Isto não é só Europa

Sabia que pode vir a ganhar dinheiro com o investimento europeu em defesa?

03 abr, 2025 - 18:33 • Alexandre Abrantes Neves , Beatriz Martel Garcia (sonorização)

A União Europeia quer canalizar as poupanças que temos no banco para investimentos em defesa, mas a eurodeputada Ana Catarina Mendes alerta que a estratégia ainda tem de ser afinada. No primeiro episódio do novo podcast “Isto não é só Europa”, a socialista e o general Pinto Ramalho fazem uma avaliação do plano de rearmamento da Comissão Europeia e pedem uma discussão sobre um “serviço militar não-armado”.

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Sabia que pode vir a ganhar dinheiro com o investimento europeu em defesa?

A proposta é ambiciosa, mas é uma das principais apostas de Bruxelas para aumentar o investimento em defesa. A União Europeia (UE) quer canalizar os mais de dez biliões de euros acumulados em poupanças pelas famílias europeias para investimentos produtivos, entre os quais o rearmamento e a segurança.

O projeto já tem nome – União Europeia de Poupanças e Investimentos – e quer facilitar o acesso dos cidadãos europeus ao mercado de capitais, com regras mais flexíveis e opções de financiamento mais rentáveis do que os tradicionais depósitos a prazo e certificados de aforro. “São muito poucos os cidadãos europeus que obtêm um rendimento decente das suas poupanças. (...). Este facto é lamentável”, afirmou, este mês, a comissária europeia para os Serviços Financeiros, Maria Luís Albuquerque.

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No podcast “Isto não é só Europa”, da Renascença e EuranetPlus, a eurodeputada do Partido Socialista (PS), Ana Catarina Mendes, reconhece a “necessidade” de conseguir atrair as poupanças privadas e de diversificar as fontes de financiamento para todas as áreas de competitividade identificadas pelo relatório Draghi, documento publicado em setembro de 2024 e onde se fez o diagnóstico do estado da União.

A socialista não está, no entanto, convencida de que a medida vá ser bem sucedida no que toca aos investimentos em defesa.

“O seu sucesso dependerá do meu ponto de vista, de uma implementação regulatória, da confiança que os cidadãos têm nas instituições e da capacidade de garantir um equilíbrio entre segurança e desenvolvimento económico. E eu acho que temos de continuar a trabalhar para isso [a confiança dos cidadãos]”, assinalou.

A luz ao fundo do túnel. Serviço militar “não armado”

No ano passado, o ministro da Defesa propôs reintroduzi-lo para jovens delinquentes institucionalizados, mas a polémica acabou por fazê-lo dar um passo atrás. Na Renascença, já este ano, Nuno Melo admitiu um “serviço militar profissional”.

Em qualquer caso, o general Pinto Ramalho, chefe do Estado-Maior do Exército entre 2006 e 2011, assinala que o “debate não está a ser feito”, a mal dos recursos humanos, um dos “principais pilares” do rearmamento europeu. Por isso, este especialista em Estratégia chega-se à frente com uma proposta de um “serviço nacional de serviço à República”, com dois eixos.

Uma vertente armada e uma vertente não armada. A vertente armada deveria responder às necessidades do sistema de forças e, portanto, teria de ter mecanismos para, se não houvesse voluntários, ir buscar elementos para lá. Mas isto dava a possibilidade ao cidadão de, numa primeira etapa, escolher qual pretende fazer”, propõe.

A vertente armada corresponderia ao serviço militar obrigatório tradicional, enquanto a não armada se focaria em atividades que “hoje cabem no voluntariado”. O trabalho em funções administrativas em arquivos, na vigilância de matas, defesa do património ou no apoio sanitário seriam algumas dessas possibilidades, que serviriam depois de via verde para entrar no quadro permanente das Forças Armadas.

A ideia é atrair e mostrar à população como ser um profissional nestas áreas é útil e rentável – e, ao mesmo tempo, dar ao Estado uma almofada de segurança.

Têm de ouvir os chefes militares para que realmente possa tomar opções no sentido correto

“Se houver um problema grave, mobilizamos os jovens à pressa, damos instrução à pressa e depois mandamos para a guerra? Quais são as modalidades que qualquer português prefere? Em vez, de ‘just in time’, é melhor ‘just in case’.

"Ouçam os militares"

As críticas ao novo plano de defesa da União Europeia Prontidão 2030 têm sido muitas, mas a socialista Ana Catarina Mendes desfoca o ângulo das críticas de Bruxelas para cada um dos estados-membros – alguns parecem ainda não ter vontade política para o investimento.

“Quando nós estamos a falar em defesa não é só no armamento, estamos a falar em tecnologias, em apoio à cibersegurança e estamos a falar da criação do Fundo de Defesa Europeu. Os instrumentos estão aqui, é preciso agora que os 27 Estados-membros se consciencializem que isto tem de ser feito a uma só voz, com vontade política e rapidez”, aponta.

Além da canalização de poupanças privadas, a Comissão Europeia propõe um investimento de 800 mil milhões de euros, divididos entre empréstimos de Bruxelas e a flexibilização das rígidas regras orçamentais, do défice e da dívida pública.

Portugal ainda não esclareceu a opção que vai tomar, mas as palavras do ministro das Finanças - que não quer pôr em causa o excedente orçamental - geraram críticas no primeiro episódio do “Isto não é só Europa”.

Seja qual for a decisão, o general Pinto Ramalho pede “projetos cooperativos” entre países de dimensão e capacidades militares semelhantes à portuguesa e que permitam apostar em “nichos estratégicos” para Portugal – por exemplo, drones, radares e outro tipo de comunicações via satélite, viaturas blindadas de combate, meios de apoio logístico e de apoio de fogos.

Para que este investimento seja feito nas áreas de maior interesse, o antigo chefe do Estado-Maior do Exército pede aos decisores políticos para incluírem mais os representantes militares nos processos de decisão.

Têm de ouvir os chefes militares para que realmente possa tomar opções no sentido correto. (...). Acho que, por exemplo, o Livro Branco da Comissão Europeia evidencia uma falta de diálogo com entidades militares. Quando chegamos às medidas concretas, elas são muito reduzidas em relação àquilo que deve ser aplicado”, remata.

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus

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  • Direitos, sim
    04 abr, 2025 Deveres é que não - o "grito" da Juventude 10:32
    Chamem-lhe o que chamarem, se querem ter pessoal nas fileiras e reservas com treino militar em numero suficiente, o serviço Militar Obrigatório, seja com "2, 3, ou n vertentes", terá de ser reintroduzido mais cedo ou mais tarde, que a população em idade de tropa, foge da vida militar como o Diabo foge da Cruz. "É um atropelo aos meus Direitos", dizem eles e elas, de telemóvel na orelha e a virar "bjecas e shots" em série. Ninguém de bom senso, espera que a juventude de hoje seja igual em espírito de sacrifício, à juventude de há 40 anos atrás, mas ficar à espera que sejam os outros a mobilizar e a virem defender-nos, também não é o caminho. Os jovens russos também não devem querer tropa, mas não têm outro remédio, e em caso de conflito se só encontrarem meia-dúzia de efetivos pela frente, duvido que os tais que berram "é um atropelo aos meus direitos", possam manter esses "direitos" por muito mais tempo ...

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