29 dez, 2025 - 14:22 • José Pedro Frazão
Markus Iven é analista de questões estratégicas no Centro de Estudos Estratégicos de Haia, um instituto de reflexão na área da defesa e segurança internacionais com sede nos Países Baixos. Antes de ocupar este cargo, trabalhou na delegação militar da Alemanha na NATO, ao cabo de 14 anos nas forças armadas germânicas, incluindo passagens por teatros de operações como o Mali ou o Níger.
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Em entrevista à Renascença, o analista alemão de estratégia militar diz que a Europa não pode repetir os erros das missões de paz nos Balcãs e defende um reforço mais robusto de presença de militares de Portugal e outros países europeus nos países do Leste que fazem parte da NATO.
Na entrevista, concedida no quadro de uma recente passagem por Lisboa, Iven avisa que a Rússia está a tentar montar uma "armadilha" em que os europeus não devem cair, ao provocar disrupções em aeroportos e instalações de países da União Europeia.
Para além de abordar a ameaça russa sobre a Europa, fala também das garantias de segurança à Ucrânia e de uma nova arquitetura de segurança na Europa, incluindo as necessidades de recrutamento e de armamento nas forças armadas da Europa ocidental.
Qual é o maior desafio para a arquitetura de segurança europeia, além da ameaça russa?
A questão central para a segurança europeia é: quem a está a defender neste momento? A resposta é a Ucrânia. Isto faz da guerra na Ucrânia o nosso principal desafio. Quanto menos aparecer no nosso pensamento diário e no debate público, mais acabará por voltar a ser um problema.
Observamos já esta lógica nos ataques híbridos da Rússia contra infraestruturas críticas europeias, seja infraestruturas submarinas ou intrusões de drones no espaço aéreo. O principal objetivo da Rússia é desviar a nossa atenção: quanto mais nos focarmos nestes ataques internos, menos pensamos em apoiar a Ucrânia. Essa é a armadilha que a Rússia nos está a preparar. Se avançarmos, dizendo a nós próprios que devemos agora dar prioridade à nossa própria segurança nacional e que a Ucrânia deve cuidar de si própria, então estamos a fazer exatamente o que a Rússia quer que façamos. Essa é a lógica do pensamento russo.
Ao mesmo tempo, a Europa tem de reforçar as suas próprias forças, porque a Rússia está a aumentar os seus stocks de munições enquanto continua a travar uma guerra na Ucrânia. Grande parte do equipamento que produzem não está a ser utilizado no terreno. Estão a recolhê-lo e armazená-lo, porque, no momento em que virem uma vulnerabilidade na segurança europeia ou na defesa da NATO, vão explorá-la.
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Olhando para o quadro mais amplo, devemos pensar numa futura arquitetura de segurança europeia. Muitas das nossas antigas suposições já não se mantêm. A maior diz respeito à relação transatlântica, que é irrelevante para a administração Trump. No melhor dos casos, agora é algo transacional.
Além disso, assistimos a mudanças maiores na ordem internacional: a Rússia já não é o principal concorrente ou ameaça para os Estados Unidos, como era durante a Guerra Fria. Com o PIB da Rússia agora aproximadamente comparável ao de Itália ou dos estados do Benelux, simplesmente já não representa o mesmo desafio para Washington.
Os Estados Unidos estarão focados no Pacífico e na China, e essa é a mudança decisiva para os europeus. Estamos muito mais sozinhos. Isso não significa que os americanos não nos apoiem — provavelmente vão fazê-lo — mas não da forma como estávamos habituados durante a Guerra Fria.
Isto significa que devemos investir nas nossas próprias capacidades. Ter soldados estacionados em Portugal, Alemanha, França ou Itália não serve de muito. Precisamos de um destacamento avançado. Devemos enviar forças para os nossos aliados da NATO no Leste porque são os mais ameaçados. Quando a Rússia perceber que atacar a Roménia, a Bulgária, os Estados Bálticos ou a Polónia significa confrontar todos, a dissuasão será forte.
Temos de repensar tudo o que fizemos nos últimos 30 anos. Devemos pensar um pouco como fizemos durante a Guerra Fria, quando a Alemanha era o estado da linha da frente e toda a Europa Ocidental enviava soldados para a Alemanha Ocidental. O mesmo tem de acontecer agora com os nossos aliados orientais.
A Europa precisa de formatar esta nova arquitetura, ignorando a atenção que os norte-americanos possam dedicar à defesa europeia?
