Zohran Mamdani: o político democrata que quer refundar Nova Iorque

25 jun, 2025 - 18:58 • Fábio Monteiro

Zohran Mamdani venceu as primárias democratas para a câmara de Nova Iorque, derrotando Andrew Cuomo. Aos 33 anos, tornou-se o primeiro muçulmano e sul-asiático nomeado pelo partido.

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Algo improvável e aconteceu em Nova Iorque na última noite: Zohran Mamdani, 33 anos, venceu as primárias democratas para a câmara de Nova Iorque, derrotando Andrew Cuomo. Conquistou perto de 44% das primeiras escolhas no voto preferencial, ultrapassando o antigo governador com uma campanha de base e forte mobilização jovem.

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Afinal, de quem estamos a falar? Zohran Kwame Mamdani nasceu em Kampala, Uganda, em 1991. Mudou-se para Nova Iorque com a família aos sete anos, cresceu em Queens e estudou no Bronx.

A sua herança familiar é artística e académica: é filho da realizadora Mira Nair e do professor Mahmood Mamdani. Concluiu a licenciatura em Estudos Africanos no Bowdoin College, onde fundou o núcleo de Estudantes pela Justiça na Palestina.

“Com os desvios inevitáveis da vida — no cinema, no rap, na escrita — foi sempre o acto de organizar que me impediu de desesperar”, lê-se no seu perfil oficial.

Em 2018 tornou-se cidadão norte-americano e, três anos depois, foi eleito para a Assembleia do Estado de Nova Iorque pelo distrito de Queens, tornando-se no primeiro sul-asiático e terceiro muçulmano no cargo.

“Esta cidade está em perigo”

A principal bandeira de Mamdani é a acessibilidade económica. “Nova Iorque é uma cidade onde um quarto da população vive na pobreza, onde meio milhão de crianças se deita com fome todas as noites”, afirmou num comício em Astoria.

A sua campanha assentou em propostas como: congelamento das rendas, autocarros gratuitos, creches públicas e expansão da habitação acessível. “O objetivo não é gerir melhor o status quo, é transformá-lo”, disse.

Apresentou-se como um “candidato que sabe o que é viver em apartamentos apertados e apanhar três transportes para chegar ao trabalho”.

Fé, identidade e mobilização

A fé muçulmana é parte central da sua identidade política. Visitou mesquitas ao longo da campanha e lançou vídeos em urdu e espanhol para comunicar com diferentes comunidades. “Estar em público como muçulmano é também sacrificar a segurança que por vezes encontramos nas sombras”, disse.

Mamdani defende um modelo político assente na mobilização de base. Construiu a sua campanha com mais de 20 mil pequenos doadores e milhares de voluntários.

“Zohran compreende-nos. É dos nossos. É da nossa comunidade”, resumiu o activista Lokmani Rai.

O estratega Trip Yang destacou o lado inédito da sua campanha: “Mesmo que não vença, já fez o impensável — deslocou o centro da política da cidade para a esquerda”.

Posições polémicas e críticas ao sistema

A campanha de Mamdani não escapou à polémica. Crítico da atuação de Israel em Gaza, acusou o país de “genocídio” e de praticar um sistema de “apartheid”. Introduziu um projeto-lei para retirar isenções fiscais a instituições ligadas a colonatos ilegais.

Pressionado sobre o direito de Israel existir como Estado judeu, respondeu: “Não estou confortável com qualquer Estado que tenha uma hierarquia de cidadania com base na religião”.

Reforçou, no entanto, que combaterá o antissemitismo e aumentará os fundos para a segurança comunitária. “Não há espaço para o ódio nesta cidade”, disse.

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