Explicador
Acusações de racismo. O que aconteceu na Luz e o que pode acontecer a Prestianni e ao Benfica?
18 fev, 2026 - 07:57 • André Rodrigues
O jogo entre Benfica e Real Madrid contar para o playoff de acesso aos oitavos de final da Liga dos Campeões ficou marcado pelo episódio de alegado racismo que teve como alvo Vinicius. Prestianni é acusado de lhe chamar 'mono' (macaco). Saiba quais o meios de prova, e os mecanismos da UEFA nestes casos.
A derrota em casa do Benfica com o Real Madrid por uma bola a zero passou para segundo plano, quando na sequência dos festejos do golo apontado por Vinicius Júnior, o atacante merengue acusar Prestianni de insultos racistas.
Segundo o brasileiro, o jovem argentino ter-lhe-á chamado 'mono' (macaco). O árbitro do jogo ativou o protocolo antiracismo, mas o caso, pelo menos no campo, passou sem consequências.
Saiba o que se passou e o que pode acontecer após o incidente no Estádio da Luz, neste Explicador da Renascença.
Está em todo o lado a notícia do incidente que marcou o jogo de ontem à noite entre Benfica e Real Madrid: os alegados insultos de Prestianni - jogador do Benfica - a Vinícius Júnior do Real Madrid, logo após o golo. O que levou à interrupção da partida. Afinal, o que é que se passou?
Tudo começa com a celebração do golo do Real Madrid. Vinícius Júnior vai até à bandeirola de canto, junto aos adeptos do Benfica, vê cartão amarelo e isso acaba por gerar enorme discussão dentro do campo.
Na sequência disso, o avançado brasileiro acusou Prestianni de o ter chamado “mono” (macaco). O árbitro sinalizou o protocolo antirracismo, com o gesto dos braços em “X” e parou o encontro durante cerca de 10 minutos.
Não houve qualquer punição ao jogador acusado de insultos racistas e a partida foi retomada.
A polémica continuou depois nas redes sociais, com Vinícius a endurecer o tom, acusando Prestianni de cobardia. Também Mbappé diz ter ouvido o insulto várias vezes. Já o jogador do Benfica negou as ofensas e lamenta as ameaças de que diz ter sido alvo por parte dos jogadores do Real.
O que diz o protocolo antirracismo em competições internacionais?
Primeiro, cabe ao árbitro interromper e é emitido um anúncio público pedindo o fim do comportamento racista; se esse comportamento persistir, a partida é temporariamente suspensa.Benfica-Real Madrid
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Se nada disso reverter o comportamento, o árbitro abandona a partida e a equipa responsável pelos racistas é punida com derrota.
Que provas contam?
A primeira peça são os relatórios do árbitro e dos delegados. Podem ser arrolados testemunhos de jogadores e da equipa de arbitragem, juntamente com imagens, vídeos e áudio.
No entanto, há uma dificuldade recorrente, quando o alegado agressor cobre a boca. Foi o que fez Prestianni. Aí, a prova audiovisual torna‑se menos conclusiva, e a decisão pode depender de depoimentos diretos e da consistência das versões recolhidas pelos inspetores disciplinares.
Se ficar provado que Prestianni insultou Vinícius Júnior, o que é que lhe acontece?
O quadro sancionatório da UEFA é muito claro: qualquer jogador ou membro de equipa considerado culpado de conduta racista é suspenso por um mínimo de 10 jogos. E a sanção pode ser agravada em função da gravidade.
Só nas provas europeias, ou em todas as competições?
Inicialmente, uma suspensão aplicada pela UEFA vale apenas para as competições organizadas pelo organismo europeu - Liga dos Campeões, Liga Europa, Liga Conferência, Supertaça e competições de seleções. Pode, no entanto, ser estendida a outras competições, se a condenação for reconhecida e alargada através da FIFA.
Já aconteceu?
Sim, este mecanismo já foi aplicado, mas não por insultos racistas: na época 2020-2021, ficou provado que Kieran Trippier colaborou num esquema de apostas, ao dar informações sobre a sua própria transferência do Tottenham para o Atlético de Madrid.Algo que claramente viola as regras da FIFA. O clube espanhol ainda recorreu, mas a FIFA rejeitou o recurso. Portanto, o atleta ficou impedido de atuar em todas as competições.
Se o incidente envolver adeptos, o que pode acontecer aos clubes?
Quando há comportamentos racistas nas bancadas, o clube pode ser punido com encerramento parcial do estádio, ou jogo à porta à fechada e multa, em caso de reincidência. Estas sanções aplicam‑se às competições europeias e podem acumular com outras medidas, como por exemplo, planos de sensibilização.
Ao mesmo tempo, a FIFA endureceu o Código Disciplinar, permitindo multas elevadas, jogos sem público, dedução de pontos, expulsão de torneios e até descidas de divisão, reforçando a política de tolerância zero.
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