Eventualmente sim e, para isso, precisamos de aceitar o mundo como ele é e não como gostaríamos que fosse. A maior ameaça para os Estados Unidos no futuro está na Ásia, já não na Europa, e por isso Washington está compreensivelmente a desviar a sua atenção para o Pacífico. Do ponto de vista americano, isso é inteiramente racional. Para nós, europeus, isso significa que temos de dar um passo em frente. Ao mesmo tempo, devemos manter a relação transatlântica o mais forte possível, porque, por mais que possamos investir na nossa própria defesa, não conseguiremos substituir o que os Estados Unidos oferecem hoje e num futuro próximo. São a potência militar mais forte do mundo, e precisamos deles do nosso lado.
Um exemplo claro é o que, em termos militares, se chama ‘intelligence’ [informações], vigilância e reconhecimento. Recolhem a informação de que precisamos no campo de batalha para identificar os alvos certos. Hoje, os estados europeus, juntos, têm cerca de 50 satélites militares em órbita; os Estados Unidos têm cerca de 250 — cinco vezes mais.
Pode-se fazer a mesma comparação com mísseis de cruzeiro, porta-aviões, transporte aéreo estratégico e logística — tudo o que se precisa contra um adversário de igual valia. Portanto, sim, a Europa precisa de ser capaz de se defender, mas a curto e médio prazo não conseguiremos fazê-lo inteiramente sozinhos.
E isso nem sequer é o que os Estados Unidos estão a perguntar. Querem que os europeus assumam mais responsabilidade pela Europa para que a América possa recuar para um papel de apoio. E a lógica funciona nos dois sentidos: se os Estados Unidos forem desafiados no Pacífico Ocidental ou noutro lugar, os europeus também deveriam poder apoiá-los em troca.
Por isso, estamos a passar dos Estados Unidos como um "irmão mais velho" permanente, que está sempre lá para nós, para uma parceria mais igualitária em que ambos os lados precisam um do outro. Isso exige investimento em defesa — e deve acontecer antes de 2035, porque a janela de oportunidade para a Rússia não é no final da década de 2030, mas sim no final da década de 2020, quando poderá potencialmente agir contra a Europa.
Isto significa que as nações europeias devem agir em conjunto, mesmo que as perceções de ameaça difiram significativamente entre a Europa Ocidental e o Leste. Se apenas uma nação europeia não sobrevivesse, todo o projeto europeu — a UE e a NATO — desmoronar-se-ia. E é exatamente isso que a Rússia pretende.
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Como é que a defesa coletiva da Europa pode não passar pelo artigo 5.º da NATO?
O Artigo 5.º é um dos pilares centrais da NATO. Isto significa que um ataque a um aliado é um ataque a todos. "Todos por um e um por todos" é a base da defesa mútua da NATO. No entanto, existe uma interpretação errada comum de que o Artigo 5.º tem de ser "invocado" por todos os chefes de Estado e de governo no Conselho do Atlântico Norte. Legalmente, isso não é verdade. A cláusula de defesa mútua é um compromisso individual de cada nação com todos os outros aliados da NATO. É importante compreender isto. Mesmo que algumas nações abandonassem um aliado atacado, todas as outras ainda seriam obrigadas a fornecer apoio. Portanto, se um aliado importante estivesse em falta, isso significaria que o peso e o risco recairiam sobre os outros.
Como é que isso se alinha com a ideia de um pilar europeu da NATO?
Neste momento, os Estados Unidos estão a pedir aos europeus que forneçam mais forças e capacidades para os planos de defesa da NATO. Os europeus estão a começar a fazer isso, mas não está a acontecer suficientemente depressa. A visão americana é simples: não querem apenas partilhar o peso da segurança europeia, querem deslocá-lo. Argumentam que o principal peso deve recair sobre os europeus, porque é o seu continente — e do ponto de vista deles, isso é compreensível.
A europeização significa, portanto, assumir responsabilidade não na retórica, mas na capacidade militar pura e dura. Isso começa com as munições. Não é preciso ser um especialista militar para perceber que é sempre necessário acumular ‘stocks’. Hoje, para algumas munições críticas, a Europa só tem o suficiente para alguns dias de guerra — nem sequer semanas. No entanto, politicamente isto é difícil, porque os ‘stocks’ não se veem, as sociedades só compreendem o valor das munições no momento em que são atacadas — quando estas estão em falta.
Essa é a realidade da dissuasão. Só sentes que há uma guerra quando já estás envolvido nela. E uma vez dentro dela, lutas com as forças que tens e não com as forças que esperas ter em 2035.
Fala em reforçar o flanco oriental da Europa. Mas na frente do Atlântico – e esta é a perspetiva de um observador português – diminuindo o investimento nas costas atlânticas – com os seus cabos submarinos e navios - isto pode ser visto como menos importante, porque é preciso lidar com o flanco oriental. Como equilibra o leste e o oeste na Europa do ponto de vista da NATO?
