Nobel da Paz 2025

Como é escolhido o Nobel da Paz? Quais são as chances de Trump?

10 out, 2025 - 01:40 • Redação, com Reuters

Alguém que participe num "processo de paz específico até a um novo tipo de acordo internacional" pode vencer o Nobel da Paz, indicam as regras. Donald Trump é apoiado por vários políticos internacionais por intermediar o acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas.

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"Toda a gente diz que deveria ganhar o Prémio Nobel da Paz". A frase é do Presidente norte-americano. Nos últimos meses, Donald Trump tem referido, em várias ocasiões, ser o merecedor da distinção que começou a ser atribuída há mais de um século.

O vencedor do Nobel da Paz vai ser anunciado esta sexta-feira, às 10h00. A lista de candidatos é secreta, mas, para já, sabe-se que a edição deste ano conta com 338 nomes, dos quais 244 são indivíduos e 94 são organizações.

O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, é apoiado por vários políticos e figuras internacionais, mas o Comité Nobel Norueguês é que decide quem é premiado.

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No entanto, surgem outras questões: Quem são as pessoas responsáveis por esta escolha envolta em secretismo? Como decidem? E quais são os seus valores?

Quem decide o Nobel da Paz?

São cinco os membros que compõem o Comité Nobel Norueguês e são escolhidos pelo parlamento daquele país, refletindo o equilíbrio de forças políticas.

Por norma, políticos reformados são os preferidos, mas este ano quem assume a chefia da assembleia da Paz é Jørgen Watne Frydnes, um defensor de direitos humanos e secretário-geral da organização "Norsk PEN" pela liberdade de expressão e da literatura.

Os restantes lugares do comité completam-se com: um académico de política internacional, Asle Toje; a ex-ministra da Cultura norueguesa, Anne Enger; a ex-ministra da Educação norueguesa, Kristin Clemet; e a ex-diretora nacional da organização global CARE que luta contra a pobreza e os direitos da mulher, Gry Larsen.

Mas são os membros responsáveis por sugerir vencedores?

Milhares de pessoas podem propor nomes, principalmente: membros de governos e parlamentos, chefes de Estado em função, professores universitários de História, Ciências Sociais, Direito e Filosofia e antigos premiados.

O prazo para as nomeações terminou a 31 de janeiro deste ano e os membros do comité ainda tiveram a possibilidade de adicionar mais nomes à lista até à reunião de 28 de fevereiro deste ano.

São feitas reuniões mensais e cada nomeado é avaliado por um grupo de conselheiros permanentes e outros especialistas. A decisão costuma ser tomada em agosto ou setembro, de acordo com o secretário do comité de atribuição do prémio, Kristian Berg Harpviken.

A partir daí, tudo no cofre. A lista de nomeados só é partilhada 50 anos após a atribuição do prémio – a menos que o candidato queira revelar –, mas há certos requisitos para poder ganhar este prémio.

Qualquer pessoa pode ganhar?

Alguém que "tenha feito mais ou melhor para promover a fraternidade entre as nações, a abolição ou a redução dos exércitos permanentes e a realização e promoção de congressos de paz" tem chances de ter o famoso Nobel da Paz nas mãos.

Ganha-se uma medalha, um diploma e 11 milhões de coroas suecas, isto é, cerca de um milhão de euros – sem contar com a atenção mediática.

A decisão não pode ser aleatória e tem de coincidir com a atualidade, com os pensamentos e inquietações da comunidade global. Os membros "irão observar o mundo, ver o que está a acontecer, quais são as tendências globais, quais são as principais preocupações e quais os processos mais promissores que estão em curso", afirmou o secretário do comité.

Harpviken explica que os "processos" podem ser "desde um processo de paz específico até a um novo tipo de acordo internacional que esteja a ser desenvolvido ou que tenha sido recentemente adotado".

Trump tem bom currículo para um Nobel da Paz?

Desde o início do ano que Donald Trump manifesta publicamente que merece o prémio e está ainda mais convicto. "Nunca nenhum primeiro-ministro ou presidente fez algo sequer perto ao que eu fiz. Eu terminei sete guerras", afirmou Trump a 23 de setembro, em plena Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nesta listagem, Trump inclui acordos intermediados entre a NATO e a Ucrânia, mas também com Camboja e Tailândia, Kosovo e Sérvia, República Democrática do Congo e Ruanda, Paquistão e Índia, Israel e Irão, Egipto e Etiópia, e Arménia e Azerbaijão.

No entanto, os livros de história mostram que, por exemplo, nos últimos anos não houve qualquer guerra entre Egipto e Etiópia, nem entre Kosovo e Sérvia.

O Acordo da Paz para cessar-fogo entre Israel e o Hamas, proposto pelo Presidente norte-americano, foi aceite esta quarta-feira e fez-lhe ganhar mais confiança de que será o vencedor.

"Toda a gente diz que deveria ganhar o Prémio Nobel da Paz", referiu.

A boa-nova, para Trump, é que tem fãs, nomeadamente os líderes de Israel, Camboja e Paquistão que afirmaram ter nomeado Trump. No entanto, as nomeações foram feitas na primavera e no verão, ou seja, depois do prazo de 31 de janeiro, pelo que não são válidas para o prémio deste ano.

Por outro lado, Trump apoiou o fornecimento intensivo de armas à ofensiva contínua de Israel em Gaza.

"Só se mudar as suas políticas", dizem especialistas

Os especialistas do Comité Nobel da Paz argumentam que o Presidente dos EUA não tem uma atitude apreciada perante a ordem mundial.

Então, não há nenhuma probabilidade de Donald Trump ganhar? "Só se mudar as suas políticas", esclarecem.

O vencedor do ano passado foi o grupo japonês de sobreviventes das bombas atómicas, Nihon Hidankyo, já que a ameaça das armas tem sido uma preocupação de longa data.

Os planos são, por isso e segundo os especialistas, destacar uma organização humanitária, jornalistas ou uma instituição das Nações Unidas. Ou pode ser uma escolha inesperada, já que, ao longo dos anos, há vencedores considerados controversos.

Um vencedor "controverso"

Ao longo dos 125 anos de cerimónias, premeia-se pela paz, mas há quem tenha ativamente participado em conflitos mundiais e, mesmo assim, levado o Nobel para casa.

Henry Kissinger, antigo secretário de Estado dos EUA, foi uma figura política polarizadora porque defendeu a proliferação de armas nucleares, mas ajudou no cessar-fogo, embora temporário, na guerra do Vietname, em que os Estados Unidos estavam envolvidos no campo de batalha.

A cerimónia de entrega do Prémio Nobel da Paz vai ter lugar a 10 de dezembro na Câmara Municipal de Oslo, data que assinala o aniversário da morte de Alfred Nobel.

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