Guerra no Médio Oriente

Falar de genocídio na Faixa de Gaza "é uma vergonha", diz embaixador de Israel

03 jun, 2025 - 07:00 • Fátima Casanova , Lara Castro

Embaixador de Israel em Lisboa diz que a guerra na Faixa de Gaza só termina com a destruição do Hamas. Em entrevista à Renascença, Oren Rozenblat rejeita as acusações de que o governo de Netanyahu esteja a levar a cabo uma limpeza étnica e critica o mundo ocidental por "não apoiar 100% o Estado de Israel".

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Falar de genocídio na Faixa de Gaza "é uma vergonha", diz embaixador
Falar de genocídio na Faixa de Gaza "é uma vergonha", diz embaixador

Numa altura em que se mantém o impasse com vista a um acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza, a Renascença entrevistou o embaixador de Israel, em Lisboa.

Oren Rozenblat reitera que a guerra só termina com todos os reféns libertados e com o Hamas a depor as armas. Os mesmos dois objetivos que Israel definiu quando lançou a ofensiva.

O diplomata diz que o Estado de Israel não vai permitir “um exército de terroristas ao lado da fronteira” e que vai “fazer esta guerra" até terminar "com a ditadura do Hamas na Faixa de Gaza”.

Ao mesmo tempo, rejeita as acusações de que o Estado Hebraico esteja a levar a cabo uma limpeza étnica na Faixa de Gaza. Diz que “falar sobre genocídio é uma vergonha” e lamenta a falta de apoio do mundo ocidental.

O embaixador israelita admite que foi “uma grande surpresa para os israelitas, que pensaram que, depois do dia 7 de outubro, o mundo iria apoiar Israel totalmente”.

Sobre se a relação com o secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, está mais pacificada, remeteu a pergunta para o embaixador de Israel na ONU. "Este assunto não é para mim."

Há margem para negociar a partir do recente acordo proposto pelos Estados Unidos?

Este acordo para nós é agridoce, porque é só para libertar 10 reféns, não é para libertar todos os reféns e nós precisamos que todos os reféns voltem para Israel. Também para libertar todos os reféns, nós precisamos libertar terroristas e nós temos grande experiência com isso e há receio de que estes terroristas venham a assassinar mais israelitas. Por exemplo, no passado (2011), nós libertámos 1.027 terroristas por um refém, Gilad Shalit -- e nós sabemos hoje que muitos israelitas foram mortos [por eles]. Por exemplo, eles mataram seis israelitas. O líder do Hamas, Sinwar, também foi libertado e ele foi um dos que planeou o ataque do dia de 7 de outubro.

Por isso, para nós tem grandes dilemas.

Mas pode ser uma base para se iniciarem conversações, para chegar a um cessar-fogo?

Este acordo é para um cessar-fogo por 60 dias, não é permanente, porque para o fim da guerra, nós precisamos ter os nossos objetivos concretizados. Um objetivo é a libertação de todos os reféns e nós temos 58 reféns, incluindo reféns portugueses, e nós também precisamos que o Hamas se desmilitarize, porque se nós não cumprimos este objetivo, o Hamas vai atacar Israel uma e outra vez e outra vez.

Estas são palavras dos terroristas do Hamas: eles querem fazer o dia de 7 de outubro outra vez e outra vez.

Esses são os objetivos iniciais desde que Israel começou a ofensiva, já passaram 600 dias. Agora face à situação humanitária que se vive em Gaza, Israel não teme perder a simpatia, até mesmo dos países aliados?

Nós temos muita empatia, especialmente face às pessoas pobres em Gaza e a situação deles é grave, mas nós estamos sempre acompanhando a situação em Gaza, e nós sabemos exatamente a quantidade de comida que há em Gaza, e por isso, na semana passada, nós permitimos a entrada da ajuda humanitária para Gaza.

Nos últimos dias, os americanos iniciaram a distribuição de comida diretamente junto das pessoas em Gaza. Isso é muito importante, muito importante que esta comida chegue a essas pessoas mais pobres e mais vulneráveis de Gaza. Os americanos distribuíram mais de 2 mil refeições, isso é só o início, no futuro…..

Mas não é isso que vai fazer com que a situação ao nível humanitário seja ultrapassada. Como é que Israel responde às críticas da comunidade internacional, que acusa Israel de genocídio e de limpeza étnica?