A NATO segue uma abordagem de 360 graus e olha em todas as direções. A principal ameaça, no entanto, vem agora da Rússia, porque é atualmente o único ator que representa uma ameaça existencial à sobrevivência de um aliado da NATO. É por isso que o flanco oriental deve ter prioridade. Ao mesmo tempo, o Ártico e o Atlântico Norte continuam a ser críticos, porque qualquer apoio importante dos Estados Unidos para defender a Europa deve atravessar o Atlântico. Portanto, não se trata de escolher entre Oriente e Ocidente. Trata-se de dar prioridade a onde está a ameaça. Consequentemente, o Atlântico, tal como o Mediterrâneo, é essencial para dissuadir a Rússia e, se necessário, defender os aliados da NATO.
Temos ataques híbridos e temos os drones a perturbar aeroportos europeus. Acha que a Europa está a lidar bem com este teste de stress?
Temos assistido a um aumento do que se poderia chamar de ataques híbridos — ou ataques abaixo do limiar de um grande conflito — por parte da Rússia desde 2022. Já vimos cabos submarinos cortados, intrusões no espaço aéreo europeu e até engenhos explosivos enviados em encomendas. Esta é uma armadilha deliberada que a Federação Russa está a preparar para os europeus. Quando desviarmos a nossa atenção da Ucrânia para estes ataques híbridos, que nos afetam individualmente enquanto nações, reduziremos os recursos e o foco que damos à Ucrânia. Já está a acontecer e é exatamente o que a Rússia pretende.
A Rússia vê a nossa fraqueza no facto de sermos Estados-nação individuais. Com ataques híbridos relativamente baratos contra diferentes países europeus, os russos podem forçar-nos a tomar medidas defensivas e esforços de resiliência muito dispendiosos. O problema é que não é possível ter uma defesa perfeita contra ataques híbridos que, por natureza, são assimétricos: encontram constantemente novos pontos fracos.
Por isso, devemos ter muito cuidado para não cair nesta armadilha. Pode parecer natural focarmo-nos primeiro na nossa própria defesa nacional em vez da Ucrânia, mas é exatamente isso que devemos evitar, a menos que queiramos seguir exatamente o guião da Rússia.
Onde está a ligação entre as garantias de segurança para a Ucrânia e a nova arquitetura europeia de defesa?
A ideia de garantias de segurança para a Ucrânia remonta ao Memorando de Budapeste, onde a Ucrânia abdicou das suas armas nucleares em troca da promessa de que as grandes potências não violariam a sua soberania. Esses compromissos foram quebrados pela Federação Russa. É por isso que a Ucrânia está a pressionar tão fortemente por garantias reais de segurança, agora que a adesão à NATO se tornou — por agora — mais irrealista.
Por isso, nós, europeus, precisamos de oferecer algo mais que ajude a Ucrânia se a Rússia reiniciar a guerra no futuro. Do ponto de vista russo, seria do interesse de Moscovo resolver a guerra agora se os termos forem desfavoráveis para a Ucrânia. Se a Ucrânia tiver de ceder território crítico, limitar as suas forças armadas e for impedida de aderir à NATO, então a Rússia pode jogar a longo prazo. Pode amarrar a Ucrânia a um conflito ‘pseudo-congelado’ que pode escalar à vontade. Com o tempo, o problema resolve-se para a Rússia: os ucranianos deixarão um Estado que não pode sobreviver económica e militarmente a longo prazo, e a Rússia poderá eventualmente assumir o que restar — seja em alguns anos ou em décadas.
Qualquer paz duradoura — ou qualquer coisa que possa genuinamente ser chamada de paz, sem futuras coações ou ataques russos — exige, portanto, garantias reais de segurança. Estas não podem ser uma missão de paz de "capacetes azuis" da ONU. Precisaríamos de dezenas de milhares de soldados de nações europeias, treinados e equipados para dissuadir uma Rússia fortemente armada e hostil. Não devemos repetir os erros cometidos com forças de manutenção da paz com armamento ligeiro nos Balcãs.
E durante muito tempo?
Quando olhamos para a Federação Russa, é muito provável que nem a sociedade russa nem o regime político se integrem pacificamente tão cedo numa arquitetura de segurança europeia. Por isso, gostemos ou não, devemos compreender que a dissuasão e, se necessário, a defesa contra a Federação Russa é algo que teremos de sustentar não só nos próximos anos, mas provavelmente durante décadas.
Claro que podemos esperar que, a muito longo prazo — após a paz na Ucrânia e após o regime de Putin — as relações possam normalizar-se novamente e a Rússia possa regressar a uma arquitetura de segurança europeia comum.
Isto significa que teremos uma linha da frente na Ucrânia com tropas europeias no terreno. É muito diferente da situação que temos agora, onde a linha para na fronteira com a Polónia.
