Escala Global
Agência Espacial Portuguesa. Portugal tem primeiro voo espacial dentro de dois meses
17 abr, 2026 - 07:00 • Alexandre Abrantes Neves , Gonçalo Costa (vídeo) , Diogo Casinha (sonorização) João Campelo (sonorização)
Vai ser um voo suborbital que, até junho, deve partir do porto espacial de Santa Maria, nos Açores. O presidente da AEP diz que Portugal já é uma nação espacial e acredita que pode haver portugueses no espaço em breve. Quanto ao lançamento de uma missão europeia semelhante à Artemis, Ricardo Conde é perentório: "Falta vontade".
Dentro de dois meses, deverá ser lançado o primeiro voo espacial a partir de Portugal, da ilha de Santa Maria nos Açores. A previsão é deixada no programa Escala Global, da Renascença, pelo presidente da Agência Espacial Portuguesa (AEP), Ricardo Conde.
Neste primeiro voo, previsto até junho deste ano e chamado de suborbital, a nave ultrapassa a altitude de 100 quilómetros e atinge o espaço, mas não atinge velocidade suficiente para completar uma órbita e, por isso, regressa à Terra após cerca de 15 minutos de viagem.
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“Espero que, pelo menos, o primeiro voo suborbital se faça ainda no primeiro semestre”, afirma Ricardo Conde.
“Há ainda a perspetiva de fazer-se um voo orbital no início do próximo ano ou no fim deste ano e, quando isso acontecer, definitivamente, Portugal marca posição na Europa”, acrescenta.
Este responsável pela AEP — que pertence à Agência Espacial Europeia, participação na qual o governo pretende investir mais de 200 milhões de euros até 2030 —acredita que os passos dados por Portugal o tornam já numa “nação espacial”, até porque aposta cada vez mais numa “agenda industrial com parceiros no Norte e em Coimbra para a integração de Satélites”.
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Já quanto às ambições da agência europeia, Ricardo Conde considera que a Europa tem todas as condições científicas para lançar uma missão semelhante à Artemis II. O que falta, diz, é vontade política.
“Falta-nos um programa de exploração espacial, ou seja, ter a sua própria capacidade de colocar astronautas em órbita. Falta essa discussão e essa unanimidade. E essa vontade geral que vai culminar naquilo que é um compromisso de investimento. E, só para termos uma noção, isto implica duplicar os esforços de financiamento que temos agora”, esclarece.
Na leitura de Manuel Poêjo Torres, comentador da Renascença, é igualmente crucial que a Europa encontre o seu lugar estratégico, até porque o espaço pode ser um veículo para a União Europeia reganhar relevância mundial.
“Cumpre à Agência Espacial Europeia não ser apenas o veículo de acesso ao espaço, mas cumpre também aqui ser a forma de capacitar a União Europeia como um todo, ou o espaço europeu como um todo, com as condições de duplo uso, que são civis, mas também militares”, considera.
Ainda assim, Portugal não precisa de esperar tanto tempo até ver um astronauta com cartão de cidadão no espaço. Nas previsões do presidente da AEP, a liberalização do mercado espacial, com o fim da Estação Espacial Internacional e a entrada dos privados no mercado, vai fazer com que portugueses cheguem “naturalmente” ao espaço, ainda que seja difícil integrarem missões da NASA.
“Vai haver um mercado privado de estações espaciais e vai haver um mercado de turismo espacial. E temos também de ver qual é a classificação do astronauta. Nós já tivemos pessoas que foram ao espaço, em voos de microgravidade e não tinham 'background' científico”.
"Ninguém vai à Lua em nome da paz e do amor"
Apesar de a NASA estar na vanguarda, o presidente da agência portuguesa alerta, contudo, que o projeto ILRS lançado pela China e Rússia em 2021 está também bem lançado na corrida – que é cada vez mais “geopolítica”.
“Vai marcar aquilo que vai ser uma hegemonia da próxima grande nação que for à Lua. É uma forma de criar uma extensão do território dos Estados Unidos na Lua ou uma extensão do território da China na Lua. Ninguém acredita, principalmente no contexto atual, um regresso do homem à Lua será em nome de paz e amor”.
O comentador Manuel Poêjo Torres alinha-se nesta perspetiva – e vê como provável o regresso da competição no Espaço, que marcou a guerra fria e o final do século passado.
“As tensões geopolíticas fazem parte da arena de competição e fazem parte daquilo que é a natureza da humanidade. Temos os blocos a realinharem em função daquilo que são a Rússia e a China, em função daquilo que são as suas semelhanças políticas. Fazer do espaço uma arena militar, garantidamente que já é hoje: sustenta todas as operações militares no globo terrestre, no ar, no mar e na terra, inclusive no ciberespaço”, remata.










