Estados Unidos

"Estudem o meu cérebro": suspeito de tiroteio em Nova Iorque culpava NFL por lesão cerebral

29 jul, 2025 - 21:52 • Diogo Camilo

​Shane Devon Tamura foi encontrado com uma carta de suicídio no bolso depois de matar quatro pessoas no arranha céus onde fica a sede da NFL. Abriu fogo no átrio do edifício, mas apanhou o elevador errado e acabou a matar uma funcionária de outra empresa. É o tiroteio mais mortal em Nova Iorque dos últimos 25 anos.

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O suspeito do tiroteio desta segunda-feira no centro de Manhattan, em Nova Iorque, procurava culpar a liga de futebol americano por sofrer de uma doença ligada a traumatismos cranianos e comum entre praticantes do desporto.

Shane Devon Tamura, de 27 anos, era natural de Las Vegas e atravessou todo o país de carro nos dias anteriores ao ataque que fez quatro vítimas mortais, incluindo um agente da polícia.

É o tiroteio em massa mais mortal em Nova Iorque dos últimos 25 anos e eleva para 254 o número de tiroteios nos Estados Unidos no ano de 2025.

Como aconteceu o ataque?

O ataque aconteceu por volta das 18h30 locais (23h30 em Lisboa), quando o suspeito foi captado por câmaras de vigilância a chegar ao átrio de 345 Park Avenue, um arranha-céus luxuoso que serve de sede da Liga Nacional de Futebol Americano (NFL), além de outras empresas.

Na sua mão tinha uma espingarda M4, começando a "disparar indiscriminadamente" à entrada, atingindo um polícia, um segurança e mais duas pessoas. Dirigiu-se depois para o elevador - onde deixou uma mulher sair ilesa - e subiu até ao 33.º andar, abrindo fogo novamente.

Matou outra pessoa, antes de disparar sobre si próprio, revelou a comissária da polícia de Nova Iorque, Jessica Tisch, durante uma conferência de imprensa na noite de segunda-feira.

O suspeito terá enganado-se no andar: o 33.º piso é o dos escritórios da proprietária do edifício, a imobiliária Rudin Management.

Quando foi encontrado pelas autoridades, foi encontrado num dos seus bolsos uma carta de suicídio de três páginas onde culpava a NFL pela sua lesão.

"A carta apontava ao facto de ter tido CTE, uma conhecida lesão cerebral de quem praticou desportos de contacto", explicou o mayor de Nova Iorque, Eric Adams, à NBC News.

A encefalopatia traumática crónica é uma doença cerebral relacionada com traumatismos cranianos e associada a sintomas como demência e agressividade.

Quem é o suspeito?

As autoridades avançaram que o suspeito tinha um historial de doenças mentais, tendo praticado futebol americano em jovem - embora nunca tenha sido um jogador da NFL.

Shane Devon Tamura jogou futebol americano no seu ensino secundário, na Califórnia, e também foi jogador da equipa de futebol americano de Granada Hills onde estudou até 2016, em Los Angeles.

Na carta de suicídio, diz que a sua carreira foi encurtada devido a lesões cerebrais e que a NFL não fez o suficiente em alertar para os perigos da CTE no desporto, segundo a Bloomberg.

Um antigo treinador, Walter Roby, descreveu-o à Fox News como "sossegado" e "trabalhador", além de ser "um dos melhores jogadores ofensivos" durante o ano em que o treinou, na equipa de Granada Hills.

A 26 de julho, deixou a sua casa em Las Vegas, atravessando o país até chegar a Nova Iorque esta segunda-feira. Passou pelo Colorado no sábado, pelo Nebraska e Iowa no domingo e por Nova Jérsia, até chegar a Manhattan duas horas antes do ataque.

Segundo a CNN, Tamura tinha uma licença de arma e uma licença caducada para investigador privado. No interior do carro estava uma arma, munições, uma mochila e medicamentos.

Na carta de suicídio, escreveu:

"O futebol [americano] em Terry Long deu-me CTE e fez-me beber um galão [cerca de 3,8 litros] de anticongelante. Estudem o meu cérebro, por favor. Digam ao Rick que lamento tudo. Não podem ir contra a NFL, eles vão esmagar-vos."

Quem são as vítimas?

Ao contrário do que foi anunciado nas primeiras horas após o ataque, apenas cinco pessoas foram baleadas: quatro morreram e uma sobreviveu e estava esta terça-feira em estado crítico, mas estável.

Uma das vítimas é o agente da polícia Didarul Islam, um imigrante de 36 anos do Bangladeche que trabalhava na polícia há três anos e meio. Com dois filhos ainda pequenos, a sua mulher estava grávida do terceiro filho. Foi alvejado nas costas e foi encaminhado para o hospital, acabando por morrer durante uma cirurgia.

No dia do ataque, Didarul Islam estava de folga e, por isso, estava como segurança no arranha-céus.

Como reconhecimento, o mayor de Nova Iorque reuniu-se esta segunda-feira com a família de Islam, descrevendo-o como um "herói".

Além do polícia, as outras vítimas são um executivo da Blackstone, Wesley LePatner, empresa de investimentos que opera no edifício, e Julia Hyman, funcionária na Rudin Management que estava na empresa há apenas oito meses.

A quarta vítima é Aland Ettienne, segurança do edifício de 345 Park Avenue.

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