Quando pensamos na segurança futura europeia e ucraniana, existem várias opções. Podemos fornecer à Ucrânia apoio financeiro e militar significativo para que construa forças armadas capazes de se defender contra a Rússia a longo prazo; ou então destacamos as nossas próprias forças para lá. A melhor solução provavelmente seria uma mistura de ambos, porque isso proporcionaria maior segurança. A Rússia, no entanto, quer uma Ucrânia fraca que possa ameaçar, controlar ou destruir à vontade no futuro. Isto é visível no plano de paz original de 28 pontos Witkoff–Dmitriev, que propunha limitar as forças ucranianas a 600 mil homens e proibir europeus de estarem presentes em solo ucraniano. É uma ideia grotesca: a vítima, e não o agressor, é forçada a limitar as suas forças.
Naturalmente, qualquer negociação deve considerar a perspetiva russa para tornar aceitáveis os acordos a longo prazo para eles. Mas a confiança foi quebrada repetidamente — pela Federação Russa contra a Europa. Devemos lembrar que, pouco antes do ataque de 2022 à Ucrânia, Putin afirmou explicitamente que a Rússia não atacaria e que os europeus estavam a exagerar. Essas afirmações revelaram-se mentirosas. Por isso, devemos ter muito cuidado ao confiar em tudo o que é dito e temos sempre de apoiar qualquer acordo com as nossas próprias medidas de segurança.
Há um desafio para a opinião pública. Pensando no debate sobre o recrutamento na Alemanha, é preciso aumentar o ritmo de recrutamento para um nível muito mais rápido do que o prazo atualmente projetado na Alemanha para satisfazer todas as necessidades, objetivos e metas que estão na estratégia de reforçar o lado militar da Alemanha?
A Rússia tem uma população de cerca de 140 milhões. Todos os anos, na última década, pelo menos cerca de 250 mil homens foram recrutados. Ao contrário de muitos estados europeus, a Rússia nunca aboliu o recrutamento obrigatório. Se a Rússia se mobilizasse totalmente — e nem sequer o fez durante esta guerra — enfrentaríamos um número enorme de soldados russos.
Seriam capazes de ameaçar as pequenas e médias potências da Europa de Leste. Para muitas destas nações, é impossível defenderem-se sozinhas. Isto significa que teríamos de enviar um grande número de forças mesmo numa situação de escalada, sem uma guerra aberta. A melhor defesa neste caso é ter as capacidades para o fazer antecipadamente, porque assim a guerra não começa em primeiro lugar: dissuade-a.
Se a Rússia perceber que teríamos uma força muito grande e capacidades reais disponíveis quando necessário, então poderemos dissuadir uma guerra desde o início. Na minha opinião, isto significa que vamos precisar de recrutamento obrigatório novamente. A Alemanha já está a tomar medidas nessa direção. Está previsto que as forças armadas alemãs cresçam de cerca de 183 mil militares atualmente para cerca de 260 mil soldados ativos, além de cerca de 200 mil reservistas. Para isso, todos os jovens recebem agora um questionário a perguntar se querem servir voluntariamente, e as forças armadas definem quantos elementos precisam por ano. Se não houver voluntários suficientes, a Alemanha poderá avançar para o recrutamento completo.
Do ponto de vista de um especialista, acho que devíamos avançar já para aí agora. Quanto mais esperarmos, mais forte é o sinal dado à Rússia de que não levamos a sério a nossa defesa, e maior o risco de percebermos mais tarde que desperdiçámos tempo precioso. Devemos avançar para a conscrição geral o mais rapidamente possível. Desta forma, treina-se um grande número de soldados sem os retirar permanentemente do mercado de trabalho, ao mesmo tempo que se desenvolve a capacidade de aumentar rapidamente as forças armadas, se necessário. Essa é a chave para a dissuasão.
Se olharmos para o exército ucraniano, a maioria das forças agora em combate já não é aquela que estava presente no início da invasão em 2022. Os soldados profissionais da época da invasão já foram mortos, feridos ou promovidos. Atualmente, a maior parte do exército é composta por reservistas e soldados recém-mobilizados.
Isto significa que a guerra moderna pode viver sem soldados, exponenciando a tecnologia, onde sejam apenas necessárias pessoas para operar drones e sem mais investimento em tropas no terreno?
Nas últimas décadas — e possivelmente ao longo da história humana — políticos e sociedades esperaram por uma guerra "limpa": poucas baixas, curta duração e vitória garantida. Mas isso é um preconceito, e devemos ter cuidado com os nossos próprios preconceitos. A tecnologia continua a avançar, como sempre, mas ainda não estamos a caminhar para uma guerra de robôs a lutar contra robôs. E mesmo que assim fosse, a guerra continuaria a ser um assunto humano. Em essência, a guerra é uma luta pela vontade humana.
A única guerra realmente "limpa" é aquela que nunca começa. Portanto, a dissuasão credível é a forma mais ‘limpa’ de operações militares: impede que a guerra comece de todo.