabilidade naquilo que está por erguer. Percebemos que as prioridades tenham de passar por monumentos nacionais, no caso concreto a Sé de Leiria é um monumento nacional, mas a responsabilidade tem de passar também pelo resto”, defende.
Mau tempo
Cinco museus e três cineteatros encerrados devido a danos graves
Além dos danos já diagnosticados nos Mosteiros da (...)
“Com conservação regular os estragos não seriam tão grandes”
Grande parte dos equipamentos culturais afetados pelo mau tempo, padeciam de falta de conservação. O alerta é do vereador da cultura da Câmara da Marinha Grande.
Sérgio Silva lamenta a ausência de uma cultura de preservação que poderia ter impedido a maior dimensão dos estragos.
“Uma coisa que eu diria que não é apenas da nossa região, é do país todo. Nós não cuidamos da conservação e beneficiação. Não tenho dúvidas nenhumas que, particularmente neste património mais antigo, se houvesse conservação e beneficiação regulares os estragos não seriam tão grandes”, lamenta.
No concelho da Marinha Grande, há quatro equipamentos culturais afetados, um deles o Museu do Vidro.
O vereador da Cultura diz que vão ser necessários vários anos para recuperar e faz contas aos prejuízos: “mais de 10,1 milhões de euros”.
“Vamos ter que resolver isto em vários anos, é impossível, não temos recursos financeiros para resolver num ano, mas contamos com a reflexão do Governo, que alargue a dotação do fundo que é manifestamente insuficiente e atenda a estes casos que não são da Rede Portuguesa de Museus”, apela o vereador da Marinha Grande.

