Acho que esta pergunta é uma vergonha. Porquê? Porque nós precisamos lembrar que foi o Hamas a iniciar esta guerra, no dia 7 de outubro de 2023, quando o Hamas assassinou 1.200 israelitas, violou mulheres e queimou muitas famílias. O Hamas iniciou esta guerra e o Hamas pode terminar esta guerra, se libertar os reféns, incluindo os reféns portugueses, e se o Hamas se desmilitarizar, a guerra pode terminar hoje, hoje. E, por isso, falar sobre genocídio... é uma vergonha eu ouvir esta palavra aqui, porque a guerra pode terminar hoje.

Falou nos reféns portugueses que estão nas mãos do Hamas, quantos são?

Nós não falamos exatamente porque os reféns têm situação legal diferente, mas há reféns com ligações portuguesas.

Mas não tem o número de quantos são?

Eu não quero falar sobre o número.

Israel não tem receio de ficar isolado na sua posição? Ainda esta sexta-feira o presidente francês defendeu que a Europa tem de endurecer a sua posição em relação a Israel.

Sobre a situação em Gaza, o governo israelita não tem escolha, não tem. Isto não é uma decisão do Estado de Israel, é uma decisão do Hamas.

O Hamas começou, no dia 7 de outubro, e o Hamas pode terminar esta guerra hoje. Nós não vamos permitir um exército de terroristas ao lado da nossa fronteira. Por isso, nós não temos escolha, nós precisamos agir para atingir os objetivos.

Se os outros países não gostam disso, é um problema deles, não é nosso, porque nós não temos escolha. Eu acho que é também uma vergonha porque, tendo em conta a nossa situação, o mundo ocidental precisa de apoiar Israel.

Insisto, não há receio desse isolamento?

Nós não temos escolha, não temos. Não há alternativa. Isto é o que nós precisamos de fazer. É uma vergonha o mundo ocidental, depois do dia 7 de outubro, não apoiar 100% o Estado de Israel.

Há esse sentimento?

Para os israelitas, esta é uma grande surpresa. Grande surpresa para os israelitas. Os israelitas pensaram que, depois do dia 7 de outubro, o mundo iria apoiar Israel totalmente. Para nós é totalmente estranho que no mundo ocidental haja pessoas que apoiem os terroristas.

Relativamente ao governo português, pensa que Portugal tem estado ao lado de Israel?

Isso é um assunto que eu falo com o governo, à porta fechada.

Quais os planos de Israel para a Faixa de Gaza? O primeiro-ministro já disse algumas vezes que quer tomar posse daquele território.

A Faixa de Gaza, com 2 milhões de habitantes, precisa de ser um território para os palestinianos com um governo palestiniano. Nós não queremos controlar a Faixa de Gaza, nós não queremos trabalhar na educação ou saúde dos habitantes de Gaza. Por isso, no futuro, Gaza vai ter um governo palestiniano que quer viver em paz, lado a lado com Israel. Este é o futuro da Faixa de Gaza.

Portanto, a solução dos dois Estados que as Nações Unidas defendem, à semelhança de muitos outros países….

Isto não é questão das Nações Unidas. Isso também sempre foi a posição do Estado de Israel. Nós não queremos controlar milhões de palestinianos. Mas o problema é quando eles não trabalham para o povo palestiniano, para a educação, ou para a economia, ou para a saúde.

Eles trabalham para destruir o Estado de Israel. Nós precisamos que os palestinianos sejam um povo que queira viver em paz, lado a lado com Israel.

Qual é a expectativa para a cimeira que vai realizar-se em junho (de 17 a 20) em Nova Iorque, promovida pelas Nações Unidas, em que vai estar em foco essa questão dos dois Estados? Qual é a expectativa de Israel?

Não há ligação entre esta conferência e a situação real no terreno. Não há. Esta é uma conferência franco-saudita, mas não tem ligação com a situação em Gaza. A situação em Gaza pode mudar totalmente, porque agora temos outra maneira para distribuir ajuda, o que representa uma grande ameaça para o Hamas.

