NATO
5% do PIB para a Defesa e críticas ao Irão. Rutte levantou a ponta do véu da cimeira da NATO
23 jun, 2025 - 17:07 • Alexandre Abrantes Neves, enviado especial a Haia
Na antevisão da cimeira da NATO, o secretário-geral da Aliança Atlântica confirmou a subida do investimento em Defesa para os 5% do PIB. Contrariou as contas de Espanha, não condenou os ataques norte-americanos ao Irão e reforçou o apoio à Ucrânia: "A entrada é irreversível".
Depois das suspeitas levantas este domingo, agora vem a confirmação oficial. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, anunciou esta segunda-feira que os países da Aliança Atlântica aceitaram aumentar o investimento em Defesa para os 5% do PIB até 2035. “Todos os aliados concordaram com a declaração e concordaram com os objetivos definidos pelos ministros da Defesa há umas semanas”, afirmou.
O modo de funcionamento é simples: anualmente, cada país vai ter de entregar à NATO um relatório pormenorizado com o trabalho que tem feito para atingir este objetivo e, em 2029, a Organização do Tratado do Atlântico Norte vai rever esta meta - e, se necessário, voltar a subi-la. “Esta é a grande diferença do objetivo definido em 2014 no País de Gales [de 2%]”, clarificou, na conferência de imprensa de antevisão da cimeira da NATO, que decorre esta terça e quarta-feira em Haia, nos Países Baixos.
Apesar do consenso alargado, a ponta solta espanhola manteve-se. Tal como reforçado este domingo por Pedro Sanchéz, Espanha vai gastar “nem mais, nem menos do que os 2%”, para não colocar em causa o Estado Social. Questionado pelos jornalistas, Rutte (que enviou uma carta este domingo a Sanchéz onde assumia haver flexibilidade para Espanha) garantiu que não há “acordos paralelos” nem “exceções” dentro da Aliança, resumindo quase a questão a matemática simples.
“Tenho o maior respeito pelo contributo de Espanha, que é ativo em todo o território da NATO, em várias missões. Espanha pensa que chegará aos objetivos com 2,1% do PIB. Mas a NATO está absolutamente convencida de que vai ter de gastar 3,5%”, afirmou, rejeitando também possíveis objeções por parte de Donald Trump face a esta flexibilidade com Espanha. “Todos concordaram”, insistiu.
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Depois de contornar várias perguntas – dizendo que o foco da cimeira é a “situação euro-atlântica” e com o reforço da indústria militar e de defesa –, Rutte rejeitou associar os ataques norte-americanos a um desrespeito do direito internacional e apontou o dedo ao Irão para reforçar a posição da NATO: nem uma arma nuclear sobre o regime iraniano.
“O meu maior medo é que o Irão tenha, utilize e acione armas nucleares. Haveria um estrangulamento em Israel, da região e outras partes o mundoPor isso, é que a NATO já disse que o Irão não deve por as suas mãos numa arma nuclear, esta é uma posição consistente”, afirmou, para logo a seguir clarificar: “Eu não concordaria com o facto de os ataques dos Estados Unidos violarem o direito internacional”.
Ucrânia na declaração final, com certeza
Sobre o conflito na Ucrânia, a conferência de imprensa serviu para Mark Rutte insistir no discurso que tem apresentado nos últimos meses. Reforçou que a entrada de Kiev é um “caminho irreversível” e que o apoio da Aliança Atlântica é “inabalável” e “vai manter-se”.
Apesar de garantir que a resposta da NATO a uma eventual ofensiva russa na atualidade seria “inabalável”, Rutte voltou a avisar que a Rússia pode desencadear um ataque bem-sucedido no espaço de cinco a sete anos e que isso justifica a necessidade de “começarmos a investir a partir de hoje” para garantir uma “dissuasão suficientemente forte”.
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Por isso, o total do apoio enviado pelos aliados europeus (aqui, excluindo Washington) para Kiev, até ao final de maio, fixou-se nos 35 mil milhões de euros, o que deixa Mark Rutte otimista para ultrapassar, até ao final do ano, os 50 mil milhões enviados em 2024.
Uma das prioridades no apoio a Kiev continuará a ser o reforço dos sistemas de defesa aérea, cuja linha de produção continua deficitária. “Toda a NATO está a trabalhar fortemente para garantir que conseguimos oferta para a Ucrânia”, sublinhou.
Questionado pelos jornalistas se a Ucrânia não vai contar com nenhuma referência no comunicado final da cimeira, Rutte recordou estas preocupações e o encontro de terça-feira com Volodymyr Zelensky e os mais altos cargos da União Europeia para afastar esse cenário.
“No comunicado, que foi agora acordado pelos embaixadores, pelo Conselho do Atlântico Norte, encontrarão uma linguagem importante sobre a Ucrânia, incluindo a ligação das despesas de Defesa até 2035 à Ucrânia e a necessidade de a Ucrânia permanecer na luta. Este é um compromisso claro dos aliados”, assegurou.