O Hamas não vai poder roubar esta ajuda humanitária de novo e, por isso, o Hamas vai ser mais fraco. Nós vimos que as pessoas de Gaza, nos últimos dias, roubaram o armazém do Hamas. Isto significa que, primeiro, há comida em Gaza, mas no armazém de Hamas. Segundo, as pessoas de Gaza não têm medo do Hamas como no passado. O Hamas é uma ditadura e os portugueses sabem o que é uma ditadura. Nós podemos ver, nos últimos dias, que o povo de Gaza não tem medo como no passado.

Por isso, talvez, o Hamas queira chegar a um acordo, porque agora o Hamas é mais fraco do que há uma semana.

Está mais pacificada a relação com o secretário-geral das Nações Unidas?

Isso é pergunta para o nosso embaixador nas Nações Unidas. Eu sou embaixador para Portugal, não para as Nações Unidas.

Mas é o representante de Israel….

Sim, mas este assunto não é para mim.

Se o secretário-geral das Nações Unidas quisesse visitar Israel, as portas iriam estar abertas? Ele já tentou ir….

Isso é também uma pergunta para o nosso embaixador nas Nações Unidas.

Há quem defenda sanções contra Israel, à semelhança do que aconteceu com a Rússia, que invadiu a Ucrânia...

Não sei porquê. Porque é que a Ucrânia precisa de sofrer, porque é que a Ucrânia precisa de ter sanções?

A Ucrânia não…

Israel também não. A Rússia atacou a Ucrânia e nós apoiamos a Ucrânia e o Hamas atacou Israel e todo o mundo precisa de apoiar Israel. Nós somos como a Ucrânia.

Senhor embaixador, há algum sinal de esperança para o desfecho deste conflito?

A esperança é que em breve nós vamos destruir o Hamas e a ditadura do Hamas e o povo de Gaza vai ter liberdade para viver lado a lado com Israel -- com tudo, com educação, com saúde, com boa economia.

Essa é a nossa esperança e isso vai acontecer, não sei se em breve, mas isso vai acontecer.

E como é que ficamos a saber que o Hamas ficou destruído? É que eles, conforme Israel já disse, estão na Faixa de Gaza em túneis debaixo das casas de civis. Como é que se consegue destruir o Hamas?

Nós vamos a todas as casas de Gaza para destruir o Hamas e no fim não vai haver Hamas, em Gaza. Vai ficar um governo que queira viver em paz com Israel. Isso é o futuro. Não há outra escolha.

Imagine que os dirigentes do Hamas se rendiam. Israel poderia acabar com a ofensiva em Gaza?

Com certeza, isso é o fim. Eles têm possibilidade para sair. Nós queremos que eles saiam sem problema de Gaza e este é o fim da guerra. Como foi também no passado no Líbano. Nós lutámos no Líbano no ano de 1982 e os terroristas saíram do Líbano para a Tunísia e este foi o fim da guerra no Líbano. Portanto, é preciso os terroristas, o Hamas, sair de Gaza.

Que garantia é que o Hamas tem de dar quando deixar Gaza e, assim, Israel terminar a ofensiva?

Esse é o terminar da guerra. Nós não queremos lutar. Quando o Hamas sair, é o fim da guerra. Nós não queremos controlar 2 milhões de pessoas de Gaza. Eles vão controlar a Faixa de Gaza. Este é o futuro. Nós não queremos controlar esta área.

Se o Hamas se render, como é que Israel acredita na palavra do Hamas e termina a ofensiva? Que condições são necessárias?

Eles precisam de dar todas as armas deles. Isto não é um sonho.

Por exemplo, agora no Líbano, isso foi exatamente o que aconteceu. Agora no Líbano, a ditadura iraniana do Hezbollah no Líbano terminou. Agora o exército do Líbano trabalha para destruir as armas do Hezbollah. Isto não é um sonho. Este é o fim da organização terrorista Hezbollah no Líbano. E nós queremos o mesmo na Faixa de Gaza.

Este pode ser o desafio lançado ao Hamas: entreguem as armas, rendam-se, para acabar com a ofensiva?

Não há outra escolha. Nós vamos fazer esta guerra até terminarmos com a ditadura do Hamas na Faixa de Gaza.

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  • António dos Santos
    03 jun, 2025 Coimbra 09:44
    Este fulano é burro ou mentiroso!!! Lamento o que se passou com o povo judeu, durante a II Guerra, mas Netanyahu é igualzinho a Hitler. É um criminoso de guerra e devia estar preso.

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